• 14.08.2010Amazonas, ArtigosCOMPARTILHAR 6 Comentários

    Fábio Pereira de Lucena Bittencourt Filho, que completaria 42 anos em 28 de agosto, faleceu quinta-feira passada, no Hospital Beneficente Portuguesa de São Paulo. Era filho do altivo, polêmico e querido senador Fábio Lucena. Sofreu um calvário. Operou 23 vezes o intestino, vítima da chamada doença de Crohn.

    Dos seis filhos de Fábio Lucena(os outros são Alessandra, Michelle, Tatiana, Fabíola e Antonio), Fabinho era, sem dúvida, o mais parecido com o pai. Herdou a ironia e o inconformismo que tanto caracterizaram o falecido senador. Sua esposa, Maru, procuradora de Justiça, lhe fez belíssima homenagem ao final dos funerais, sexta-feira. Sua mãe, Socorrita, esgotou toda a cota de sofrimentos, após o fim trágico de seu brilhante e irrequieto marido, em 14 de junho de 1987, e agora o do filho.

    Fabinho era um homem apaixonado. Homenageou o poeta que mais admirava, Vinícius de Moraes, no nome do único filho, hoje com quatro anos. Foi enterrado ao som de Renato Russo, levando no caixão as bandeiras do bumbá Garantido e do Flamengo.

    Senti, na hora do enterro, um misto de revolta e saudade, com dificuldade para acreditar que Fabinho estava ali. O natural, no ser humano, são as perdas para cima ou, no máximo, para o lado, na cadeia genealógica. Perdas para baixo, como a dele, são dolorosas demais. Olhei ao redor e vi muitos de seus amigos.

    Sem ligar para o momento de campanha política, ao ver o padrinho de batismo, o senador Evandro Carreira, emocionado, me emocionei ainda mais com ele.

    Tinha por Fábio Lucena Filho um carinho paternal. Embora o visse pouco, ele sempre me tinha por perto em momentos cruciais. Tentei, com a família, levá-lo para São Paulo, mas insistiu em permanecer em Manaus nos primeiros momentos, que sinto terem sido decisivos.

    Recordo-me que, quando estava em meu primeiro mandato de deputado federal, acossado meses pelo assédio moral de um gerente do Banco do Brasil, onde trabalhava, Fabinho resistiu até onde pode até que, finalmente, os dois foram às vias de fato. O banco resolveu demiti-lo.

    Fui até o presidente. Agi como pai e cidadão, indignado, procurando evitar a injustiça, lembrando que ninguém agride ninguém sozinho e o fato de não haver qualquer punição prevista para o outro. Falei da vida trágica do rapaz, de sua honestidade e boa formação. Pedi a permanência dele no cargo. Enfrentei a inflexibilidade daquele homem. Fui duro. E Fabinho não só não foi demitido, como veio a se tornar, dando razão à minha intercessão, funcionário exemplar do BB.

    Sei que o presidente do poderoso banco, cujo nome prefiro ignorar, ficou surpreso com minha atitude. Defendi apenas um funcionário honesto, que merecia essa defesa. Não pedi nada para empreiteiro algum ou busquei qualquer tipo de negociação que me beneficiasse. Acho que isso fez a diferença.

    Vem-me à mente a perda de Fábio Lucena, às vezes aliado, às vezes adversário, sempre extremado e brilhante. Fabinho, você foi um filho que a vida me deu e o destino me tirou.

  • Escrevo da aldeia Cachoeirinha, em Miranda (MS), onde acabo de presenciar uma operação arriscada. Vi como desmontaram o gatilho de uma arma infernal que já causou mortes e emudeceu vozes, criando um silêncio de cemitério. O gatilho assassino foi desarmado por dois Terena – a professora Maria de Lourdes Elias Sobrinho, ex-empregada doméstica, filha de um índio plantador de milho, arroz, feijão e banana – e seu colega, o professor Celinho Belizário, ex-cortador de cana.

    Nessa sexta-feira, 13 de agosto, cada um deles defendeu sua dissertação de mestrado na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) de Campo Grande (MS), que abriu seu Programa de Pós-Graduação em Educação para formar pesquisadores indígenas, com apoio da Fundação Ford.

    No entanto, a defesa aconteceu – o que é inédito no Brasil – não no campus universitário, mas dentro da própria aldeia. Fomos nós, os professores da banca de avaliação, que nos deslocamos até lá, num movimento que não se limitou a uma simples troca de espaço, mas implicou mudança de perspectiva: a universidade desceu de suas tamancas e com isso ampliou seu universo de conhecimentos.

    Maria de Lourdes fez a apresentação oral, toda ela em língua terena, para compartilhar sua pesquisa com os índios ali presentes. Na medida em que falava, o data-show ia projetando o texto da tradução ao português, permitindo que a banca e o público não-indígena acompanhassem sua fala. O trabalho escrito também é, em grande medida, bilíngue em terena e português. Essa foi, talvez, a primeira vez no Brasil que um índio não precisou renunciar à sua língua para ter um diploma reconhecendo aquilo que sabe.

    O boi baba

    A pesquisa de Maria de Lourdes procura identificar, justamente, os mecanismos engatilhados contra a língua terena, buscando um escudo para protegê-la. Através desse caso particular, é possível entender o extermínio, em cinco séculos, de mais de mil línguas indígenas, que deixaram de ser faladas no Brasil. Cerca de 180 delas continuam ainda resistindo, como a língua terena. De que forma foi possível silenciar tantas vozes que enriqueciam o patrimônio cultural da humanidade, sepultando com elas cantos, narrativas, poesia, músicas e saberes?

    As tentativas de sufocar a língua terena – um crime de glotocídio – foram testemunhadas pela própria Maria de Lourdes, em sua infância. “Da primeira até a quarta série do Ensino Fundamental, cursei na Aldeia Cachoeirinha de 1968 a 1972, minha professora era purutuye (branca). Quando cheguei à sala de aula, meu primeiro impacto foi com a questão da língua, isto é, eu, falante da língua terena e a professora da língua portuguesa. Quando ela começou a explicar a matéria, parecia que eu estava em outro mundo, pois não entendia nada do que ela estava falando”.

    Lourdes se lembra de sua primeira cartilha – O caminho suave – onde lia que “o boi baba”, em voz alta, mas não entendia bulhufas. “Em 1976, na cidade de Miranda, fui para uma escola pública cursar a 5ª série à noite. Numa das aulas, a professora pediu para eu ler um texto de história. Li. Depois ela me pediu para explicar aos colegas o que tinha lido. Sem dizer nada, comecei a chorar, pois não sabia o que o texto dizia, eu não falava a língua portuguesa”.

    Lourdes chegou a estudar num convento de freiras, em 1975. Lá, “era tudo estranho, a começar pela língua. Não entendia o que as freiras falavam comigo. Lembro quando uma freira me pediu água. Fiquei parada na cozinha sem saber o que ela tinha pedido. Eu não perguntava o que ela queria, pois não sabia nem como perguntar. A minha comunicação com elas era bom dia, boa tarde e boa noite. Essas foram as primeiras palavras que me ensinaram”.

    Quando saiu do convento, Lourdes foi trabalhar como empregada doméstica. “Trabalhava de dia, e à noite estudava o segundo grau numa escola pública, mas tinha vergonha de falar a língua terena no meio dos brancos, isto porque não queria que eles percebessem que eu era índia, pois quando percebiam me isolavam do grupo”. Com a língua, ela silenciou também brincadeiras infantis, danças, benzimentos, cantos, pajelança e até a culinária terena, especialmente o lapâpe – uma massa de mandioca aberta como uma pizza e preparada na frigideira quente.

    Lourdes foi atingida no próprio corpo pelos disparos de uma arma letal, que assassina almas e emudece vozes. Dessa forma, descobriu o mecanismo de extermínio, que começa com a discriminação da língua indígena considerada pelo senso comum preconceituoso como “inferior” ou “pobre”. Depois vem a proibição de falar essa língua, o que significa enxotar da escola os conhecimentos tradicionais que ela veicula. Em seguida, a obrigação de aprender a ler em português, uma língua desconhecida. Por último, o falante se automutila, na medida em que é obrigado a esconder sua identidade.

    Rito de passagem

    Quando Lourdes se formou no Curso Normal Superior Indígena e foi lecionar na primeira série do ensino fundamental, na Aldeia Cachoeirinha, constatou que apesar das garantias constitucionais e do direito dos índios de serem alfabetizados em suas línguas maternas, a escola continuava fazendo com as crianças aquilo que havia feito com ela. As crianças não aprendiam a ler em terena, apresentando alto índice de repetência e evasão escolar.

    Foi aí que Lourdes decidiu romper esse círculo vicioso, organizando a resistência ao desmontar os mecanismos que acabariam com sua língua materna. Como coordenadora pedagógica da escola, ela elaborou e implantou em 2007 o projeto de alfabetização e produziu a cartilha “Ler e Escrever na Língua Terena”. O português passou a ser ensinado como segunda língua.

    A pesquisa de Lourdes no mestrado teve como objetivo analisar essa experiência. Ela realizou testes de leitura e compreensão de texto com crianças terena alfabetizadas na língua indígena e com outros alfabetizados em português. Os resultados foram surpreendentes: no primeiro caso, as crianças que liam e escreviam em Terena, se expressavam com mais fluência inclusive em português e interpretavam textos com mais facilidade nas duas línguas.

    As duas pesquisas – a de Lourdes e a de seu colega Celinho, que analisou o projeto político pedagógico da escola – se apropriaram das teorias e dos conceitos dos autores nacionais e estrangeiros indicados por seus respectivos orientadores: a doutora Adir Casaro e o doutor Antônio Brand da UCDB. No início não foi fácil: “O Homi Bhabha não queria conversar comigo” – disse Lourdes, com humor, referindo-se ao teórico indo-britânico, que analisou o confronto de sistemas culturais e cuja noção de entre-lugar como local da cultura acabou se tornando familiar a ela.

    Alguns autores brasileiros como Aryon Rodrigues, Ruth Monserrat e Roberto Cardoso de Oliveira, serviram aos dois pesquisadores que, além disso, realizaram observações na aldeia e na escola. Entrevistaram velhos, professores, alunos, pais de alunos, registraram as falas nas reuniões de trabalho, consultaram os textos de autores indígenas de outras línguas como Higino Tuyuka, Chiquinha Pareci e Darlene Taukane, cruzaram as fontes orais com as fontes escritas. Enfim, produziram uma pesquisa de qualidade, como assinalou a doutora Marta Azevedo, da Unicamp, membro da banca.

    “Os Terena estão buscando novas formas de sobreviver em meio a essa cruzada de flechas e às novas e gigantescas colunas de fogo que se alastram em direção a nós, vindas do entorno regional” – escreveu Celinho, que definiu sua pesquisa como “a semente de um sonho”, porque “outros pesquisadores indígenas continuarão essa reflexão”.

    Na ocasião, duas cerimônias foram realizadas pela comunidade terena para celebrar o nascimento dos novos mestres. Lourdes entrou no recinto, acompanhada dos membros da banca, passando no meio de duas fileiras formadas por meninas que dançaram o Xiputrena, animadas por um tocador de pife (oxoti étakati) e um tocador de tambor (ixúkoti pepêke). Já Celinho foi recebido com o Kohitoxi Kipâhi ou dança do bate-pau, numa fileira meninos com os corpos pintados de vermelho e na outra, de azul. Tinha algo de belo e de sagrado na reverência daquelas crianças aos novos suportes do saber.

    Há alguns anos, o último falante de uma língua indígena foi considerado doido, porque conversava em língua xetá com sua imagem projetada no espelho, como uma forma dramática de manter sua identidade e sua memória. As pesquisas dos dois novos mestres fazem parte de uma estratégia, uma esperança para que nenhum terena jamais precise conversar com o espelho. Que Orekajuvakai nos ouça!

    P.S.- Link para dois artigos sobre o tema: 1) Morte e vida das línguas

    http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=26

    2. 2) Tikuein, o homem que falava com o espelho

    http://www.taquiprati.com.br/cronica.php?ident=21

  • Há cinco anos morria meu pai, o ex-governador Miguel Arraes. Naquele dia, a minha sensação era de que, junto com ele tinha ido embora não apenas um pai, mas tudo que ele representava para o povo pernambucano. Achava que seus atos, suas opções, seus pontos de vista, seriam apenas registros fragmentados em livros de História.

    O tempo, contudo, me mostrou que a sua força se mantém viva. Para a família, ele deixou muitas lições, como se fosse uma herança. Apontou um caminho que tivemos que trilhar com nossas próprias pernas, mas levando nas mãos uma bússola por ele confeccionada com afinco. Para a população, ele ficou como uma marca que não se apaga.

    Descobri tudo isso em parte convivendo com os que me cercam. Porém, descobri muito mais com o povo a quem meu pai dedicou sua vida. Foi andando pelas ruas do Recife, pelos canaviais da Zona da Mata e pelas áridas paisagens do Agreste e Sertão que entendi como o povo via ‘Dr. Arraes’. Hoje gostaria de me dirigir a ele como se fosse possível voltar a sentar na rede do terraço de casa e contar o que acontece por aqui:

    ‘Pai, é com muita alegria que lhe digo que os seus sonhos estão se tornando realidade. Seu neto Eduardo, meu filho, ao conquistar, em 2006, o Governo do Estado, não se afastou daquilo que foi o seu maior propósito: melhorar as condições de vida dos mais carentes e fazer o Estado crescer.

    Agora, ele disputa a renovação do mandato levando na bagagem obras que você tentou de todos os modos implantar em Pernambuco e não conseguiu em virtude da perseguição política que lhe foi impingida pelos detentores do poder federal, apoiados pelos nossos adversários locais.

  • Hoje, 13 de agosto, sexta-feira, dia do economista, o Governo do Estado do Amazonas rompeu a barreira dos oito bilhões de reais empenhados do Orçamento deste ano, ou seja, comprometidos com despesas. Veja a tela abaixo:

    Do lado da receita, verifica-se que a receita total prevista é de R$ 8.297.166.000,00, mas até hoje foram arrecadados R$ 5.484.870.360,36, como se vê pela tela abaixo:

    Não precisa ser especialista em finanças públicas para ver que essa conta não fecha. Faltando quatro meses e meio para o final do exercício de um Orçamento de R$ 8.297.166.000,00, já foram gastos R$ 8.002.279.573,53. Com isso, restam R$ 295.000.000,00 até o final do ano.

    Só de folhas de pagamento, ainda terão que ser empenhadas e pagas cinco e meia ( cinco meses e a outra metade do 13º salário). Como cada folha corresponde a R$ 220.000.000,00 estamos falando de R$ 1.210.000.000,00. Ou seja, se não fizer mais nada, a não ser pagar folha, ainda assim não existe saldo no orçamento, por óbvio, pois R$ 295.000.000,00 é menor do que R$ 1.210.000.000,00.

    Podem dizer que haverá um “grande” excesso de arrecadação que cobriria essa diferença. Vamos, então, fazer uma rápida projeção. De 1º de janeiro até hoje, passaram-se 223 dias e foi arrecadado o total de R$ 5.484.870.360,36 que dividido pelo número de dias – 223 – resulta na arrecadação diária média de R$ 24.595.829,60. Para projetarmos a provável arrecadação do ano basta multiplicar o número de dias do ano – 360 – por R$ 24.595.829,60 que totaliza R$ 8.854.498.650,00. Ainda assim fica longe de cobrir a despesa já comprometida e as folhas que totalizam em números redondos mais de R$ 9.200.000.000,00.

    Então, mesmo com o excesso projetado, e se não empenhar nada além da folha, o que significa dizer parando o Estado, ainda assim faltariam “apenas” TREZENTOS E CINQUENTA MILHÕES.

    Pelo que se demonstra a situação fiscal do Estado é complicada, cabendo aos atuais gestores explicarem para a sociedade como pretendem solucionar o problema.

  • Há uma campanha em curso, patrocinada pela grande mídia e pela oposição, para disseminar a tese de que o Brasil passa por um processo de desindustrialização. Articulistas mal-informados (ou mal-intencionados) pregam aos quatro ventos que o câmbio valorizado e os juros altos seriam as causas do aumento das importações, e que esse aumento destruirá a indústria nacional. Curiosamente, são os mesmos que atacaram o Banco Central por elevar menos a taxa Selic do que o esperado pelos “analistas” do mercado.

    Boa parte da imprensa não se cansa de atacar a política industrial do Governo Lula, o BNDES e a Petrobras. Trata-se de uma clara tentativa de fomentar pânico na indústria e esconder o excelente momento econômico que o país vive às vésperas das eleições. Configura-se, portanto, uma grande contradição, já que a ação do BNDES e o desempenho da Petrobras têm sido fundamentais para desenvolver nossa indústria, agregando inovação e tecnologia aos processos produtivos.

    A realidade revela o que a tese da desindustrialização de fato é: um mito. E as provas estão no próprio noticiário, nos indicadores econômicos apresentados, e no recente manifesto de parcela significativa do setor industrial (12 associações), que defendeu o papel do BNDES e identificou na campanha contra o banco um ataque ao investimento produtivo existente no Governo Lula.

    Além disso, é preciso contextualizar o recente aumento das importações. A base de comparação é frágil, porque se verifica sobre uma queda forte (16,9%) em 2009, ano de crise internacional. Ou seja, boa parte desse fluxo é uma recomposição do nível de importação pré-crise. Esse não é um fenômeno inédito. Em 2004, quando a atividade econômica teve forte aceleração após um ano de ajuste fiscal, também houve aumento expressivo das importações.

    Outro fator a ser considerado é a alta consistente da demanda doméstica, que está na casa dos dois dígitos em virtude do aquecimento da economia. O aumento no fluxo de produtos importados vem para complementar a oferta doméstica, não para substituir a produção nacional.

    Enquanto a mídia prega o terror, a indústria nacional se prepara para o futuro. Em junho, as importações de bens de capital cresceram 58,4% em relação ao mesmo mês de 2009, quando a economia brasileira já estava em plena recuperação. No primeiro semestre, a compra de máquinas e equipamentos para ampliar a produção teve alta de 26,1%. Pode haver desindustrialização em um país que investe R$ 10,6 bilhões em maquinário para produzir ainda mais?

    No mês de julho, as exportações alcançaram R$ 17,6 bilhões, voltando ao nível pré-crise, resultado obtido sem que houvesse uma recuperação completa das economias dos EUA e da Europa, principais mercados consumidores do mundo. Graças à política de diversificação de parceiros comerciais liderada pelo presidente Lula, ainda há muito espaço para avançar.

    O Brasil não pode depender apenas da desvalorização do real para estimular a exportação industrial. Alguns países do sudeste asiático —como Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan— já não possuem mais a vantagem comparativa da mão-de-obra barata e nem por isso suas indústrias estão minguando. Se câmbio fraco e baixos salários fossem essenciais para uma política industrial, Alemanha e Japão não seriam as potências exportadoras que são.

    O Brasil está no caminho certo. No Governo Lula, o país constituiu uma pauta de exportações diversificada, que não depende apenas da venda de matérias-primas e produtos agrícolas, ainda que estes setores passem por um período de crescimento robusto.

    Entre 2003 e 2009, as exportações de produtos de alta tecnologia tiveram um aumento de 76%. O setor nacional de máquinas e equipamentos teve um faturamento de R$ 33,9 bilhões no primeiro semestre deste ano. A indústria continua se recuperando bem, com crescimento de 6,3% de dezembro de 2009 a maio de 2010. Os investimentos se intensificam em toda a cadeia industrial e ampliam-se, também, na infraestrutura, nas áreas de petróleo, gás e energia, inclusive no setor químico e eletroeletrônico.

    Ao contrário da época de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), hoje, a indústria tem desonerações, juros especiais e crédito de longo prazo no BNDES. Temos política industrial e de inovação, mercado interno em expansão, apoio às exportações e acesso à tecnologia.

    Tomar a pressão momentânea por produtos importados, fruto do aumento da renda e do emprego, como indício de desindustrialização é sinal de miopia ou má-fé.

    José Dirceu, 64, é advogado e ex-ministro da Casa Civil

  • Plenário do Tribunal Superior Eleitoral

    Do GLOBO.COM :

    BRASÍLIA – Por quatro votos a três, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) voltou atrás nesta quinta-feira da decisão de impor a verticalização na propaganda eleitoral de rádio e TV. Com o recuo, candidatos à Presidência poderão participar dos programas eleitorais de candidatos regionais aliados, mesmo que eles sejam adversários no estado. Os ministros também entenderam que o candidato a presidente pode participar dos programas de candidatos de seu partido no estado. No final de junho, em resposta a uma consulta feita pelo PPS, O TSE havia decidido verticalizar a propaganda eleitoral, provocando reação dos políticos.

    A decisão desta quinta-feira permitirá, por exemplo, que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, participe dos programas eleitorais de dois candidatos ao governo que são adversários na Bahia: o também petista Jaques Wagner e o peemedebista Geddel Vieira Lima. Isso porque PT e PMDB integram a coligação de Dilma. A candidata do PV à Presidência Marina Silva também poderá participar do programa de seu colega de partido e candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, mesmo que ele esteja coligado com PSDB, DEM e PPS, partidos que apoiam o candidato tucano a presidente José Serra.

    Os ministros, no entanto, não discutiram a hipótese de candidatos que, embora não coligados nacionalmente, estejam coligados regionalmente, como é o caso da presença de Serra no programa de Gabeira. O voto será redigido pelo presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, que já afirmou que a liberdade dos partidos é total sobre o uso de imagem e voz de presidenciáveis e militantes em programas eleitorais de partidos com coligações diferentes nas disputas nacional e regional.

  • Paulo José Cunha

    Qual a diferença entre a propaganda eleitoral e o debate eleitoral? Simples: a propaganda tenta mostrar o candidato como ele (ou os marqueteiros) gostaria(m) que fosse visto. E o debate eleitoral mostra o candidato como ele efetivamente é. Alguém pode argumentar que as técnicas de marketing destinadas à preparação dos candidatos para debates encobrem a verdade e por isso se aproximariam da publicidade porque os faria aparecerem como gostariam de ser vistos, e não como são. Mas o argumento é falho por duas razões. A primeira é que, por mais sofisticadas que sejam as técnicas de preparação para debates – e falo com algum conhecimento de causa, porque venho me dedicando a essa atividade há vários anos – elas não conseguem encobrir a personalidade de ninguém. No máximo, se consegue organizar ou “construir” o discurso do candidato a partir de suas idéias, e preparar as melhores respostas para perguntas que possam atingir seus calcanhares de aquiles, aqueles pontos onde é frágil (inexperiência administrativa, por exemplo). Segundo, porque todo o preparo da voz, do visual e da expressão gestual é incapaz de esconder defeitos graves. E sua correção completa carrega um risco perigosíssimo: o de o candidato ser tão “maquiado” que o eleitor perceba que ele está tentando aparentar o que não é.

    Dois exemplos. Uma vez um especialista em debates e mídia-training cuidou da imagem de um candidato gago. O candidato já era conhecido do eleitorado e a gagueira fazia parte de sua personalidade. Durante o período de preparação para debates e gravações para o horário gratuito o especialista recebeu dezenas de sugestões no sentido de que deveria contratar os serviços de fonoaudiólogos para corrigir a gagueira do cliente. Recusou-se. Como se tratava de gagueira discreta, que não comprometia a imagem e já era um traço incorporado à personalidade, um traço plenamente aceito pelo eleitorado, preferiu se concentrar nas técnicas de argumentação, expressões faciais e gestuais. Funcionou. Ele continuou a ser o que era – gaguejando aqui e ali – mas passou a demonstrar mais firmeza nas opiniões e posições sobre temas polêmicos. A gagueira, antes de ser percebida como traço negativo, passou a servir de mecanismo de identificação, algo como “ele é o que sempre foi, só que agora parece mais firme nas convicções, ganhou mais credibilidade”.

    Segundo exemplo: quando era candidato a presidente da França, a equipe de publicitários que cuidou da imagem de François Miterrand recolheu, em pesquisas, a constatação de que o candidato transmitia a sensação de agressividade ao aparecer falando na televisão. Quando falava no rádio a sensação desaparecia. Logo, era um problema com o visual, e não com o tom da voz ou a entonação. Ao examinar com mais cuidado a expressão visual de Miterrand, descobriu-se que tinha caninos superiores pronunciados, e aí residia a “sensação” de agressividade que transmitia. Até porque Miterrand era um homem tranquilo e nada tinha de agressivo. O que fazer? Vencidas várias etapas de campanha, e depois de ganhar a confiança do candidato, os publicitários finalmente propuseram-lhe que limasse os caninos. Resistiu um pouco mas terminou concordando. Graças a essa mudança no visual, Miterrand pôde transmitir a imagem real de si próprio e não a imagem deformada que levava ao público quando ainda “usava” caninos agressivos.

    No primeiro exemplo, o marketing, em vez de encobrir, manteve um defeito para reforçar a credibilidade do candidato junto ao eleitorado. Se de repente aparecesse em toda a campanha sem gaguejar, era sinal de que estava escondendo alguma coisa. No segundo caso, uma intervenção no visual revelou a imagem real do candidato, até então deformada por um detalhe de natureza física. Ajudou a mostrá-lo como era na realidade, e não como aparentava ser. Os que satanizam o marketing eleitoral precisam saber que suas técnicas buscam apenas realçar os pontos positivos de um candidato. Já quem vende gato por lebre não é marqueteiro político. É um picareta eleitoral. Está cheio deles por aí.

  • Do CONSULTOR JURÍDICO:

    Por Alessandro Cristo, Cesar de Oliveira e Mariana Ghirello

    Ainda que não haja unanimidade entre os profissionais do Direito sobre os rumos da profissão, é praticamente impossível encontrar algum deles que não aposte cada vez mais na conciliação, mediação e arbitragem. Mesmo diante de uma série de mudanças no Judiciário, cujo principal objetivo é dar mais agilidade às ações, muitos operadores do Direito têm caminhado no sentido de evitar que os casos sejam resolvidos somente com a palavra final do juiz numa sentença.

    Essa é a principal reflexão que pode ser feita nesta quarta-feira (11/8), Dia do Advogado, sobre o futuro da profissão. Assim como muitas outras áreas, a atuação destes profissionais tem passado por uma série de transformações nos últimos anos e deverá continuar mudando numa velocidade cada vez mais vertiginosa, da mesma forma que a sociedade, graças, sobretudo, à tecnologia, que tem influenciado todos os segmentos profissionais e pessoais da humanidade.

    Num exercício de previsão e reflexão, a Consultor Jurídico ouviu pessoas ligadas à área para traçar um panorama do futuro da profissão, apesar de ser impossível delinear somente um cenário ou caminho quando se está falando do que está por vir, mesmo que existam muitos indícios apontando para certas tendências.

    Para a consultora jurídica Lara Selem, a principal mudança será no perfil do profissional, que terá de acumular conhecimento para poder se destacar e fazer um bom trabalho. “O bom advogado, além de dominar o Direito, terá de entender a área de atuação do seu cliente. Esse acúmulo de informação é uma tendência, e todos terão de se manter atualizados para conseguir destaque”, comenta.

    O headhunter da Laurence Simons (empresa de recrutamente especializado), Pedro Amaral Dinkhuysen, segue no mesmo sentido. “Meus clientes pedem para eu contratar advogados que não tenham perfil de advogado. Eles precisam ser mais dinâmicos do que o profissional acostumado a atuar apenas no contencioso”, explica. Dinkhuysen afirma que nos últimos tempos o advogado ganhou mais importância, tanto nos escritórios quanto nos departamentos jurídicos. “Ele deixa de ser um gasto e passa a ser um profissional que também tem que apresentar resultado na lucratividade da empresa”, acrescenta.

    O headhunter Fabio Solomon, da Michel Page, também analisa essa mudança de perfil e comportamento do profissional no mercado. “Hoje, o empresário espera do advogado uma atuação de prestador de serviços como outro qualquer. Ele precisa ter um foco no cliente, que não quer um parecer de cinquenta páginas sobre o risco que corre ao lançar um novo produto no mercado, mas sim um e-mail com cinco linhas no máximo”, afirma. Para ele, o advogado agora é um parceiro da empresa.

    No mesmo sentido de Solomon, Lara afirma que, assim como em outras áreas, na advocacia o trabalho em equipe será cada vez mais necessário e valorizado, porque os escritórios terão de delegar funções bem específicas para os profissionais. Segundo a consultora, o fundamental será o compartilhamento de informação entre todos os envolvidos no trabalho, mesmo que não esteja atuando diretamente num determinado caso.

    “Outra coisa que precisa ser dita é em relação à tendência ao consultivo. Essa mudança de foco já está ocorrendo e deve se intensificar daqui para frente, totalmente aliada à postura desse novo advogado que surge no mercado”, comenta. Lara reforça a necessidade de que o profissional desenvolva habilidades que não estejam necessariamente ligadas ao Direito, como melhorar a comunicação. “É uma nova realidade que se desenha no sentido de o advogado atuar em âmbitos pouco explorados até então, saindo um pouco do Judiciário. Por esse motivo, será fundamental que ele se mantenha atualizado e muito bem preparado.”

    Contexto econômico

    O tão propalado mercado está em todos os lugares, áreas e segmentos. Os profissionais são unânimes em afirmar que o advogado está presente em qualquer ramo atualmente, com o diferencial que pode tirar vantagem e se beneficiar de qualquer momento da economia.

    Dinkhuysen cita como exemplo a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que ocorrerão no Brasil. “Com os investimentos para esses eventos, muitos estrangeiros estão apostando no Brasil, mas para isso acontecer são necessários tanto advogados estrangeiros quanto brasileiros. O mercado está aquecido e as empresas nunca precisaram tanto de advogados”, diz. Segundo o especialista, os profissionais da área de infraestrutura terão muito trabalho daqui em diante.

    De acordo com Salomon, o advogado antes tinha uma postura de emperrar novidades na atuação da empresa ao citar os riscos, e agora é necessário para garantir a viabilidade de projetos. Para o headhunter, o advogado do futuro será mais empresário, ou seja, um executivo com conhecimentos jurídicos. E as áreas do futuro são societário, fusões e aquisições, bancário mercado de capitais, imobiliário e infraestrutura.

    Ele diz ainda que tributaristas sempre tiveram e sempre terão espaço de sobra no mercado. “Assim como o advogado passa a gerar lucro para a empresa, o especialista em Direito Tributário se torna uma figura essencial neste cenário. Ele precisa orientar a empresa a pagar corretamente os tributos e de que forma ele podem pesar menos nos custos da empresa.”

    Formação

    Com todas as mudanças que ocorreram, estão em andamento e devem vir, os entrevistados também concordam que o papel das faculdades e universidades é essencial para preparar esse novo profissional, que irá se adequar melhor às necessidades da profissão. Lara Salem afirma que ainda hoje as escolas formam com foco no contencioso. “A afirmação dessa tendência vai demandar que os responsáveis pela formação dos advogados se voltem para isso, porque nesse momento da formação é essencial que o profissional comece a exercitar as habilidades relacionadas à conciliação.”

    Dinkhuysen constata que a quantidade de faculdades de Direito não está necessariamente ligada à qualidade do ensino. Para ele, o advogado que não fale outro idioma além da língua portuguesa, dificilmente terá boas chances no mercado. “Além disso, o exame de OAB apenas tapa o sol com a peneira, porque considero injusto que pessoas gastem tempo e dinheiro cursando uma graduação e depois não possam exercer a profissão, pois não tiveram condições de passar pela prova. O ensino não é adequado para a necessidade futura do país”, diz.

    Salomon destaca que o ensino precisa também concentrar esforços no desenvolvimento de habilidades correlatas ao Direito, como administração e gestão de pessoas, que estão diretamente ligadas ao exercício da profissão e ao dia a dia do advogado. “O aluno não aprende na faculdade a gerir seu escritório, muito menos pessoas. Ninguém menciona o que um advogado de empresa faz, por exemplo”, critica.

    Outra demanda atual que as faculdades precisam correr atrás para suprir é em relação à formação negocial do advogado, o que foge ao perfil litigioso. Na opinião do advogado Pedro Gordilho, o profissional aprende com o tempo a resolver conflitos pelo acordo e não pela via judicial, mas o recém-formado não tem essa característica. “As faculdades precisam incluir nos currículos noções de conciliação”, diz. Segundo ele, nos últimos anos, a atividade consultiva e preventiva vem ganhando espaço no mercado.

    Outro ponto que merece retoques, como afirma o headhunter Pedro Dinkhuysen, é a Lei de Estágio. “Ela dificulta a entrada de estagiários no mercado porque limita em no máximo seis horas o período de trabalho, mas uma ida até o Fórum leva praticamente isso.”

    Morgana Richa, integrante do Conselho Nacional de Justiça, também considera que, na faculdade, o advogado é preparado somente para o litígio. “Durante os cinco anos da faculdade eles são instruídos e formados dentro do processo que vai absorver a lide e a solução coercitiva por parte do Estado. É preciso repensar uma grade, um programa de formação que inclua mecanismos alternativos, como mediação e arbitragem, que são formas que estão no Direito Comparado desde os anos 1980.”

    Ela diz ser preciso que, por meio dessas políticas públicas e pelas atividades incorporadas na agenda dos tribunais, se mude essa mentalidade. “Em paralelo, a comunidade jurídica, junto com as instituições das associações de advogados e das universidades, em especial, têm de promover uma mudança de viés para que se usem as formas alternativas.”

  • No post abaixo, transcrevi nota da Folha.com sobre a entrevista entre o candidato ao Senado no Acre João Correia (PMDB) e o jornalista Demostenes Nascimento, de uma emissora filiada à TV Bandeirantes, em Rio Branco (AC). No vídeo acima, você pode ver como acabou a entrevista, com agressões físicas entre os dois.

  • Matérias nos dois principais jornais da cidade – DIÁRIO DO AMAZONAS e A CRÍTICA – dão conta de a Secretaria do Tesouro Nacional negou a possibilidade ao Governo do Estado do Amazonas da realização de empréstimos para as obras da Copa do Mundo porque os gastos com pessoal do Tribunal de Contas do Estado teriam extrapolado os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal o que teria provocado a inscrição do Amazonas no CAUC , uma espécie de SPC do Governo Federal na relação com Estados e Municípios, e que impede a realização de qualquer operação.

    Numa rápida pesquisa no site da Secretaria do Tesouro Nacional, verifica-se que, em relação aos relatórios da LRF, não há qualquer ressalva, mas nos remete a uma outra informação completamente diferente da que foi dada aos jornais pelo Governo do Estado.

    Vejamos.

    Acessando o site da STN, chega-se à tela abaixo.

    O Estado do Amazonas está efetivamente inscrito no CAUC, e isso acontece desde antes da posse do atual Governador, e continua assim até hoje (quatro meses e não consegiu resolveu o assunto), mas por outras razões, quais sejam falta de prestação de contas e de certidões negativas.

    Pesquisando no site do Tesouro, constatam-se irregularidades em convênio com a SUFRAMA, falta de prestação de contas em convênios com o DENIT e falta de certidões negativas referentes à Fundação Estadual dos Povos Indígenas e Controladoria Geral do Estado, conforme as telas abaixo (clique nas imagens para ampliar):

    Esses fatos falam por si só e bem demonstram que a máquina do Estado não vem sendo administrada com o cuidado e a responsabilidade com que deveria ser.

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