• 30.03.2015Sem categoriaCOMPARTILHAR Deixe um Comentário

    O deputado Serafim Corrêa (PSB) mostrou-se preocupado com o aumento das invasões na área do Distrito Industrial 2, que pertence à Superintendência  da Zona Franca de Manaus (Suframa), devido à falta de segurança no local, e pediu, na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na manhã desta segunda-feira, 30 de março de 2015, que o Ministério Público Federal (MPF) tome as devidas providências.

    “É lamentável que a “indústria da invasão” tenha ressurgido, inclusive em terras públicas. Hoje, o Distrito Industrial 2, vive essa “penúria”,  porque a segurança no local foi retirada  e o resultado disso é que toda a área está sendo apropriada ilegalmente. Nessa invasão, os pobres entram só como massa de manobra. Os líderes deles, que têm dinheiro, fazem essa ocupação para que, no momento seguinte, possam negociar a área. Um lote, perto do Balneário do Quixito, está sendo vendido por R$4mil”, disse.

    Serafim ainda lamentou o silêncio de todos os órgãos federais que deveriam proteger o patrimônio  da Suframa. “Eu não vejo ninguém agir. Eles precisam mostrar a cara e defender o meio ambiente e o patrimônio público federal.”

    Serafim também comentou o impasse envolvendo a Secretaria de Grandes Eventos, que tem como titular o Coronel Dan Câmara. De acordo com o deputado, ele propôs que os clubes de futebol da cidade, quando da disputa nos estádios Carlos Zamith e Ismael Benigno, contratem segurança privada para os jogos, que classificou de “grandes eventos”.

    “Isso não está correto e precisa ser revisto. A contratação desse serviço vai ficar mais cara do que a arrecadação com o público pagante.  Eu trouxe esse fato ao conhecimento dos demais deputados  porque entendo que, se nada for feito, a tendência é que os clubes acabem de vez.  Eles já vivem num estado de penúria e se essa exigência for efetivamente cumprida,  nós teremos o fim dos campeonato amazonense de futebol. Como solução proponho o bom senso e que dentro disso possamos encontrar outros caminhos”, finalizou.

  • Por Alfredo Lopes:

    A Agência de Fomento do Amazonas, AFEAM, começa a construir um novo patamar institucional nas atribuições de uma agência de promoção e fomento do desenvolvimento estadual. O desafio é reduzir as desigualdades gritantes e crescentes entre a capital, a sexta economia do país, e o interior, com dez municípios entre os piores índices de Desenvolvimento Humano do Brasil. Desde que deixou de ser BEA, Banco do Estado do Amazonas, a Agência, há 15 anos, tem extraído leite de pedra, trabalhado com as verbas originais de sua criação, verbas de parceria ocasional com outras instituições financeiras e o fundo da indústria, para as cadeias produtivas do beiradão. Em 2015, a parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, ora em detalhamento, irá permitir a ampliação do fomento e da articulação estadual com os parceiros – desconectados historicamente – que atuam nos bio e agronegócios não-predatórios do interior excluído. O Amazonas precisa decuplicar o fomento de verdade, aquele que troca o assistencialismo humilhante pelo empreendedorismo cidadão, promissor e promotor de uma economia estratégica, socialmente emergencial e vocacionada para a prosperidade. A hora é da AFEAM.

    A urgência do fomento se agrava em função do desencanto geral com os acenos e promessas do BASA, Banco da Amazônia, uma instituição que não descobriu até hoje a diferença entre banco e agência de fomento. Banco é para dar lucro, fomento é para apostar em empreendedorismo e prosperidade. O BASA  tem presença pífia e postura bancária na maioria dos estados da Amazônia, os que mais precisam, e ignora as cobranças históricas que questionam suas prioridades em projetos no Estado do Pará. Ali, os negócios, incluindo fomento predatórios, são robustos e fluidos. Aqui no Amazonas, tímidos e travados. Pergunte a qualquer empreendedor deste Estado que bateu às portas do BASA. É invariável a queixa do formalismo exacerbado e exigências descabidas de salvaguardas. É viva, porém, a lembrança de financiamento obscuros, de ônibus velhos em Manaus, financiados com se valores de novo. E das suntuosas fazendas (fantasmas) em Eirunepé, ambos repasses com garantias “líquidas e certas”. É claro, dirão os atuais gestores, nomeados pelo critério do grupo político no poder, são águas passadas. A cada início de ano, eles anunciam milhões, bilhão, para alavancar bionegócios no Amazonas. No balanço de fim de ano, a conversa se revelou outra. Na Capitania do Grao-Pará, o banco é mais generoso e flexível, incluindo repasses para projetos de categoria predatória, com juros subsidiados, os mais baratos do país.

    Desde a Batalha da Borracha e suas origens atrapalhadas nos acordos obscuros de Washington em relação à Amazônia, nos anos 40, de onde surgiu o BASA,  mantiveram-se  obscuros os critérios de estrutura e funcionamento daquela instituição. São apenas 8 agências que o BASA disponibiliza no beiradão do Amazonas. Como gerenciar o Pronaf, o financiamento da agricultura familiar, nos  62 municípios do beiradão? No Pará são quase 50 agências. A disparidade e a anomalia “amazônica” desta instituição de fomento foi proclamada pela  Comissão da Amazônia do Congresso Nacional, que considera o BASA como uma das ausências crônicas da ação federal nos municípios amazônicos, precisamente no Amazonas. Uma defasagem inaceitável para um banco regional, sobretudo considerando que o Amazonas recolhe aos cofres federais 50% dos impostos de toda a região amazônica.

    Daí o papel da AFEAM, seu fortalecimento institucional, sua liderança histórica e estruturação operacional para levar o alento das oportunidades que o fomento significa. A indústria destina R$ 800 milhões/ano para interiorizar e diversificar a economia do interior. Com apenas 10% desse valor, que as empresas repassam para as cadeias produtivas, a AFEAM, com a inclusão do Banco do Povo, tem empurrado os micro-empreendedores, as cooperativas de guaraná, borracha, açaí, feijão de praia…. para as conjugação do verbo empreender e prosperar na primeira do plural.

    Alfredo MR Lopes
           092 991123281

  • A Folha de São Paulo de ontem a noite na versão online e deste domingo na versão impressa se superou. O Ministro Joaquim Levy, numa conversa informal em ambiente fechado com ex-alunos da Escola de Negócios da Universidade de Chicago onde ele estudou fez um comentário, em inglês, cuja tradução, segundo a própria Folha é:

    “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil… Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno.”

    Na manchete online essa fala do Ministro foi traduzida para:

    E hoje a tradução já é esta:

     

    Convenhamos que entre o que ele disse e o que a Folha online e depois a Folha impressa disseram que ele teria dito vai uma enorme distancia.

    O que quer a Folha? Derrubar o Ministro e aprofundar a crise? É o que parece. E a quem interessaria isso? Unicamente aos especuladores.

    O que se espera nesse momento é que tanto o Ministro, quanto a Presidente tenham a maturidade suficiente para não entrar nesse jogo.

    Lamentável que a FOLHA que já prestou bons serviços à democracia brasileira (remember Diretas Já e a transição) neste momento delicado da nossa economia faça o jogo dos especuladores.

    Que a Dilma mentiu na campanha, todos sabem. Que ela não tinha como enfrentar minimamente a crise senão buscasse alguém do nível do Joaquim Levy, também. Derrubá-lo agora seria gerar enorme instabilidade de consequências imprevisíveis. Seria o mesmo que jogar o comandante ao mar em plena tempestade.

  • A esquerda não conseguiu nem explicar à juventude de hoje o que foi a ditadura. Só uma autocrítica profunda pode promover a busca por respostas eficientes à crise

    Robson Fernandjes / Fotos Públicas
    O ódio ao PT foi o aglutinador do ato ocorrido em 15 de março em São Paulo

    O ‘15 de março’ sugere advertências e enseja lições que certamente já foram consideradas pelo governo federal, e, espero, não passarão em branco pelos que ainda pensam e formulam (certamente fora dos partidos) nas esquerdas brasileiras, assim no plural –plural que esconde suas limitações orgânicas e ao mesmo tempo explicita sua desarticulação, tanto no plano teórico quanto no plano prático. Se não estuda a realidade, a esquerda é condenada a não compreendê-la e, assim, se vê sem condições de formular uma estratégia, e sem estratégia fica sem capacidade de ação.

    Se a teoria resulta inútil se não se transforma em ação, tampouco há prática sem teoria. A falência do pensamento e da prática de esquerda contamina o governo, e desse governo participam setores majoritários da esquerda brasileira, ao lado de forças conservadoras poderosíssimas. Sem uma estratégia clara, o governo, já vivendo contradições internas, vê-se condenado a operações táticas puramente reativas. Assim se explica a anomia política, que, se não explica tudo, explica quase tudo, inclusive a perda da classe media e o distanciamento de setores ponderáveis da juventude brasileira, que, tragédia nossa, abjura a política.

    Assim também se explica porque, após tantas lutas e 12 anos de um governo nacional-popular inequivocamente voltado para os interesses dos mais pobres, o reacionarismo e o conservadorismo larvar que pervade a sociedade brasileira, de cima a baixo, encontrem ainda as ruas vazias e possam ocupá-las como o estão fazendo. Porque política não admite vácuos. O recuo da esquerda evitando o combate à direita alemã facilitou a ascensão do nazismo, assim como o recuo dos comunistas italianos facilitou a chegada de Mussolini ao poder. Mas tudo isso, felizmente, é, ao menos por enquanto outra história… e a História ‘não se repete. Deixa lições, que nem todos sabem recolher.

    Pela primeira vez desde 1964 – lembrai-vos da ‘Marcha da Família com Deus pela Liberdade’ –, nossas direitas vão às ruas levando multidões, classe-média, ‘elite branca’ pouco importa, um milhão na Avenida Paulista como celebra a Rede Globo (reproduzindo informações da PM paulista), ou 210 mil como afirma o Datafolha, não importa; em qualquer hipótese serão sempre multidões, gritando eslogans contra Dilma, que recém ajudamos a eleger e que apoiamos.

    Quantos dos manifestantes eram renitentes eleitores de Aécio no segundo turno? Informa o Datafolha que eram nada mais nada menos que 82%. A partir daí não se pode mais falar em ‘manifestação apartidária’. Mas a questão ainda não se reduz a números porque o fato objetivo é que parcela tão considerável do eleitorado, passado o pleito, continua mobilizada como se não estivesse esgotado o processo eleitoral e a presidente tomado posse. A questão não se reduz a números porque as manifestações, políticas por natureza, não se pautam precipuamente por reivindicações políticas: o atrator é o ódio a um partido, ao PT, e à presidente; a questão ainda não é aritmética, porque, também pela primeira vez (desconheço outro registro histórico) as direitas foram às ruas carregando consigo aqueles que sempre foram os símbolos das massas de esquerda nas ruas: o verde-amarelo, a camisa da seleção, o hino nacional (lembram-se os leitores da campanha pelas ‘Diretas-já’?, com o Artur Moreira Lima ao piano e a Fafá de Belém cantando o hino nacional?).

    Nesta apropriação (porque as esquerdas deixaram cair o bastão) há, todavia, menos amor ao Brasil do que ódio ao ‘outro’, o diverso. Como muito bem assinala Luiz Fernando Vianna (FSP,16.3.15): “Ontem [domingo], em Copacabana, observando alas da classe-média exercendo o direito democrático de odiar o PT, era impossível não perceber no uso do verde-amarelo o velho recurso de ocultar sob um signo de união (as cores nacionais) um desejo de exclusão: o país é ‘nosso’, não ‘deles’”.

    Esse artifício é cediço como toda tática da direita, aqui e em todo o mundo xenófoba, excludente, maniqueísta, egoísta. A praia é ‘nossa’, de fora fiquem os ‘farofeiros’; a universidade é ‘nossa’, de fora fiquem os pobres e os negros, que também devem ficar fora dos aviões de carreira; os pobres e negros (pobres por serem negros) não deveriam ter acesso ao crédito, pois os carros que hoje entulham as cidades não são os ‘nossos’, mas os ‘deles’, penetras em nosso capitalismo. Nosso é ‘o direito’, deles a ‘obrigação’. Na avenida Paulista – onde estão a Fiesp e as sedes dos grandes bancos e das grandes empresas, uma jovem manifestante conduzia (domingo)  um cartaz no qual se lia: ‘Eu tinha empregada. Não posso ter mais porque não posso pagar os encargos sociais’. O ‘nosso’ é uma delimitação de espaço (político, econômico, social, simbólico) que revive a grande disjuntiva da formação colonial brasileira denunciada por Gilberto Freyre: a casa grande e a senzala. O espaço do ‘nosso’ é a casa grande; o espaço ‘deles’ é,… do lado de fora.

    Simbólica das esquerdas brasileiras pós-1935 foi sempre a defesa da legalidade e da democracia, seguidamente fraturadas pela direita brasileira. Pois é essa direita – que golpeou a democracia em 1954 (suicídio de Vargas), em 1955 (tentativas de impedir a posse de JK), em 1961 (tentativa de impedir a posse de Jango e imposição do Parlamentarismo) e, finalmente, em 1964, o golpe vitorioso que nos custou anos de trevas – que nos vem agora falar em democracia no mesmo discurso em que claramente reinvindica a ruptura da legalidade.

    Não se trata de cotejar números, mas de encarar o sentido profundo da manifestação que não era, a sério, um protesto ‘apartidário’ contra a corrupção (não se combate a corrupção ao lado de Agripino Maia, nem pedindo que a presidência seja entregue ao PMDB), mas sim de um protesto para varrer o PT do poder. E, varrendo o PT, varrer tudo o que cheire a esquerda. O objetivo é este, iluda-se quem assim achar melhor.

    Também não é necessário lembrar que o governo está submetido a um massacre midiático desde a vitória da presidente Dilma. Nem como os meios se comportaram nas coberturas das passeatas do dia 13 e do dia 15 de março.

    Após 30 anos do fim da ditadura, um jovem de 26 anos, morador do miserável bairro de Anchieta, no subúrbio carioca, desfila na Avenida Atlântica com um cartaz no qual se lê: ‘S.O.S. intervenção militar’.

    É preciso que as esquerdas façam sua autocrítica (o expediente saiu de moda com o fim do ‘Partidão’?):

    – Que fizemos nós que não conseguimos explicar à juventude de hoje o que é uma ditadura e, precisamente, o que foi a nossa última ditadura? O que ela significou em 30 anos ceifando a liberdade – inclusive a liberdade de imprensa–, com seu inventário de milhares de exilados, de presos, de torturados e mais de 600 ‘desaparecidos’, deixando como legado econômico a maior dívida externa do mundo, uma inflação em torno de 250% ao ano e as mais altas taxas de desemprego?

    É isso o que eles querem de volta?

    Que erro cometemos para que essa reivindicação voltasse à tona 50 anos após o golpe, e 30 anos após a retomada do processo democrático?

    Nas caminhadas e passeatas tivemos presenças e ausências significativas. A presença de um anti-comunismo démodé e artificial (a serviço de que e de quem essa idiotice temporã?), as agressões bestiais a Paulo Freire, os insultos pornográficos a Dilma e a Lula e ao PT, pedidos de impeachment, e muita condenação ao insuportável clima de corrupção que nos assola, corrupção que a esquerda apenas vê pelo lado sociológico, enquanto a classe média só vê pelo lado ético. Também neste ponto, as esquerdas precisam fazer sua autocrítica. Corrupção é corrupção, e não deixa de ser corrupção porque a crise que ela gerou está sendo usada, como todos sabemos, ora para debilitar o governo, ora para debilitar a economia destruindo economicamente a Petrobras, principal responsável pelos mais de 500.000 empregos do setor de óleo e gás.

    Mas houve ausências. Os manifestantes que pediram, e o fizeram justamente, cadeia para os políticos corruptos, se esqueceram dos empresários – grandes empresários, todos com suas empresas na Avenida Paulista e ávidos por comprarem os ativos da Petrobras que estão à venda porque eles a assaltaram; são responsáveis e ao mesmo tempo beneficiários da corrupção ativa que promoveram, eles é que maquinaram o cartel de empreiteiras formado para assaltar a Petrobras. E desta feita as ruas não falaram em reforma política, nem em reforma agrária, nem em reforma alguma. Não se falou em educação, não se falou em mobilidade urbana. Nenhuma crítica ao Congresso nem aos seus presidentes, nem mesmo a Sarney, nem a ninguém. Donde se conclui tudo está bem.

    De comum, em todas as manifestações, o ódio ao PT, desafiado a refazer-se sob pena de levar consigo, em sua crise – crise política no plano interno, crise de identidade ideológica e crise manifestada no desapreço que hoje lhe dedica a sociedade – todas as forças de esquerda brasileira.

    O PT precisa fazer autocrítica para responder à indagação que lhe fazem seus companheiros de viagem: qual a razão de tanto desamor?

    Certamente seus dirigentes já terão feito o exercício que a presidente iniciou na mesma tarde de domingo. Há uma crise, e ela não é irrelevante, e precisa ser atacada de frente, e logo. Há fundamentos econômicos consideráveis alimentando a crise política. Há uma crise na relação de governo-presidente com as ruas mobilizadas pelos partidos de oposição, à frente de todos, consabidamente, a grande imprensa. Há uma crise nas relações do governo com o Congresso e essa crise dificulta a governança, que, assim, corre o risco de ter dificuldades com suas bases de sustentação oral, já assustadas com a parte que lhe cabe no ajuste fiscal. E há a evidente crise de sua (do governo) base parlamentar, formada em sua grande maioria – eis um dos aspectos da tragédia brasileira – por partidos-siglas (porque formações gelatinosas sem esqueleto e sem eixo); essa crise tem dois nomes, o seu partido, o PT, paralisado, atônito, acossado na imprensa, incomodado no Congresso, hostilizado nas ruas, e o PMDB, infiel e ressabiado. O Congresso permanece distante do controle do governo e a ele hostil, como também hostil ao PT. O maior partido da Câmara está fora da Mesa, exerce papel secundário na principal CPI da Casa, criada, aliás, tão só, para gerar problemas ao governo e ao PT. O que está conseguindo. A presidente certamente já está conversando com o ex-presidente Lula, o único líder capaz de retomar o diálogo com as ruas, e a última esperança de salvação para o PT. E o vice-presidente da República – até há pouco arredio –  é, a olho nu, o único personagem que, a esta altura, pode trazer de volta o rebanho pemedebista para formar uma base confiável, antes que sua liderança seja totalmente erodida dentro do próprio partido, pelos seus aliados e concorrentes Eduardo Cunha e Renan Calheiros.

    A busca da governabilidade é tão difícil quanto necessária.

  • Por Serafim Corrêa:

    As eleições de 2014 foram marcadas pela “marquetagem”. De repente, o nosso destino ficou nas mãos de quem sabe “dourar a pílula” e desconstruir os adversários carimbando-as de inimigos do povo. João Santana, “filhote” de Duda Mendonça, fez com muita competência esse papel em favor de Dilma. Todos sabiam que a economia ia mal e que os caminhos trilhados nos levariam a uma situação muito difícil. O nosso saudoso Eduardo Campos, então presidente do PSB, em 2012, alertou para isso mostrando de forma clara e direta os equívocos reiterados. Foi visto como “patinho feio”. Em 2013, diante do “dar de ombros” dos que tem dificuldades de ouvir, saímos pela porta da frente, devolvemos os cargos e entregamos os cargos de Ministros – dois –  do Governo do PT.

    Veio 2014, Eduardo Campos era nosso candidato a Presidente, tendo Marina como vice, quando foi colhido por uma tragédia do destino. Marina ascendeu a candidatura tendo Beto Albuquerque como vice. E a cada fala da Marina, na mesma linha do que dizia Eduardo, lá vinha a distorção de má fé de quem tinha seis vezes mais tempo de televisão. Marina disse certa vez que eram necessários ajustes na área da previdência social e lá veio o João Santana, usando a Dilma (parece ironia, mas era isso mesmo, o marqueteiro “usando” a candidata), com a estória de que Marina era contra os trabalhadores e que Dilma não mexeria nos “direitos” dos trabalhadores “nem que a vaca tussa”.

    Por conta disso, da desconstrução  da Marina e depois do Aécio, Dilma venceu as eleições.

    Chegou a hora de governar e aí a realidade era cruel, tanto na economia quanto na política e, principalmente, no parlamento. Dilma buscou na economia quem entende – Joaquim Levy – que obviamente sabia e sabe o que devia ser feito: um ajuste que se feito em 2012/2014 teria sido muito menor, evitado a crise, mas obviamente não teria garantido a reeleição, razão pela qual não foi feito. E propôs as mesmas medidas que Marina e Aécio diziam que seriam inevitáveis e por isso foram demonizados, como, por exemplo, corrigir distorções na área previdenciária.

    Na política, foi a tragédia anunciada com a dupla Aloisio Mercadante (o homem que só conhece outro homem, o que ele vê no espelho) e Pepe Vargas. Fizeram tudo errado nas eleições das Mesas da Câmara e do Senado. Resultado: o PMDB ficou com o comando das duas casas nas pessoas do deputado Eduardo Cunha e Renan Calheiros que se sentindo, de alguma forma, “obstaculizados”, para ser gentil, estão disparando agora mísseis contra o governo.

    O último torpedo trata das dívidas dos Estados e Municípios com a União. O Governo Federal, embora tenha concordado em 2014 em aprovar a mudança do indexador, estava empurrando com a barriga e num momento de crise, prefeitos e governadores obviamente pularam e com justa razão. Renan e Cunha  decidiram, então, votar uma proposta que estabelece o prazo de 30 dias para o Governo regulamentar como será feita a renegociação, já que os novos indexadores já estão definidos em lei. A Câmara aprovou e o Senado já ia aprovar. O Ministro Joaquim Levy, que termina tendo que fazer a articulação política, já que a dupla Mercadante-Pepe só atrapalha, fez um apelo ao Senado para que houvesse um adiamento, o que foi feito para terça-feira próxima, dia 31 de março, quando o Governo apresentará uma proposta, mas de qualquer forma a matéria será votada.

    Essa é uma pauta do bem. A União não pode continuar com esse processo de “agiotagem” contra Estados e Municípios em decorrência da utilização de regras que foram estabelecidas quando as circunstancias eram outras. Um exemplo resume tudo isso: o Município de São Paulo devia, em 2000, 10 bilhões de reais quando a sua dívida com o Governo Federal foi renegociada. Em 2015, São Paulo já pagou 20 bilhões, mas está devendo 60. Com os novos indicadores a dívida cairá para 36. Ainda assim, para dar um exemplo no popular, a dívida era de um carro, o devedor já pagou dois carros, mas ainda está devendo quase seis carros.

    “É possível isso, Arnaldo?” como diz o Galvão.

    Ninguém de bom senso acha que seja. No Senado, também, não.

    Vamos aguardar terça-feira e ver o que vai acontecer.

    Agora sobre tudo isso é forçoso reconhecer que por via transversa o Congresso, pelo menos por enquanto, deixou de ser uma casa homologatória das vontades do Executivo e começa a seguir uma pauta que interessa aos outros entes da federação, ou seja, Estados e Municípios.

    O que se espera é que o Congresso continue com a pauta do bem, mas a rigor, o que virá depois ninguém sabe….

  • Por Ribamar Bessa:

    Ilma. Sra. Deputada
    Alessandra Campelo da Silva (PCdoB)
    Saudações! Escrevo essa carta, mas não repare os senões, para dizer o que penso sobre a repercussão nas redes sociais da sua declaração de bens publicada no Diário Oficial da ALEAM – Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (10/02/2015). Lá consta um veículo Land Rover – linha Range Rover Evoque – financiado pelo banco, com valor inicial de R$ 174.000,00, além de três imóveis – duas casas e um apartamento – e contas no Bradesco e Banco do Brasil. Tudo transparente, explicitando as formas de pagamento. Tudo limpo e legal – digo eu.
    Um parênteses: embora não prive da intimidade de nenhum proprietário de um carrão tão caro, consulto se posso te chamar de Xandra. Posso sim, né?  Afinal você tem a idade da minha filha e milita num partido cuja atuação acompanhei de perto na época gloriosa em que Vanessa Grazziotin, hoje senadora, desempenhava um combativo e límpido mandato de vereadora. Além disso, somos colegas, você é jornalista, teria sido minha aluna na UFAM se eu tivesse continuado como professor daquela instituição.
    Pois é, Xandra, nesta semana acompanhei nas redes sociais muita gente ouriçada querendo saber como é que uma jovem, que ontem militava no movimento estudantil como vice-presidente do DCE, conseguiu acumular hoje os bens como os que foram declarados por você.
    As más línguas, que sujam qualquer reputação, lembram de tua declaração aos jornais em 2013 criticando o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria (CGU): “Essas instâncias estão praticamente inviabilizando o término das obras”. Tratava-se da edificação da Arena da Amazônia, palco dos jogos do Mundial de 2014, que segundo as duas instituições tinham indícios de sobrepreço e outras pendências. Será que a postura mais correta não era apoiar o TCU?
    Vai com as outras
    Apesar disso, da minha parte, acredito que teus bens declarados podem ser compatíveis com quem teve salário de diretora executiva da Secretaria de Produção Rural (SEPROR) e depois de titular da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (SEJEL). A crítica que faço não envolve, portanto, qualquer tipo de suspeita sobre tua honradez. Afinal, não é crime nem pecado ser proprietária de três imóveis totalizando R$ 635.000,00 e de um land-rover que vale R$ 174.000,00, se foram adquiridos legitimamente com o suor do trabalho. Não é caso de polícia ou de juiz, mas de eleitor.
    A questão é política. O que incomoda é a ostentação e o deslumbramento diante do poder, isso sim incompatível com o Estatuto do Partido Comunista do Brasil, na sua versão atualizada de 2010, cujo artigo 8 diz que o PCdoB “combate tendências alheias à cultura política dos comunistas como favoritismo, carrerismo, individualismo, burocratismo e práticas corrompidas“, depois de haver recomendado, no seu art. 7, que os militantes “realizem esforço pessoal permanente por elevar o domínio do marxismo-lenismo e da linha política do Partido“.
    Tá certo, o Range Rover Evoque que você dirige, se pintado de vermelho, com a foice e o martelo desenhados no capô, pode veicular o marxismo-leninismo, sem afetar o design contemporâneo, o interior refinado com acabamento de couro e “a linha única que garante destaque na cidade“. Dessa forma, você “enfrenta com confiança todos os terrenos e condições, com muita capacidade em situações desafiadoras“, como argumenta o site do fabricante.
    Advirto, porém, que o ministro Aldo Rebelo, autor do projeto contra o uso de palavras estrangeiras, condena as três versões da linha Evoque: Pure Tech, Dynamic Tech e Prestige Tech. De qualquer forma, qualquer que seja a linha, o juiz Flávio Roberto, que dirigiu o Porsche Cayenne do Eike Batista, adoraria conduzir o teu Land Rover Evoque, para desta forma contribuir na “luta contra a exploração e a opressão capitalista e imperialista”, como reza o Estatuto do Partido. Será?
    Vi que no carnaval de 2015 você, presidente da Comissão da Mulher, das Famílias e do Idoso da ALEAM, participou  do bloco carnavalesco “Maria vem com as outras”, organizado pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim). Venha com as outras, Xandra, com as pessoas lascadas, mas não vá com os outros, seus colegas deputados.
    Vixe-vixeados
    Talvez, estimada Xandra, você esqueça o proletariado por estar contaminada pela convivência na Assembleia Legislativa com “figuras impolutas”, todas elas vixe-vixeadas, como Belão (PMDB), Josué Neto (PSD), Abdala Fraxe (PTN), Adjuto Afonso (PP), Sidney Leite (PROS), pastor Carlos Alberto (PRB), Cabo Maciel (PR). Um timaço de primeira linha. Não siga o exemplo deles, Xandra! Eles não defendem “valores da igualdade de direitos, liberdade e solidariedade, de uma moral e ética proletária, humanista e democrática“, como prega o Estatuto do PCdoB.
    O teu exemplo não deve ser muito menos o Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, partido que ajudei a fundar no Amazonas. Ele ficou conhecido como Silvinho Land Rover por ter recebido de presente um carrão oferecido pelo proprietário da empresa GDK. É melhor se espelhar no ex-presidente do Uruguai José Mujica, que prefere seu fusquinha azul, modelo 1987, avaliado em 70 mil pesos (um pouco mais de 8 mil reais). Mujica doou parte de seu salário de presidente ao Projeto Moradia Solidária. Saiu da presidência como entrou: num fusquinha.
    O genial Miguel de Cervantes já havia assinalado a resistência ao deslumbramento pelo poder quando escreveu Dom Quixote. Lá, no Capítulo 53, descreve a fala de Sancho Pança no momento em que deixou o governo da Insula:
    - Vossas Mercês fiquem com Deus e digam ao duque meu senhor que eu nasci nu, nu continuo: não perco nem ganho; quero dizer que sem dinheiro entrei neste governo e sem ele saio, de forma bem diferente com que costumam sair os governadores de outras províncias. Saindo eu nu, como saio, não é necessário outro sinal para dar a entender que governei honestamente como um anjo.
    Prezada Xandra, você tem função representativa, pertence a um partido que, independentemente das divergências que se possa com ele ter, possui uma trajetória de lutas e de integridade. Não deixa que te chamem de Xandra Land Rover. De uma parlamentar comunista, se espera que não ofenda a população humilde que compõe seu eleitorado. O land rover ofende. Você devia dar bom exemplo e não seguir a trilha abominável do Belão, do Cunha e do Renan.
    Xandra,  o melomerendismo não compensa. O Eduardobreguismo também não. Seja mais José Mujica e menos José Melo Merenda, mas Sancho Panza e menos Eduardo Braga.
    Amos. Atos. Obros.
    Taquiprati

    P.S. Veja quão insondáveis são os caminhos da Senhora. Eu ia escrever sobre palestra que dei na Universidade Católica Dom Boco, em Campo Grande (MS) com o lançamento informal do livro “Políticas Culturais e Povos Indígenas” organizado por Manuela Carneiro da Cunha e Pedro Cesarino. Um land rover me tirou da rota. Haverá outra oportunidade.

  • Por Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil Edição:Armando Cardoso Fonte:Agência Brasil

    O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, informou hoje (24) que conseguiu ontem (23) à noite liminar na 30ª Vara da Justiça Federal autorizando o município a quitar sua dívida com a União com base nas novas regras de renegociação das dívidas dos estados e municípios, aprovadas pelo Congresso Nacional em novembro do ano passado.

    De acordo com o prefeito, a dívida do Rio de Janeiro com o governo federal é estimada em R$ 6 bilhões. Com a renegociação, o município terá de pagar apenas mais uma parcela de R$ 27 milhões. Para Eduardo Paes, a decisão judicial não altera sua relação com a presidenta Dilma Rousseff, já que a questão “é institucional”, com a prefeituras precisando se defender.

    Paes esclareceu que, de acordo com a lei que alterou a forma de cálculo das dívidas de estados e municípios, o débito do município caiu para cerca de R$ 300 milhões. “Como já pagamos as parcelas de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro, nos resta apenas uma última parcela de R$ 27 milhões. Pelo contrato anterior, teríamos de quitar amanhã (25) uma parcela de R$ 60 milhões. Nesse caso, passaríamos a credor do governo federal e o município não pode ficar credor do governo”, esclareceu o prefeito.

     

    O prefeito do Rio, Eduardo Paes, acompanhou a perfuração final da galeria continente do Túnel da Via Expressa, obra viária da revitalização da região portuária do Rio de Janeiro (Tomaz Silva/Agência Brasil)

    Durante visita ao Porto Maravilha, o prefeito Eduardo Paes informou que a questão é institucional e não deve abalar a relação com a presidenta Dilma Rousseff Tomaz Silva/Agência Brasil

    “Minha relação e relação da prefeitura com o governo federal é de aliança política, de parceria e de respeito mútuo, mas é lógico que tem questões que são institucionais e não dependem da vontade do Eduardo Paes. No caso da ação, é o prefeito em defesa dos seus eleitores.”

    O prefeito do Rio disse que o Executivo fluminense negocia politicamente o assunto, inclusive notificando o Tesouro e o Ministério da Fazenda desde novembro do ano passado, mas não alcançou consenso ou acordo a respeito. “Conversei com o ministro Joaquim Levy, com quem jantei ontem e não obtive resposta. Então, não restou outra opção a não ser recorrer à Justiça para fazer cumprir uma lei que foi aprovada pelo congresso e sancionada pela presidente no ano passado”.

    “O município tem com o governo a melhor relação. Sou amigo e respeito a presidenta. Acho que o ajuste fiscal tem de acontecer, mas a partir de equívocos nas contas públicas. Não é uma questão política, uma batalha, mas uma questão de direito. Não dá para colocar este ajuste na conta do município. A lei foi encaminhada pelo Ministério da Fazenda, sancionada pela presidente e tem de ser respeitada”.

    O prefeito lembrou que o Rio tem um grau de investimento maior que o do Brasil, “exatamente porque honra seus compromissos”. Segundo ele, todo o ano o município produz superávit, paga custeio e fornecedores. “Por isso, não pode abrir mão de recursos que nos pertencem. País que não respeita contratos não merece grau de investimento”, enfatizou.

    Eduardo Paes participou visitou hoje a área do Porto Maravilha, onde ocorrem as obras de escavação da Via Expressa, que ligará a Avenida Brasil, Ponte Rio-Niterói e o Aterro do Flamengo, absorvendo o tráfego de veículos que utilizava o Elevado da Perimetral.

    Comentário meu: Agiu certo o Prefeito do Rio de Janeiro. A União faz uma verdadeira agiotagem na relação com Estados e Municípios. São Paulo, para dar o maior exemplo, devia 10 bilhões. Pagou 15, e está devendo 45 bilhões.

  • Por Dalai Lama

    1. Afaste-se daquelas pessoas que só chegam para compartilhar queixas, problemas, histórias desastrosas, medo e julgamento dos outros. Se alguém procura uma lata para jogar o lixo que tem dentro, que não seja na sua mente.

    2. Pague as suas contas a tempo. Ao mesmo tempo, cobre aqueles que te devem ou escolha deixar para lá, se você já percebeu que é impossível receber.

    3. Cumpra as suas promessas. Se você não cumpriu alguma, pergunte-se o porquê desta resistência. Sempre você tem o direito de mudar de opinião, de se desculpar, de compensar, de renegociar e de oferecer outra alternativa diante de uma promessa não cumprida, mesmo que já um costume. A forma mais fácil de evitar o não cumprimento de algo que você não quer fazer é dizer “NÃO” desde o começo.

    4. Elimine, dentro do possível, e delegue aquelas tarefas que você prefere não fazer, dedicando o seu tempo àquilo que, sim, você desfruta fazer.

    5. Dê permissão a você mesmo para um descanso, quando você estiver em um momento que o necessite e dê permissão a você mesmo para agir quando estiver em um momento de oportunidade.

    6. Jogue fora, recolha e organize… nada te tira mais energia que um espaço desordenado e cheio de coisas do passado que você já não necessita.

    7. Dê prioridade à sua saúde, sem a máquina do corpo trabalhando ao máximo, você não pode fazer muito. Tome tempo para perceber o que seu corpo está te dizendo.

    8. Enfrente as situações tóxicas que você está tolerando, desde resgatar um amigo ou um familiar, até tolerar ações negativas de um companheiro ou um grupo. Tome a ação necessária.

    9. Aceite. Não é resignação, mas nada te faz perder mais energia que o resistir e brigar contra uma situação que você não pode mudar.

    10. Perdoe… deixe ir uma situação que está te causando dor… você sempre pode escolher deixar ir a dor da recordação.

  • A Audiência Pública “Destravar para Avançar”, foi presidida pelo deputado Serafim Corrêa, presidente da Comissão de Indústria, Comércio Exterior e Mercosul e reuniu lideranças do segmento industrial, autoridades, líderes sindicais e comunitários. O auditório Cônego Azevedo, no térreo da Aleam, ficou lotado para a audiência. “Fico muito contente com a presença de todos. Essa discussão é importante na medida em que a Zona Franca de Manaus foi prorrogada por mais 50 anos e a burocracia continua impedindo o seu crescimento. Temos que combater esses entraves em nome do desenvolvimento do modelo. A Assembleia é casa da conversa, do parlamento, temos que dialogar para destravar. O Amazonas não aguenta mais essa paralisia”, disse Serafim.
    O encontro teve o objetivo de dar oportunidade para que cada órgão ou autarquia, expusesse as dificuldades que enfrentam e até que ponto isso pode ser modificado. “Vamos funcionar como facilitadores do processo tentando destravar essa burocracia. No âmbito estadual, no que depender de lei, nós atuaremos. No âmbito municipal e federal, iremos conversar, mostrando que destravar interessa a todos”, falou o deputado.
    O primeiro obstáculo que um empresário encontra para implantar uma indústria em Manaus, é o Processo Produtivo Básico, o PPB. Superado isso, é necessário aprovar o projeto. Aí, chega a hora de submeter o projeto à Eletrobrás, o que demora 60 dias. Em seguida, o Corpo de Bombeiros, com mais 4 meses de demora. Chega a vez do IPAAM e mais 4 meses se vão. Outros 4, com o processo no IMPLURB. Com tanta dificuldade, o empresário desiste e decide ir embora de Manaus. Para Serafim, ou se toma consciência de que a disputa por novos empreendimentos é muito grande e diminuí-se a burocracia ou o Amazonas irá continuar perdendo. “Temos a responsabilidade histórica de discutir, dialogar, conversar para superar esse momento de dificuldade. A indefinição do novo superintendente atrapalha o processo. Esse governo novo, da presidente Dilma, está há 90 dias no poder e não nomeou o novo superintendente. Há oito meses um interino responde. Queremos uma decisão e que seja breve. As travas causam perda de postos de trabalho, impedem a criação de novos empregos, fazem cair a  arrecadação de impostos e viram um efeito dominó, que acaba prejudicando a todos”, enfatizou o deputado.
    A próxima reunião do Conselho de Administração da Suframa já está confirmada para o próximo dia 30 de abril e, de acordo com o Superintendente Interino, Gustavo Igrejas, já há um cronograma para os encontros até o fim deste ano. Igrejas parabenizou Serafim Corrêa pela iniciativa e convidou a comissão para um ciclo de debates na Suframa, que será realizado em abril. “Temos que ampliar essa discussão e falar de Zona Franca, área de livre comércio e outros temas. A gente não pode ter mais 50 anos e continuar com o modelo que temos atualmente “, disse. Gustavo salientou ainda que, apesar dos entraves, os projetos estão sendo aprovados e posteriormente serão homologados na reunião do CAS. “Cerca de 100 projetos devem compor a pauta da próxima reunião. Destes, 70 já foram aprovados e vão ser homologados pelo Conselho. Os outros 30, estão sendo aprovados. No meu entendimento não existe nenhuma paralisação na Suframa, nem do ponto de vista operacional , ou de qualquer ordem. Mas é necessário destravar para avançar, como frisa bem o tema da audiência pública”, ressaltou.
    O representante do Corpo de Bombeiros, Coronel Fernando Sérgio, ouviu duras cobranças dos presentes e rebateu a necessidade do laudo do CB para aprovação de instalação de empresas. Ele disse que segue a lei, mas que não há uma legislação local que determine os limites da atuação do órgão. “Seguimos uma lei do estado de São Paulo e não temos culpa se alguns engenheiros não estejam habilitados a realizar os projetos. Muitos projetos nos chegam e retornam para revisão porque estão fora dos padrões. Na atual conjuntura, seria um bom negócio para a corporação não realizar esse serviço, tendo em vista que temos apenas 720 homens , em várias funções, para cobrir todo o estado do Amazonas. Um número irrisório. Mas, enquanto essa atribuição estiver sob nossa responsabilidade, iremos cumprí-la, apesar de termos ciência da demora nos laudos”, complementou.
    Ao final dos debates ficou acertado que a comissão visitará todos os órgãos envolvidos no sentido de estreitar a conversa e pontuar as questões burocráticas que travam o sistema. “O saldo da audiência pública foi positivo, apesar da ausência da Eletrobrás, IPAAM e Semmas. Acredito que seria de suma importância a participação de todos. Em breve, agendaremos as visitas e teremos um diagnóstico definitivo da situação”, finalizou.
  • Alfredo MR Lopes (*) [email protected]

    Em vez de ficar “Esperando Godot” – o texto clássico de Samuel Beckett que ironiza a cegueira e a surdez de quem aguarda as coisas acontecerem por iniciativa de outrem,  em vez de tomar as providências que se impõem – a parceria entre academia e economia tem ensaiado algumas proposições de logística inteligente para contribuir com o maior desafio da Zona Franca de Manaus: o pulo do gato da competitividade. Cabe ilustrar, a propósito, o  tema de uma pesquisa sobre gargalo logístico do país e da ZFM, executada no âmbito do Programa de Mestrado de Engenharia da Produção da UFAM, pelo professor Bruno Duarte de Oliveira, sob a orientação do professor doutor Augusto César Barreto Rocha, defendida na semana passada. A justificativa foi verificar a viabilidade da utilização dos milhares de contêineres, que saem vazios da cidade de Manaus, para o transporte de soja, um embaraço ilustrado  pelos quilômetros de carretas a entupir os portos do Sudeste, comprometendo a competitividade da safra de soja do Centro-oeste brasileiro. O trabalho buscou demonstrar melhorias na eficiência produtiva e portuária com a utilização dos contêineres vazios, improdutivos, de uma cidade que mais  importa do que é capaz de exportar. E de uma região caracterizada pela escassez de estabelecimentos  produtivos. O trabalho, ademais, descreveu a necessidade de mais pesquisas no setor e a descoberta das vantagens competitivas que eles representam.

    Bem sucedida no cerrado, para onde se expandiu com acertos e ajustes da Embrapa, “…no polígono dos solos ácidos, região que compreende: Triângulo Mineiro, em Minas Gerais; Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Tocantins, sul do Maranhão, sul do Piauí e oeste da Bahia”, a soja figura como o principal produto do agronegócio do Brasil, na expectativa do desenvolvimento  de novas tecnologias, cadeias produtivas, infraestrutura, biogenética  na perspectiva da agregação de valor à agroindústria, um beneficiamento com promessas múltiplas de benefício ao país. É tímida a aposta na inovação tecnológica e na infraestrutura logística dos transportes, refém do modal rodoviário, precário, oneroso e ambientalmente perverso. Passados mais de um século da intuição empreendedora dos ingleses, que viabilizaram a economia da borracha com o ordenamento logístico adequado, nas hidrovias da Amazônia, ainda dependemos dos caminhões para entregar os grãos que o mundo asiático demanda.

    O despertar para a obviedade de inverter o modal e a direção do escoamento agrícola pela lógica hidroviária do Arco Norte – um projeto esboçado no Plano Avança Brasil, depois pelo Brasil Maior, a partir da década de 1990 – deu à Região Norte um papel estratégico a ser explorado a partir de Rondônia, exigindo que se cumpra a obviedade do balizamento e dragagem da Hidrovia do Madeira e outras hidrovias estratégicas da região. Compreender este novo cenário, as diretivas dos custos de transporte de soja na região Norte do Brasil, e sua articulação com desafio de encarar o precário e caro modelo logístico-portuário da Zona Franca de Manaus, a insensatez  de seus contêineres vazios, exige estudos, integração de saberes e poderes, que desembarquem na geração de melhorias na eficiência produtiva e portuária O mérito da pesquisa do professor Bruno foi construir a modelagem  de uma viabilidade promissora, que chama a atenção para diversas providências, -todas elas vitais para consolidar a competitividade do modelo – para demonstrar que a integração dos atores locais, seus talentos criativos e proativos são a fonte segura de respostas e certeza das soluções de tantos embaraços. Há outro caminho?

    (*) Alfredo é filósofo e ensaísta.

    Alfredo MR Lopes
           092 991123281 

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