“Além dos incentivos, é preciso qualificação para manter empregos na Zona Franca”, diz Serafim

“Além dos incentivos, é preciso qualificação para manter empregos na Zona Franca”, diz Serafim

O deputado Serafim Corrêa (PSB) afirmou que os incentivos fiscais não são suficientes para manter os empregos na Zona Franca de Manaus (ZFM). O parlamentar defende que é necessária inovação e qualificação profissional para enfrentar a guerra do conhecimento.

A declaração foi dada durante reunião com o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco – durante esta semana – que apresentou um estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre a efetividade da autarquia.

“Só incentivos não vão bastar. A meu ver, a crise teve o seu peso no desemprego brasileiro, mas a maior razão do desemprego é algo com o que não podemos brigar, e que temos que nos adequar, que é exatamente a qualificação. Vivemos o século do conhecimento. Hoje, não é apenas da força bruta. É o operário do conhecimento”, defendeu o parlamentar.

Para Serafim, as escolas e universidades do país têm um papel imprescindível para formar profissionais preparados, principalmente quanto à tecnologia digital, mas estão falhando, pois não há especialistas suficientes em programação, por exemplo, profissão que tem 15 mil vagas em aberto em São Paulo.

“Precisamos trazer a realidade do mundo para dentro da escola. Isso não é uma crítica a governo a, b ou c. É uma autocrítica. Perdemos a guerra da borracha por falta de tecnologia e inovação. Temo que nós não estejamos preparados para enfrentar essa guerra agora, que é a do conhecimento. As universidades têm um papel muito importante e elas não estão trabalhando nisso. Há muitas vagas, mas que exigem qualificação”, alertou o deputado.

O líder do PSB ainda lembrou que o governo federal digitalizou toda a documentação com as prefeituras do país, mas que, infelizmente, essas prefeituras têm dificuldades de alimentar os dados.

“Um prefeito do interior me procurou pedindo que o ajudasse a encontrar uma pessoa que soubesse manusear os sistemas do governo federal, que pagaria R$10 mil a essa pessoa. E eu perguntei se no interior não havia pessoa qualificada para isso. E ele me respondeu que não tinha. Mesmo tendo curso de gestão pública nas universidades, o manuseio dos sistemas não são repassados aos alunos. Isso é grave e precisa ser mudado”, explicou.

Efetividade da Zona Franca

O economista Wilson Périco, presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), apresentou aos parlamentares um estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre a efetividade da Zona Franca de Manaus (ZFM).

De acordo com Périco, a ZFM é superavitária e retorna aos cofres públicos todo o investimento feito ao modelo, sendo viável econômica e socialmente, além de contribuir com a preservação ambiental.

Serafim Corrêa parabenizou o estudo da FGV e disse que o Brasil precisa entender que os beneficiários da ZFM são os consumidores finais.

“Existem duas questões que o Brasil ainda não conseguiu entender até hoje. Os beneficiários finais da Zona Franca de Manaus (ZFM) não somos nós, são os consumidores. Somos beneficiários na medida em que consumimos produtos da ZFM. Por exemplo: Polo de Concentrados. O concentrado sai dissolvido na água, engarrafado e vendido. O beneficiário é quem consome o produto final. Em Manaus, deve ter 1% dos consumidores. Esse trabalho vem e mostra isso de forma muito clara e muito evidente”, informou.

O deputado lembrou ainda que, apesar terem incentivos fiscais,  as indústrias pagam imposto de renda,  a contribuição social sobre o lucro, PIS (Programa de Integração Social)  e Cofins (Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 “Portanto, você acaba arrecadando muito mais do que deixaria de pagar. E outra questão é se não houvesse os incentivos, nenhuma empresa teria vindo para cá. E por questões óbvias, como compensar os elevados custos que temos na nossa região”, concluiu.

Texto: Luana Dávila

Foto: Marcelo Araújo