“Aqui não é comigo”

Em junho de 2007 o abastecimento de água em Manaus tinha problemas. As obras estavam apenas começando e a cobrança era grande. Todas as vezes que eu ia às áreas em que o abastecimento era precário ouvia reclamações.

No último sábado do mês, fui a Parintins assistir a uma noite do Festival Folclórico. O número de pessoas na cidade era enorme e deu problema na bomba que gerava o abastecimento de água.

Eu ia chegando ao Sambódromo, uma cara conhecida de Manaus me abordou falando alto e cobrando:

— Pô, Sarafa tá faltando água!

Eu com os meu botões comentei:

“Eu venho a Parintins para dar uma desligada, e até aqui eu sou cobrado pela falta d’água?”

E aí, também, em voz alta disse:

— É meu amigo, mas aqui não é comigo, né?

Voltei para Manaus no domingo, e na segunda feira tive que ir ao prédio da Receita Federal.

Quando entrei, havia uma enorme fila, e um cidadão gritou:

— Pô Sarafa, olha essa fila que não anda. Faz alguma coisa!

Eu respondi em cima da bucha:

— Mas essa fila não é minha.

MORAL DA HISTÓRIA: O prefeito sempre é o culpado. Até mesmo pela falta d’água em outro município, ou pela fila na repartição federal.

4 comments

  1. Serafim, penso que esse fato tem duas óticas. Uma positiva, no sentido de que pode significar uma atitude mais crítica e atenta da população quanto aos problemas de sua cidade (seja quais forem eles); e outra negativa, se tal crítica tiver origem em preconceitos ou má vontade contra alguns que queiram realizar mudanças, contrariando, muitas vezes, fortes interesses.

  2. É pra não perder o costume Sarafa. Tá esquecido que lhe atribuíam culpa por tudo?
    O povo é mesmo sem noção.

  3. hahaahhahahaahahha
    Prefeito, logo o senhor, que é tão sério e calmo!!!
    Deve ter sido mto engraçado!!!!
    Abraços

  4. Por conta do descaso de alguns administradores públicos a população busca desesperadamente algum governante capaz de dar solução para os problemas emergenciais de sua comunidade, de sua cidade. Nesta busca por um administrador que se importe com a população e com a coisa publica o povo até esquece que há limites administrativos e territoriais.

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