“Alguém me explica a Zona Franca?”

Não é novidade que no Brasil acontecem coisas difíceis de explicar.

Assumo minha ignorância em muitos assuntos. Mas sei que em outros temas a intenção é que a gente não entenda nada mesmo.

Dito isso… Alguém me explica a Zona Franca de Manaus? Ela foi criada em 1967 para que, por meio de incentivo fiscal, empresas quisessem ir para a Amazônia e, assim, ajudariam no desenvolvimento da região.

Sim, ela tem 50 anos! Do alto da minha ignorância, acho que 50 anos de incentivo já tá bem legal pras empresas se estabelecerem e desenvolverem qualquer lugar. Mas, no último ano do primeiro mandato de Dilma, a Zona Franca foi estendida até 2073. Mais 50 anos além da data-fim, que era 2023.

Não é no mínimo curioso?

Só pra ficar claro, as empresas que fazem parte da Zona Franca têm os seguintes benefícios: isenção do imposto de importação, isenção do IPI, isenção do IPTU (por 10 anos), desconto no ICMS.

Os números não ajudam a entender tanta bondade. De 2010 até o fim de 2016, a renúncia fiscal mais que dobrou. Foi de pouco mais de R$ 3 bilhões pra pouco mais de R$ 7 bilhões. Mas a arrecadação só aumentou 27%. E a renúncia supera tudo o que o Estado ganha em imposto com outras atividades.

Eu poderia até achar válido se isso gerasse desenvolvimento mesmo. Mas olha que chato, a mão de obra média/mês empregada, no mesmo período, caiu de 103 mil pra 85 mil trabalhadores. Não tem uns números estranhos aí?

Mas dizem que tá tudo certo, que seria pior sem os incentivos, pois ia ter debandada de CNPJ da Amazônia, aprofundando o desemprego e a queda da arrecadação. Pra mim, essa argumentação cheira a uma certa chantagem –artimanha clássica do nosso nobre empresariado: “Olha que, se eu for embora, piora. Para com esse papo de imposto”.

Posso estar sendo injusto com empresários que sustentam suas empresas na Zona Franca com extrema dificuldade e margem de lucro apertada. Talvez eu devesse ser solidário com a batalha de empreendedores como Lírio Parisotto, dono de um conglomerado na Zona Franca, um dos 70 bilionários brasileiros, segundo a “Forbes”. Sim, o Brasil tem bilionários que não precisam pagar imposto.

Exemplos como o de Lírio me fazem entender aonde vai parar o dinheiro que poderia ser usado para o desenvolvimento econômico da Amazônia. Mas isso vai acabar! Logo ali em 2074.

Se não prorrogarem de novo. Aí a zona continua.

Fonte: Folha de São Paulo de 25 de junho de 2017

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Homenagem: Ícone da fotografia amazonense, Corrêa Lima morre aos 85 anos em Manaus

Ele foi o primeiro fotógrafo a trabalhar para o jornal A Crítica, em 1949. O fotojornalista teve um Acidente Vascular Cerebral e lutava há 10 anos contra problemas de saúde.

Corrêa Lima acompanhou a construção da Suframa, do aeroporto Eduardo Gomes, do estádio Vivaldo Lima e outras obras. (Foto: Márcio Silva)

Morreu no último sábado (24), aos 85 anos, o primeiro fotógrafo do Jornal A Crítica, Corrêa Lima. Ele teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e lutava há 10 anos contra problemas de saúde como hipertensão arterial (pressão alta) e diabetes.

Corrêa foi um dos maiores ícones da história na fotografia amazonense. Filho de Marcos e Francisca Corrêa. Nasceu no dia 03 de outubro de 1931. Teve uma infância humilde, mas sua trajetória de sucesso lhe proporcionou grandes contratos como repórter fotográfico em Manaus.

O fotógrafo é nascido em Eirunepé (a 1.150 km de Manaus) e foi morar na Capital ainda menino. Aos 16 anos já havia se apaixonado pela fotografia e dois anos depois conheceu Albertino Santos, o homem que o levou para a redação do jornal A CRÍTICA, onde fez o seu primeiro trabalho de fotógrafo profissional.

Chegou a morar cinco anos no Rio de Janeiro e quando retornou recebeu a missão de acompanhar o passo a passo da evolução da Cidade de Manaus. De todos os seus trabalhos, apenas um não conseguiu realizar: fotografar as malocas dos Waimiris-Atroaris, porque era um local perigoso e de difícil acesso. Sempre ético e dedicado a sua profissão fez centenas de seguidores e admiradores.

“A paixão pela fotografia começou por curiosidade, não fez cursos e nem faculdades específicas, pois na época não ofereciam nada em Manaus, mas trabalhou em vários jornais e ganhou o registro de fotógrafo. Sobre o jornal A CRÍTICA, ele comentava que iniciou seu trabalho quando ainda era na avenida Eduardo Ribeiro, uma sala pequena com apenas uma porta”, declara o seu filho mais velho, o advogado Marcos Delmar.

Experiência

Cenas importantes da evolução de Manaus foram capturadas pelas lentes do fotógrafo Corrêa Lima. Ele acompanhou a construção da Suframa, do aeroporto Eduardo Gomes, das estradas BR 319 e AM 174 e do estádio Vivaldo Lima.

64 anos foi o tempo de atuação de Lima como fotógrafo; começou em A CRÍTICA em 1949, passou pelo Diário da Tarde, O Jornal, A Gazeta, Laboratório Mesbla no Rio de Janeiro, foi fotógrafo oficial dos governos de Danilo Areosa, José Lindoso e João Walter e se aposentou como fotógrafo do extinto Departamento de Estradas e Rodagens do Amazonas (Der-AM);

Preto e branco

Fortemente requisitado nas décadas de 50 a 80, onde as fotografias coloridas estavam sendo introduzidas no Brasil, Corrêa não abandonou em nenhum momento um elemento essencial em sua fotografia, a ausência de cores.

“Meu pai priorizava pelas fotografias no preto e branco, pois falava que tinham mais durabilidade. Ele ressaltava a facilidade que as câmeras fotográficas proporcionam na captação das cenas e as que cores enfraquecem a emoção dos retratos e distraem o olhar nas cenas do cotidiano e das paisagens.

O fotógrafo era viúvo e deixou seis filhos. Era muito preocupado com eles e que além do hobby pela fotografia gostava de cozinhar e fazer caldos de peixes.

Em uma entrevista realizada com o Corrêa pelo jornal A CRÍTICA em 2014, na inauguração da Arena da Amazônia, o fotógrafo reprovou a derrubada do antigo estádio para a construção da arena.

“Isso foi um crime. Com tanta terra aqui em Manaus, acharam em derrubar logo o Vivaldão, que faz parte da história local. Dava para fazer escolas, centros de saúde e ainda preservar o campo para o futebol e ao redor dele para o atletismo. A manutenção disso é barata. A Arena era para ser construída do outro lado, pois agora temos boa acessibilidade pela Ponte Rio Negro”, enfatizou o grande repórter fotográfico que vivenciou por detrás das suas lentes grandes marcos históricos em Manaus.

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Manaus perde Correia Lima

Ontem à noite, dia 24 e dia de São João, recebi a triste notícia transmitida por familiares que o Correia Lima, um dos melhores fotógrafos dos anos 50/80 que conheci na redação de O JORNAL e o DIÁRIO DA TARDE nos anos 60, nos deixou. “Atravessou o espelho” , no dizer sempre alegre e bem humorado do Simão Pessoa.Transmiti os meus sentimentos. Creio que ele tivesse em torno de 90 anos.

Correia Lima atuava nos dois principais jornais à época de Manaus e pertencentes à família Archer Pinto. A redação era de primeiro nível. Phelippe Daou, Milton Cordeiro, nas colunas, editoriais e sueltos (como se dizia), Ulisses Paes de Azevedo, o chefe de redação, e Irisaldo Godot no esporte.

Eu ainda jovem nos anos 60 fazia artigos sobre o esporte local e convivi com essas “feras” do jornalismo local de então. Fernando Folhadela e Correia Lima eram os fotógrafos. Eles cobriam tudo, mas o Folhadela era mais ligado ao esporte e o Correia às imagens de modo geral, principalmente vistas aéreas de Manaus. Não lembro de alguém que tenha fotografado mais Manaus de teco-teco, pilotado pelos comandantes do Aero Clube, o comandante Cunha e o sub-comandante Aristides Queiroz, o Esquilo, hoje prefeito de Silves. O acervo que ele deixa é enorme e seria bom que o Governo do Estado ou a Prefeitura de Manaus resgatasse  milhares de fotos que Correia Lima produziu, até para que os mais novos entendam como Manaus cresceu.

Ao ensejo em que apresento as minhas condolências à família, pela perda, registro que com ela Manaus fica mais pobre de uma geração que com os meios que dispunha fez muito mais do que o máximo. Hoje com os novos recursos tecnológicos dariam um show muito maior. Imaginem o Correia Lima com um drone?

E a maior homenagem que posso fazer ao Correia Lima, que à esta hora está sendo recebido no céu pela Dona Lourdes Archer Pinto, Dr. Phellipe, Dr. Milton, Ulisses e Godot para uma grande festa, onde ele será o fotografo, é publicar uma de suas fotos nos anos 60 tirada de teco-teco.

Descansa em paz, Correia Lima. E pena que vc não vai poder nos mandar as fotos daí do céu com a turma da redação de O JORNAL e O DIÁRIO DA TARDE.

Saudades!

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MANIFESTO DOS MORTOS EM DEFESA DA UERJ

Por Ribamar Bessa:

“Se o mundo vier a desaparecer, mas uma só universidade for poupada, a partir

exclusivamente dela poderemos reconstruir uma grande parte do saber atual”.

(Theodor Berchem, 1990)

Aos 24 dias do mês de junho de 2017, às 7h00, foi aberta no Auditório das Almas Imortais, sob a presidência de Dirce Côrtes Riedel, professora de Literatura Brasileira, a assembleia geral dos docentes que, em vida, ajudaram a construir a Universidade do Estado do Rio de Janeiro e hoje habitam a Morada do Além. Da pauta constou um único ponto: a situação da UERJ, que atravessa a maior crise de sua história com salários e bolsas atrasados, bandejão fechado, laboratórios e equipamentos sucateados, condições de estudo deterioradas, verbas de projetos de pesquisa bloqueadas, serviços de limpeza, manutenção e segurança bastante precários. “A Uerj, definitivamente, não está normal” – declarou a presidente.

Anísio Teixeira, o primeiro orador inscrito, lembrou a aula inaugural ministrada em 1952 na então Universidade do Distrito Federal (UDF), transformada depois em Universidade do Estado da Guanabara (UEG) e finalmente na UERJ, que hoje conta com 42 mil alunos, 2.600 professores e 5.800 servidores técnico-administrativos, num total de mais de 50 mil pessoas, avaliada pelos órgãos credenciados como a 5ª melhor do país e a 11ª da América Latina.

Num aparte, Tereza Barbieri chamou a atenção para o lugar da Uerj no ranking de universidades, que não é fake como o clima de Tubiacanga, mas resultado de aplicação de critérios objetivos e mensuráveis. Acrescentou que hoje a Uerj possui cursos qualificados de graduação e pós-graduação em todos os campos do saber e que a semente plantada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Instituto La Fayette, em 1942, frutificou.

Em seguida, Wilson Choeri registrou a construção do campus universitário inaugurado em 1976, numa área de 150.000 m², no bairro do Maracanã, Zona Norte do Rio, no terreno ocupado pela “Favela do Esqueleto”. Trata-se de um conjunto de 12 andares e 5 edifícios de apoio, pavilhão de vários pavimentos, Concha Acústica, Auditório Central, Capela Ecumênica, e Restaurante Universitário. São 300 salas de aula, 12 bibliotecas, 24 auditórios e 111 laboratórios – disse.

A palavra foi concedida ao ex-diretor da Faculdade de Ciências Médicas, Américo Piquet Carneiro, que ressaltou o papel desempenhado pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto na formação de profissionais da área de saúde e, especialmente, no atendimento à população carente. O hospital realiza cirurgias em mais de 60 especialidades, com procedimentos sofisticados: cirurgias cardíacas, transplantes de rim e de coração.

– A Policlínica que hoje leva meu nome – disse Piquet Carneiro – é o maior posto de assistência médica da América Latina, com suas 23 especialidades médicas, atendendo em média 30 mil pacientes por mês.

– Esse patrimônio histórico, cultural e educacional pertence ao povo do Rio de Janeiro e não pode ser jogado na lata do lixo – aparteou Alexandre Adler, que exibiu carta recebida do mundo dos vivos dando conta da existência do Centro Universitário do Controle do Câncer, inaugurado em 2002. Foi apoiado por Antônio Augusto Quadra, que na ocasião mencionou a existência de inúmeros cursos de pós-graduação na área e de 53 programas de Residência Médica. Informou ainda que a Faculdade de Odontologia realiza 3.000 atendimentos odontológicos por semana, com mais de 25.000 pacientes inscritos.

Outros professores, funcionários e alunos que deixaram o mundo dos vivos deram depoimentos, cada um avaliando a contribuição dada no seu campo de saber, na formação de milhares de profissionais que atuam no Brasil e no exterior, na criação de novos conhecimentos, no ensino ministrado em vários municípios onde a Uerj instalou campi: além do Rio, Duque de Caxias, São Gonçalo, Ilha Grande, Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e Resende.

– Hoje acordei pra luta – anunciou Hélio Barreto, que comunicou haver recebido de Ricardo Zentgraf, da Eduerj, através das nuvens, o livro eletrônico gratuito organizado por Phellipe Marcel, Iuri Pavan e Mauro Siqueira com depoimentos de acadêmicos e funcionários, inclusive de outras universidades, em defesa da Uerj. Barreto se definiu como politicamente conservador, mas ao concluir sua fala, deu um abraço no estudante de medicina Luiz Paulo Cruz Nunes, assassinado em 1968 pela polícia, que invadiu o Hospital Universitário para reprimir os estudantes. “Agora A UERJ NOS UNE” – declarou.

Na sequência, José Flávio Pessoa de Barros deu informe sobre correspondência enviada pelo médico Emílio Mira y Lopez, que coordenou recentemente um ato no hall dos elevadores organizado pelo Programa de Estudos e Pesquisas das Religiões (PROEPER), quando a Uerj foi abençoada e todas as energias para ela convergiram.

Um burburinho percorreu o Auditório das Almas. A professora Teresinha Valladares, conhecida como “La Pasionária”, fez um discurso inflamado, defendeu uma “Uerj sem muros” e exigiu a presença na próxima assembleia, a ser realizada naquele auditório, dos responsáveis pelo sangramento da instituição, nominando Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Luis F. Pezão, Jorge Picciani, Rodrigo Maia, Moreira Franco e Michel Temer.

– Nós exigimos a presença deles aqui, onde serão abrigados no Presídio do Além Bangu. Quanto mais rápido tomem o caminho do Além, sem passagem de volta, melhor. Que fiquem aqui e prestem contas de seus atos – discursou Valladares sobre aplausos gerais. A convocação dos citados foi aprovada por unanimidade para que sejam julgados como réus nos bancos do STJF – Supremo Tribunal do Juízo Final, onde o negócio é pra valer, sem o lero-lero de nenhum Gilmar Mendes.

– Que os sangradores da Uerj venham para cá, mas que a universidade permaneça lá no mundo dos vivos – disse o ex-diretor da Faculdade de Direito, Isaac Benjó, que cobrou uma liminar cautelar para o pagamento do 13º. salário do ano passado, os salários atrasados e as bolsas dos alunos para evitar danos irreparáveis. – “Periculum in mora” –  declarou o jurista, o que foi traduzido como “É ai que mora o perigo”, pelo ex-professor de latim da Universidade do Amazonas, Agenor Ferreira Lima – o Agenorum.

A professora Creusa Capalbo, a última a chegar, lembrou que os signatários do manifesto, quando atuavam no plano da vida material, pertenciam a diferentes campos do saber, tinham interesses acadêmicos e políticos discrepantes e visões discordantes sobre o modelo de universidade a construir e sobre o que era melhor para o Brasil. “O conhecimento é filho do embate de ideias e não da simpatia” – disse. As divergências continuam no mundo fluídico, mas os participantes se uniram para declarar o apoio aos vivos, que lutam para impedir a morte e o sepultamento da Universidade.

O professor Jader Benuzzi Martins, físico e matemático de renome, recém chegado no último 3 de junho, fez questão de citar Theodor Berchem, ex-reitor da Universidade de Wurzburg, na Alemanha, na conferência de abertura do IX Congresso Geral da Associação Internacional de Universidades, realizada na Finlândia, em agosto de 1990, com a presença de centenas de reitores do mundo inteiro, entre os quais Ivo Barbieri.

– Se o Rio de Janeiro acabar, mas a UERJ se salvar – disse Jader – é possível reconstruir o Rio com os profissionais formados por nossa universidade, com o saber existente nos livros da Rede Sirius de bibliotecas e no cérebro de nossos pesquisadores e alunos.

No final, foi aprovado um manifesto, convocando os presentes a apoiarem, do lugar onde estão, a greve geral do dia 30 de junho, sexta-feira, e marcha em defesa da UERJ que será realizada no dia 7 de julho, quarta-feira.

A palavra foi franqueada aos patriarcas da educação presentes, entre os quais Maria Yedda Linhares e Tom Jobim agraciados em 1990 com Medalha da UERJ, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Sobral Pinto, Sérgio Arouca, Betinho, Henfil, Paulo Autran, Mário Lago, Milton Santos, Hélio Pelegrino e gente do mundo das letras, das artes e da cultura popular, com destaque para Noel Rosa, Garrincha e Didi, vestidos com a camisa da Uerj, assim como integrantes da Estação Primeira de Mangueira, Cartola e Carlos Cachaça. Assinaram o livro de presença Machado de Assis, Lima Barreto, Nelson Rodrigues e tantos outros.  Não podia faltar, é claro, o cacique Verá Mirim, da aldeia Sapukai, de Angra dos Reis, que em vida participou de inúmeras atividades na UERJ.

A assembleia foi encerrada ao meio-dia – hora do Além – e o Taquiprati, psicografou a presente ata, cuja versão impressa será publicada em Manaus, no Diário do Amazonas, domingo, 25 de junho de 2017 e vai por mim assinada e pelos participantes presentes.

P.S. Assinaram o manifesto, entre outros: Anísio Teixeira, Dirce Cortes Riedel, Américo Piquet Carneiro, Jayme Landmann, Italo Suassuna, Alexandre Adler, Antônio Augusto Quadra, Thomaz da Rocha Lagoa, Rolando Monteiro, Fernando Bevilacqua Tereza Barbieri, Teresinha Valladares, Roberto Lyra, Simão Isaac Benjó, Edina Mambrini, Charley Fayal de Lyra, Jader Benuzzi, Rolando Monteiro, Wilson Choeri, Hélio Barreto, Roberto Alcântara, Humberto Peixoto, Creusa Capalbo, José Flávio Pessoa de Barros.

Fotografias pirateadas do livro citado: Andrei Holanda, Fernando Rey, Glauco Bressan, Izabelle Vieira, José Alexandre, Leila Gibin, Mídia Ninja, Núcleo de Memória, Informação e Documentação, Silvia Maria, Tatiana Castro.

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Justiça Federal considera prédio da Santa Casa uma ‘tragédia em andamento’

De ACRITICA.COM:

Tribunal Regional Federal deu prazo de 10 dias para Governo executar plano emergencial no prédio

Por Oswaldo Neto Manaus (AM)

A Justiça Federal caracterizou a atual situação da Santa Casa de Misericórdia uma “tragédia em andamento”. Decisão assinada pela juíza titular do Tribunal Regional Federal (TRF), Jaiza Fraxe, determinou a execução imediata de um plano emergencial por parte do Governo para o prédio. No texto, a magistrada cita a morte de uma moradora de rua grávida que teve o corpo encontrado no local.

A juíza atribui ao Estado a responsabilidade em relação à proteção do patrimônio histórico e prevenção de desastres. Fraxe também relembra duas situações onde o prédio ofereceu perigo.

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Ex-funcionário da Santa Casa de Misericórdia trabalha como flanelinha na frente do prédio

“Nota-se que também é fato público e notório que um dos muros da Santa casa de Misericórdia foi alvo de recente desabamento, ferindo um jovem, sendo urgente a execução do plano emergencial, como medida de proteção de desastre, já que há uma tragédia em andamento, e é dever das instituições coletivas resguardarem a vida da população. Tanto os riscos são graves quanto são concretos, sendo que duas vidas já se perderam entre os dias 18 e 19 de junho (a mãe e seu bebê)”, declarou.

Por conta dos riscos, Jaiza Fraxe determinou ao Estado a imediata execução de um plano de ações elaborados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela estipula o prazo máximo de 10 dias úteis.

O Governo do Estado informou que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) recomendará à Secretaria de Estado de Cultura o cumprimento da decisão, mas ressaltou que, no entanto, todos os custos serão cobrados especialmente do IPHAN em ação regressiva.

“O Estado não pode compactuar com a atuação de órgãos federais que, desconsiderando os deveres previstos na legislação, acabam por imputar ao Estado custos financeiros significativos”.

A PGE, por meio do Governo, disse ainda que as decisões da Justiça envolvendo o caso revelam um entendimento pré-concebido, que não leva em consideração as alegações e nem os documentos apresentados pelo Estado e nem os documentos apresentados pelo Ministério Público da União.

“A PGE esclarece também, por final, que a Santa Casa é de propriedade privada, e foi tombada pelo IPHAN e pelo Município de Manaus. Por força da legislação vigente, o dever de restauração e conservação do imóvel tombado é do proprietário e, caso este prove não ter condições para isso, do ente que efetuou o tombamento, portanto, o Município e o IPHAN e, inclusive, quanto ao Município de Manaus há decisão judicial transitada em julgado determinando que este realize a restauração e conservação do imóvel, sob pena de multa diária”.

Crise

A Santa Casa de Misericórdia de Manaus fechou as portas em dezembro de 2004 por conta de problemas financeiros. No auge do seu funcionamento, o hospital atendia mais de 17 mil pessoas por ano, nas especialistas de geriatria, ginecologia/obstetrícia, pediatria, cirurgia, cardiologia, clínica médica, urgência e emergência, neurologia, psicologia, psiquiatria, odontologia, dentre outras.

Comentário meu: Louvável a decisão judicial. É preciso urgência na adoção das medidas que preservem esse patrimônio histórico sob pena de assistirmos o desmoronamento de um dos mais belos prédios, que é bonito por fora, mas muito mais por dentro. Além disso a historia de muitas vidas salvas e de outras que ali nasceram.

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