• 01.09.2014Sem categoriaCOMPARTILHAR Deixe um Comentário

    “Esse contato com os pedestres e os motoristas que passam aqui pelo Eldorado é fundamental. Estamos percebendo a grande receptividade por parte de quem pega nossas propostas para análise, quando os condutores passam buzinando e falando palavras de incentivo, esses gestos nos dão ânimo para seguir em frente nesta nossa árdua, mas gratificante caminhada eleitoral”, disse Marcelo Serafim que está bastante entusiasmado com a campanha. O candidato ao Governo, Marcelo Ramos se mostrou também bem animado no “bandeiraço” da Bola do Eldorado. “Nossa força pode estar invisível para alguns, mas será devastadora nas urnas no dia da eleição”, enfatizou.

  • Por Ribamar Bessa:

    Neca. É isso mesmo: Neca. O nome dela é Maria Alice, mas a mídia prefere chamá-la pelo apelido familiar. Parece que é mais fácil jogar pedra na Neca do que em Maria Alice, ainda mais com Setúbal no sobrenome. Neca é apedrejada pela direita – uma certa direita, e pela esquerda – uma incerta esquerda, nem tanto por seus defeitos, mas com o objetivo de atingir o cocuruto da Marina Silva, cujo plano de governo Neca coordena. Antes disso, Neca, que era simplesmente Alice, não era incomodada por nenhuma força política. De repente, virou a Geny de gregos e baianos.
    Não é Neca, é Marina o pivô de tudo. A direita bombardeia Neca, filha do banqueiro Olavo Setúbal e dona de 3.5% das ações do Banco Itaú, por achar que ela traiu sua classe quando se bandeou para o lado de Marina, de quem é amiga e conselheira. Como é que uma bilionária, que teria cadeira cativa ao lado do Aécio Neves, apoia uma seringueira, ex-empregada doméstica, ex-petista, analfabeta até aos 17 anos? O lugar natural de Neca é no ninho tucano, mas ela preferiu o seringal e com isso já tirou Aécio do segundo turno. A direita não perdoa.
    Uma certa direita
    Essa é a avaliação da direita cavernosa e hidrófoba, entre eles Reinaldo Azevedo (Veja, Folha de SP), autor de O País dos Petralhas, e  Rodrigo Constantino (O Globo, Valor Econômico), ex-analista do banco Fonte Cindam, que cometeu o livro Esquerda Caviar. Os dois odeiam o PT com a mesma intensidade com que esse locutor que vos fala odeia bancos e banqueiros. Preferem o cão chupando manga no inferno ao PT no poder, cujas políticas sociais de solidariedade eles combatem.
    - “Três décadas de filiação ao PT são suficientes para manchar o currículo de qualquer ser humano” – segundo Constantino, para quem “Marina é cúmplice desta quadrilha no poder”. Incomodado com a declaração dela de discordância, mas de respeito ao partido do qual saiu, ele ataca: “Quem tem tanto respeito assim pela corja petista, não merece jamais o meu respeito”. Acrescenta: “Marina abraçou a religião verde, uma postura fanática em relação ao meio ambiente, que representa ameaça ao progresso”.
    Os dois babam de ódio e, sinceramente, não contribuem com uma vírgula para a compreensão do Brasil. Parece até um jogral: “Marina não me engana” – diz Constantino. “Marina consegue ser pior que o PT” – concorda Azevedo, que na sua coluna (FSP, 29/08) aponta que a vitória da candidata não garante sua posse devido às irregularidades na compra do avião de Eduardo Campos: “Ela foi, obviamente, beneficiária, o que poderá resultar até na cassação de um eventual mandato se a lei for cumprida”. Ou seja, se ganhar, não leva.
    Desta forma, ambos os colunistas – não são os únicos – confirmam a “miséria do debate” brasileiro, como apontou muito bem Miriam Leitão, para quem “os epítetos ‘petralhas’ e ‘privataria’ se igualam na estupidez reducionista, são ofensas desqualificadoras, emburrecedoras, mas rendem aos seus inventores a notoriedade que buscam. Ou algo mais sonante”.
    Uma incerta esquerda
    Já incertos escribas de esquerda acham que quem traiu foi Marina. Foi ela quem aderiu à Neca e não o contrário. Como é que alguém que nasceu no seringal Bagaço, que cortou seringa, fez roça, remou, carregou água, pescou e caçou para sobreviver, militou na pastoral da terra, esteve ao lado de Chico Mendes na fundação do PT no Acre e foi ministra do Lula, comete o sacrilégio de abraçar uma banqueira podre de rica, que nasceu em berço esplêndido ao som do mar e à luz do céu profundo? Marina é Silva, não é Setúbal. Seu lugar natural era ao lado dos Silva. Passou para o lado de lá.
    O jornalista Paulo Moreira Leite, autor de “A Outra História do Mensalão”, inventou a outra história de quem vai governar: “Chega de intermediárias: Neca para presidente”. Com ele concorda o respeitável sociólogo marxista Emir Sader, doutor em ciência política, autor de A Nova Toupeira: os Caminhos da Esquerda Latino-Americana, que escreveu artigo intitulado “Marina é a tábua de salvação da direita”.
    Convencido de que Marina representa a nova direita no Brasil e encarna “a promiscuidade com o empresariado”, Emir Sader acena com o fantasma da Neca, sugerindo que “Marina está disponível para ser tutelada pelo capital especulativo”:
    - “Neca Setúbal coordena seu programa de governo. Isso mesmo! Não só membro da família Setúbal, como membro das instâncias diretivas do banco, se encarrega do programa de Marina” – escreve ele, para quem “uma vez mais a direita teve que buscar no campo originalmente oposto, seu candidato”. Em defesa dessa tese, Emir profere sentença fulminante, falando ex-cathedra, apoiando-se no 18 Brumário de Luís Bonaparte, onde Marx desenha a imagem de um dirigente político que é o oposto do que representa:
    - “Ninguém que se creia minimamente progressista, de esquerda ou simplesmente democrático pode apoiar a nova alternativa da direita. Ao contrário, tem que denunciá-la e se mobilizar ativamente – como se fez contra o Serra no final da campanha de 2010″.
    Rabo da cutia
    Vocês ouviram bem? Quem é de esquerda NÃO PODE votar em Marina, a “nova direita”. Deve denunciá-la. Emir Sader dixit. Emir é “a esquerda” e quem pensa diferente dele é “de direita”. Confesso que tremi nas bases. Eu, pobre coitado, que vesti a camisa de Dilma contra Serra em 2010, que fui exilado e algumas vezes preso, me sinto constrangido por fazer parte agora da “nova direita”. Não votaria em Eduardo, mas em Marina sim.
    Afinal, qual a diferença entre Neca Setubal e Kátia Abreu? Por que o apoio de Neca transforma Marina na “nova direita”, mas Dilma permanece no campo da esquerda, apesar da aliança com Kátia Abreu, com o agronegócio e com toda a velha direita: Michel Temer, Collor, Sarney, Renán Calheiros, Jader Barbalho, Maluf? A explicação, eu encontro na célebre frase de Marx no 18 Brumário,  reproduzindo um diálogo com sua tia Grundrisse:
     - “Macaco não vê o próprio rabo, titia, só vê o da cutia”.
    Critica-se programas, alianças e pessoas que se propõem a executá-los. O risco, que é real, de Neca impor os interesses dos bancos num eventual governo de Marina, é o mesmo que o governo Dilma correu com Kátia Abreu e o agronegócio, que impediram a demarcação das terras indígenas, contrariando a Constituição. Aliás, de todos os candidatos, Marina é a única que tem uma história consistente em defesa da demarcação das terras indígenas, de suas línguas e de suas culturas. Esse é o diferencial.
    O que esvazia a credibilidade dos discursos é a falta de argumentos sólidos. Nem a cutia do 18 de Brumário elucida esse mistério: uma incerta esquerda jura que Marina é a nova direita e uma certa direita garante que Marina é pior do que o PT.
    Trata-se de um desrespeito à biografia de Marina e uma ofensa à inteligência de seus eleitores dizer que ela é um “Collor repaginado”.  Afinal, não foi com ela com quem Collor se aliou. Essa xaropada de que Marina é de direita pode até – quem sabe? – convencer empresários a financiar a campanha dela, mas não lhe tira nenhum eleitor. Insistir nisso não me parece inteligente.
    Nenhum eleitor encontrará um candidato que atenda integralmente suas expectativas. De qualquer forma, será um privilégio o Brasil poder decidir entre candidatas como Dilma e Marina, duas ex-ministras de Lula, igualmente dignas, corretas e limpas, submetidas às alianças e mediações do poder. Embate entre Kátia Abreu e Alice Setúbal? Necas de pitibiribas.

     


  • Inclui nas propostas que defendo como candidato a deputado estadual a redução à zero do ICMS dos produtos da cesta básica e dos medicamentos.
    Hoje, o Secretário de Fazenda, Afonso Lobo, em artigo publicado no DIÁRIO DO AMAZONAS, intitulado “CESTA BÁSICA DESMISTIFICADA” revela um fato grave: as empresas atacadistas e varejistas dos produtos da cesta básica apropriaram-se de R$ 120.000.000,00 em um ano de ICMS que deveria ter sido repassado para os consumidores.
    Essa afirmativa, partindo de quem partiu, e não tenho nenhum motivo para duvidar de que não seja verdade, é muito grave.
    Em resumo: as empresas, com destaque para MAKRO, CARREFOUR e DB, as maiores, tiveram a alíquota reduzida de 17% para 1% e ao invés de reduzir o preço em igual percentual, alargaram suas margens de lucro, desvirtuando o objetivo da redução da alíquota de 17% para 1%.
    A prova apresentada pelo Secretário é que mesmo com o retorno da alíquota para 17% os preços não foram aumentados. Faz sentido a sua afirmativa.
    Fiel ao princípio do contraditório que vem do Direito Romano, espero que as entidades de classe do comércio e as próprias empresas acusadas formalmente pelo Secretário venham a público nos próximos dias dar a sua versão, sob pena de passar a ser verdade absoluta o que afirmou o Secretário.
    De qualquer forma, tenho uma proposta que resolveria a questão e garantiria à população direito ao repasse dessa redução, qual seja:
    1 – A redução seria condicional e mediante pedido da empresa;
    2 – Para gozar da redução ela teria que se comprometer a ter como teto a margem de lucro que tem hoje, sem a redução;
    3 – A SEFAZ controlaria isso através das Notas Fiscais Eletrônicas, tanto na entrada, quanto na saída e divulgaria todos os meses amplamente os valores pelos quais cada empresa comprou as mercadorias e o preço que estava vendendo;
    4 – Se a empresa estourasse a margem, seria obrigada a recolher a diferença do ICMS.
    É sugestão que faço. Vamos aguardar os próximos dias.

  • Faremos um banner humano na Praça São Sebastião, parecido com o que fizemos na campanha de 2010.

    Falaremos dos candidatos apoiados por Marina no Amazonas:

    - Marcelo Ramos, Governador, 40 e Marcelo Serafim, Senador, 400 -

    e faremos uma caminhada pela Eduardo Ribeiro.

    Chame sua família, amigos e vizinhos para mostrar ao mundo que queremos um país mais justo, igual e sustentável.

    Marque sua presença e chame pessoas através do link: https://www.facebook.com/events/765637573493255

  • Reunimos hoje pela manhã para definir reta final da campanha de:

     - Marina, Presidente, 40;

    - Marcelo Ramos, Governador, 40;

    - Marcelo Serafim, Senador, 400.

    Vamos juntos e em frente.

  • Em quase 30 anos de vida pública, Marina Silva ganhou reconhecimento dentro e fora do país pela defesa da ética, da valorização dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável. Uma reputação construída em mandatos de vereadora, deputada estadual e senadora – eleita sempre com votações recordes – e no período em que esteve à frente do Ministério do Meio Ambiente, entre janeiro de 2003 e maio de 2008.Nos cinco anos e quatro meses no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ser vista também como gestora competente.

    Na pasta, uma de suas conquistas foi o Plano de Ação para Prevenção e o Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, que contou com o esforço integrado de 14 ministérios. Graças ao projeto, o ritmo de desmatamento da Amazônia caiu 57% em apenas três anos, passando de 27 mil km² para 11 mil km² ao ano. Mais de 1.500 empresas ilegais foram desmanteladas, com a prisão de 700 pessoas. A apreensão de madeira somou um milhão de metros cúbicos. Iniciativas como essa aumentaram sua projeção internacional. No final de 2007, o jornal britânico “The Guardian” incluiu a então ministra entre as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta.

    Primeiros anos

    Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima nasceu em 8 de fevereiro de 1958 em uma pequena comunidade chamada colocação Breu Velho, no Seringal Bagaço, no Acre. Seus pais, nordestinos, tiveram 11 filhos, dos quais três morreram. A mãe morreu quando tinha apenas 15 anos.A vida no seringal era difícil. “Eu acordava sempre às 4h da manhã, cortava uns gravetos, acendia o fogo, fazia o café e uma salada de banana perriá com ovo. Esse era o nosso café da manhã”, conta. Depois, junto com as seis irmãs e o único irmão, fazia o corte nas seringueiras e colocava as tigelinhas. No final da tarde, retirava a recompensa, o látex.

    Na adolescência, Marina sonhava em ser freira. “Minha avó dizia: ‘Minha filha, freira não pode ser analfabeta’”, lembra. O desejo de aprender a ler passou então a acompanhá-la. Aos 16 anos, contraiu hepatite, a primeira das três que foi acometida _seu histórico de saúde ainda inclui cinco malárias e uma leishmaniose. Foi então a Rio Branco em busca de tratamento médico. Com a permissão do pai, aproveitou a oportunidade para também se dedicar à vida religiosa e, ao mesmo tempo, estudar. Na capital acriana, para se sustentar, passou a trabalhar como empregada doméstica. O progresso nos estudos foi rápido. Entre o período de Mobral, no qual aprendeu a ler e a escrever, até a graduação em licenciatura em História (Universidade Federal do Acre) transcorreram apenas dez anos. Sua formação foi complementada posteriormente com as pós-graduações em Teoria Psicanalítica (Universidade de Brasília) e em Psicopedagogia (Universidade Católica de Brasília). A vocação social se revelou quando deixava a adolescência e ainda vivia no convento das Servas de Maria Reparadoras.

    O então bispo de Rio Branco, dom Moacyr Grecchi, alinhado à Teologia da Libertação, às vezes ia rezar missa no convento onde vivia Marina, que gostava de suas mensagens. A candidata à noviça passou a participar das atividades das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Um dia, incentivada por um cartaz afixado na igreja, decidiu fazer um curso de liderança sindical rural, ministrado pelo teólogo Clodovis Boff e pelo líder seringueiro Chico Mendes. Sua dedicação ao curso a aproximou de Chico Mendes, que passou a lhe enviar publicações de sindicatos de trabalhadores rurais.

    Parlamento

    A vida de Marina havia mudado de rumo. Abandonou o sonho de se tornar freira para se dedicar integralmente à luta social. Cada vez mais próxima de Chico Mendes, participou dos chamados “empates”, tática de resistência contra o desmatamento do qual participavam os seringueiros, suas mulheres, seus filhos, todos os que viviam nos seringais. De mãos dadas, eles faziam uma corrente que impedia a destruição da floresta. Em 1984, Marina Silva ajudou a fundar a CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre. O líder seringueiro foi o primeiro coordenador da entidade e Marina, a vice-coordenadora. A convivência entre os dois duraria mais quatro anos, até Chico Mendes ser assassinado. Filiada ao PT, Marina disputou seu primeiro cargo público em 1986,  ao concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Ficou entre os cinco mais votados, mas o partido não atingiu o quociente eleitoral mínimo exigido.

    Os sucessos eleitorais de Marina começaram dois anos depois, ao se eleger vereadora, a mais votada de Rio Branco. Uma de suas primeiras manifestações foi devolver o dinheiro de gratificações, auxílio-moradia e outras mordomias que os demais vereadores recebiam sem questionamentos. Com atos como esse, atraiu a ira dos adversários políticos ao mesmo tempo em que obtinha um reconhecimento popular que se manifestou na eleição seguinte, em 1990, quando se tornou deputada estadual, novamente com votação recorde. Em 1994, aos 36 anos, chegou a Brasília como a senadora mais jovem da história da República. Foi reeleita em 2002, com votação quase três vezes superior à anterior.

    No Senado, foi a primeira voz a defender a importância de o governo assumir metas para redução das emissões de gases do efeito estufa. Em 2009, o Planalto anunciou, finalmente, a adoção dessas metas. Também cobrou do Executivo federal e do Congresso a inclusão da meta brasileira, com os percentuais para a redução das emissões de gases do efeito estufa até 2020, no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que seria aprovado e sancionado pelo presidente antes da realização da Conferência de Clima (COP15), em dezembro de 2009, em Copenhague.

    Ministério

    No Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva trabalhou por políticas estruturantes baseadas em quatro diretrizes básicas: 1) maior participação e controle social; 2) fortalecimento do sistema nacional de meio ambiente; 3) transversalidade nas ações de governo; 4) promoção do desenvolvimento sustentável. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina buscou transformar a questão ambiental em uma política de governo, que quebrasse o tradicional isolamento da área.

    Foi assim que o governo passou a exigir, nos projetos hidrelétricos a serem leiloados, a obtenção da licença prévia para que a viabilidade ambiental dos empreendimentos fosse avaliada antes da concessão para a exploração privada. Também baseado nessa diretriz, o ministério, por intermédio do Ibama, passou a ser ouvido prioritariamente antes da licitação dos blocos de petróleo. Em 13 de maio de 2008, pediu demissão do ministério. Em carta ao presidente Lula, afirmou que deixava o cargo por conta das dificuldades que enfrentava dentro do governo. “Esta difícil decisão, Sr. Presidente, decorre das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda ambiental federal”, afirmava Marina, que voltou para o Senado.

    Candidatura à Presidência

    Em 19 de agosto de 2009, deixou o PT. Em comunicado ao partido, manifestou seu desacordo com uma “concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida”. Onze dias depois, anunciou sua filiação ao Partido Verde (PV). Em 2010, Marina Silva disputou a Presidência da República pelo PV, chapa que contava com o empresário Guilherme Leal como candidato a vice. O objetivo de sua candidatura era promover um acordo social no Brasil que integrasse avanços dos governos passados e apontasse para uma economia de baixo carbono (leia o discurso de Marina na convenção do PV que oficializou sua candidatura).

    A candidata se comprometia a manter as conquistas dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, entre elas a estabilização econômica e a redução da pobreza, e prometia governar junto com os “núcleos vivos” da sociedade em defesa do desenvolvimento sustentável. Entre suas propostas estavam os programas sociais de terceira geração. Segundo essa diretriz, uma rede de agentes de desenvolvimento familiar teria a responsabilidade de levar programas sociais às famílias mais pobres e dar apoio a suas escolhas, o que facilitaria a inclusão produtiva desses brasileiros na sociedade.

    Marina sabia das dificuldades de sua candidatura. Entre elas o fato de contar com apenas 1 minuto e 23 segundos na propaganda eleitoral gratuita na televisão, muito menos do que seus principais adversários. Para superar essa limitação, decidiu privilegiar a internet e as redes sociais, uma estratégia inédita no Brasil. A decisão foi fundamental para a divulgação de suas propostas e a conquista de 19,6 milhões de votos, quase 20% dos votos válidos. Foi o melhor desempenho de um terceiro colocado desde a redemocratização do país.

    Rede Sustentabilidade

    Nos meses seguintes, Marina e outras lideranças dentro PV enfrentavam dificuldades para ampliar o espaço de discussão dentro do partido. A direção da legenda resistia a democratizar suas práticas e a renovar seus dirigentes por meio de eleições, compromisso que havia assumido em 2009.

    Em 7 de julho de 2011, a ex-senadora anunciou sua saída do PV. “Queremos resgatar as motivações originais deste projeto, agora participando da construção de uma nova política efetivamente democrática, ética, ecológica, participativa, inovadora e conectada com os desafios e oportunidades que o século 21 nos impõe”, afirmava, junto com outras 15 lideranças, na carta de desfiliação enviada à direção do partido.

    Era então lançado o Movimento por uma Nova Política, um espaço colaborativo, suprapartidário, que discutiria caminhos para a superação das carências de representatividade do sistema político brasileiro e a construção de um modelo no qual economia e preservação dos recursos naturais integrassem a mesma equação.  O resultado desses debates foi o surgimento da Rede Sustentabilidade, lançada em 16 de fevereiro de 2013, durante evento que reuniu 1.700 pessoas em Brasília.  Nos meses seguintes, cerca de 10 mil pessoas saíram às ruas em todo o país para coletar as 492 mil assinaturas exigidas por lei para a oficialização do novo partido.

    Essa meta foi largamente superada, com a obtenção de 910 mil apoios em todos os Estados. Depois de uma rigorosa checagem interna, 660 mil assinaturas foram encaminhadas aos cartórios. Mas uma série de problemas impediu a formalização da Rede. Um deles foi a recusa de 95 mil fichas sem qualquer justificativa, o que contraria a legislação.

    Além disso, causou estranheza o comportamento de alguns cartórios, principalmente na região do ABCD paulista. Em São Bernardo do Campo, uma zona eleitoral chegou a invalidar 78% das fichas de apoio, bem acima da média nacional de rejeição, que foi de 24%.Apesar da confiança de todos da Rede de que a Justiça iria prevalecer sobre as dificuldades burocráticas e institucionais, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na noite de 3 de outubro não aprovar a criação do novo partido, considerando que apenas 442 mil assinaturas teriam a comprovação confirmada.

    Unidos pelo Brasil

    Na mesma noite de 3 de outubro, Marina se reuniu com alguns fundadores da Rede e colaboradores mais próximos. Colocou em discussão alternativas para que a contribuição da Rede ao aprofundamento da democracia no Brasil não fosse adiada. Ao final daquela madrugada, Marina apresentou uma proposta que surpreendeu seus interlocutores. Perguntou o que achavam da possibilidade de uma coligação programática com o PSB, feita em torno das bandeiras principais dos dois partidos. Depois do estranhamento inicial da maioria dos presentes, a ideia ganhou apoio e foi levada, no dia seguinte, para as lideranças da Rede Sustentabilidade e do PSB.

    Depois de muitas reuniões, Marina e o governador Eduardo Campos, presidente do PSB, anunciaram ao país uma aliança “para aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável”, segundo a nota divulgada durante o evento realizado sábado (5) em Brasília.

    Integrantes da Rede fariam uma filiação democrática e provisória ao PSB, que reconheceria a integridade e identidade da Rede. Ao mesmo tempo, a Rede continuaria a buscar as assinaturas exigidas pela Justiça Eleitoral e a conseguir o registro definitivo, pois, apesar de ser “um partido de fato, não é de direito”, nas palavras de Marina Silva.

    Nos meses seguintes, foram realizados encontros regionais para discutir as diretrizes do futuro programa de governo da aliança. Ao mesmo tempo, oficinas aprofundaram o debate sobre temas específicos, como política energética e política econômica. Em 28 de junho, convenções do PSB e dos outros partidos da Coligação Unidos pelo Brasil oficializaram a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República e de Marina Silva como candidata a vice.

    Em 3 de julho de 2014, os dois registram suas candidaturas ao TSE e entregam uma cópia das diretrizes do futuro programa de governo. O documento aponta para três objetivos principais. O primeiro é manter as conquistas das últimas décadas e fazê-las avançar. O segundo é a criação de mecanismos para aprofundar a democracia brasileira. E o último é construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável.

    O Brasil chora a morte de Eduardo

    Eduardo e Marina se dedicam nas semanas seguintes a apresentar aos brasileiros as propostas da coligação para a criação de um Brasil mais justo, próspero e sustentável. Até que, em 13 de agosto, ocorre a tragédia que comove o Brasil. O Cessna que conduzia Eduardo Campos para um evento da campanha cai na cidade de Santos (SP). Morrem o candidato a presidente da República e seus assessores Pedro Valadares, Carlos Percol, Alexandre Severo Gomes da Silva e Marcelo Lyra, além dos pilotos Geraldo da Cunha e Marcos Martins. Os brasileiros choram e repetem a frase de Eduardo: “Não vamos desistir do Brasil”.

    Em 20 de agosto, a Executiva Nacional do PSB confirma Marina Silva como candidata à Presidência da República pela Coligação Unidos pelo Brasil. O candidato a vice-presidente é o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS). “Vamos levar adiante nossa missão. Devemos isso a Eduardo e ao povo brasileiro”, afirma a ex-senadora durante discurso para as lideranças do PSB.

    Reconhecimento internacional

    A lista de prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais mostra a expressão global conquistada pela ex-senadora. Além de ser incluída na lista do jornal “The Guardian”, conquistou o “2007 Champions of the Earth”, o principal prêmio da ONU na área ambiental. Em outubro de 2008, recebeu das mãos do príncipe Philip da Inglaterra, no palácio de Saint James, em Londres, a medalha Duque de Edimburgo, em reconhecimento à sua trajetória e luta em defesa da Amazônia brasileira – o prêmio mais importante concedido pela Rede WWF. Em 2009, recebeu o prêmio Sophie da Sophie Foundation, concedido a pessoas e organizações que se destacam nas áreas ambientais e do desenvolvimento sustentável, em Oslo, Noruega.

    Desde março de 2011, a ex-senadora é a única representante da América Latina no Millennium Development Goals (MDG) Advocacy Group, organismo voltado para trabalhar com o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon na articulação de uma vontade política e mobilização global para que os Objetivos do Milênio sejam realizados até 2015, em benefício dos pobres e vulneráveis.Também em 2009, recebeu da Fundação Príncipe Albert 2º de Mônaco o Prêmio sobre Mudança Climática (Climate Change Award), em reconhecimento à sua contribuição para projetos na área do meio ambiente, ações e iniciativas conduzidas sob a ótica do desenvolvimento sustentável.

    Em 27 de julho de 2012, Marina carregou a bandeira olímpica na abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, junto com Ban Ki-moon, o maestro argentino Daniel Barenboim e ganhadores do prêmio Nobel. A escolha de seu nome, segundo o Comitê Olímpico Internacional, ocorreu em razão de sua importância na defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável.

    Uma das melhores fontes para se conhecer a vida de Marina Silva é o livro “Marina – A Vida por uma Causa” (Ed. Mundo Cristão), biografia da ex-senadora lançada em 2010 pela jornalista Marília de Camargo César, com prefácio do cineasta Fernando Meirelles.

  • Um governo estadual que não prioriza os servidores que passaram em concursos públicos, mas  cria inúmeros  cargos comissionados, foi o tema do discurso do deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), nesta quinta-feira, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

    Ramos lembrou que o Governo do Estado não convocou os concursados do Corpo de Bombeiros, contemplados para atuar na área de saúde, no concurso que aconteceu há quatro anos, e disse que o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) já determinou a contratação desses profissionais, cabendo ao governo cumprir a decisão judicial. “O Governo realizou há quatro anos o concurso, e demorou três para convocar os bombeiros combatentes, mas até hoje não convidou os profissionais de saúde. Vencido o prazo constitucional do concurso, alguns profissionais entraram com Mandado de Segurança na Justiça, que deferiu a nomeação  dos servidores”, explicou.

    Segundo o parlamentar, ao ser informado da sentença, o Governo do Estado respondeu ao Poder Judiciário que não poderia nomear tais concursados porque os cargos não haviam sido criados. “O TJAM não está mais discutindo com o governo, e sim deu uma ordem com base na decisão judicial. Se os cargos não estão criados, que o governo encaminhe em regime de urgência, e envie à Aleam, um Projeto de Lei criando os respectivos cargos”, complementou.

    De acordo com o parlamentar, a mesma regra serve para os concursados da Polícia Militar, que estão no cadastro reserva, que até hoje não foram chamados para a devida nomeação.“O governo é muito ágil para criar cargos comissionados. Ontem mesmo passou pela minha mão um projeto de lei criando mais. Então, quero fazer um apelo ao governo do Estado para que le tenha cuidado com a coisa pública e chame quem passou nos concursos”, concluiu.

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