Mais de 600 mil pessoas do interior sofrem com a ausência do ‘Mais Médicos’

Mais de 600 mil pessoas do interior sofrem com a ausência do ‘Mais Médicos’

Após a saída de Cuba do ‘Programa Mais Médicos’, mais de 600 mil pessoas do interior sofrem com a ausência de atendimento na saúde, o que equivale a 31% da população do interior do Amazonas. Até o momento, das 752 vagas ofertadas pelo governo federal à região Norte, apenas 103 foram preenchidas em sete estados.

Sobre o assunto, o deputado Serafim Corrêa (PSB), disse nesta quarta-feira (20),  na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), que o povo do interior precisa de atenção médica com urgência.

“A questão toda é a de que os médicos cubanos ganhavam apenas um pequeno percentual sobre aquele valor, que ia para o estado cubano. Mas a verdade é que eles eram queridos pelas populações interioranas que davam assistência. Isso é uma página virada. Eles já foram embora. Lembrando a expressão de Ulisses Guimarães: “sua excelência, o fato”: o fato  político é que  eles saíram e nós, estado brasileiro, não conseguimos colocar ninguém”, defendeu Serafim.

Atualmente, a população do interior do Amazonas estimada, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 1.935.167 milhão de habitantes e quase um terço dos ribeirinhos permanecem sem atendimento.

Conselho de Secretários de Saúde do AM

O presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (COSEMS-AM) e secretário  da pasta, em Tapauá, Januário Neto, esteve na ALE-AM,  ainda na manhã de hoje, onde expôs a situação crítica em que se encontra a saúde no interior e disse que iria conversar com o governo federal.

“Há a necessidade proeminente de ter uma política de estado para a contratação de médicos. A questão da transferência de pacientes do interior para a capital é um problema há muitos anos. Nos últimos meses, alguns municípios receberam de dois a três voos, depois de muito tempo. Deve haver sensibilidade para entender a nossa dificuldade. Queremos ir ao governo federal cobrar essa reposição, porque ainda estamos esperando por mais médicos”, disse Neto.

Texto: Luana Dávila

Foto: Marcelo Araújo