A CORRENTE DE SÃO SEVERINO E A ODEBRECHT

Por Ribamar Bessa:

A CORRENTE DE SÃO SEVERINO E A ODEBRECHT

“Os trabalhadores nada têm a perder, a não ser as suas correntes”.

(Karl Marx – Manifesto Comunista, 1848)

Se você é trabalhador, não perca esta corrente que está circulando mundo afora desde 1901. Faça vinte cópias e passe adiante. Ela começou na França, com o nome original de “Chaîne de Saint-Séverin Des Pauvres”. Seu autor, Leão Amorim, por incrível que pareça, é um amazonense que vivia em Paris, onde criou, muito antes de Cabral, a dancinha do guardanapo numa noite de esbórnia no “Le Procope”. Foi lá que dilapidou a fortuna do pai, Alexandre Amorim (1831-1881), o Odebrecht do séc. XIX, dono de seringais, de empresas de navegação e de todo Estado do Amazonas.

Monsieur Amorrã, como Leão era conhecido, traduziu a versão da “Corrente de São Severino dos Pobres” e deu uma cópia a Santos Dumont, que a levou em seu voo no dirigível em volta da Torre Eiffel. Daí, percorreu o mundo em várias línguas e atravessou os cinco continentes. Foi extraviada na Primeira Guerra Mundial. Durante décadas, ninguém ouviu falar dela até que um sócio do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), encontrou nos arquivos da instituição, em 1986, uma cópia da “Corrente de São Severino, onde entra homem, mulher e menino”. 

O nome foi, então, adulterado pelo secretário de cultura de todos os governos, Berinho Braga, para “Corrente de Santa Etelvina, onde entra homem, mulher e menina”. Era para puxar o saco de um governador que queria fazer média com o povo que canonizou a santa amazonense. Após a Operação Lava-Jato, o documento original foi recuperado, com dados atualizados pela delação de Marcelo Odebrecht, cuja versão vai abaixo publicada.

Propinas de Sansseverã

Você está recebendo agora, em abril de 2017, esta corrente, dentro de um envelope com sobras de propinas. Não guarde esta mensagem por mais de nove dias, pois depois desse período poderá ter muito azar. Sem se identificar, faça 20 cópias, divida a bufunfa em parcelas iguais e envie para os 20 parlamentares e ministros mais delatados. Não quebre a corrente. Dentro de nove dias – ou mesmo antes – você será recompensado.

Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o “Caranguejo”, então presidente da Câmara, rasgou a corrente como já havia feito com a Constituição. Depositou a propina do envelope em várias contas de bancos suíços, transferindo os ativos para um trust de usufruto dele e de sua mulher Cláudia. Por isso, o traste foi cassado e passou a ser usufrutuário de uma cela em Curitiba.

Moreira Franco (PMDB-RJ), de codinome “Angorá”, esnobou e não passou pra frente a corrente. Resultado: foi denunciado por negociata em concessões de aeroportos, que somaram ao todo R$ 45 bilhões, entre os quais o Galeão. Ele ia ser preso, mas no nono dia pediu a Lúcia, sua secretária, que fizesse o envio. Foi salvo. Seu amigo do peito, Michel Temer, o nomeou ministro para que tenha foro privilegiado. Sua prisão foi adiada para o dia de São Nunca.

Experiência similar viveu Aécio Neves (PSDB-MG), o “Mineirinho”. Ocupado em atividades recreativas na praia do Leblon, encarregou Oswaldo Borges, presidente da CODEMIG, de remeter a corrente a vinte amigos. Oswaldinho esqueceu e, por isso, Aécio foi citado cinco vezes na Lava-Jato por desvio de verbas, fraude na licitação da obra da Cidade Administrativa e outras cositas mais. Alertado, fez a corrente andar. Depois disso tirou foto sorridente com o juiz Sérgio Moro e foi assim blindado, escapando da prisão. Adquiriu moro privilegiado. Apesar das acusações, nunca será preso. Não foi esse o destino do ex-governador do Rio.

– Rasga essa corrente e usa a propina para comprar joias.

Essa foi a ordem dada por Sérgio Cabral a Adriana Ancelmo, sua esposa. Ela obedeceu e jogou a mensagem na lata do lixo. Bem feito! Ele está preso em Bangu, mas pelo menos reconheceu: “Eu exagerei. Devia ter dividido a propina com os correntistas”.

Ninguém ficou sabendo se os quatro amigos codinomeados “Primo” (Eliseu Padilha), “Caju” (Romero Jucá), “Botafogo” (Rodrigo Maia) e “Índio” (Eunício Oliveira) passaram a corrente pra frente. Há quem diga que não porque foram denunciados por crimes cabeludos e constam da lista de Fachin. Mas há quem diga que sim, porque todos tem foro privilegiado e trabalham na proposta de Jucá e Renan Calheiros (o “Justiça) para abafar a Lava-Jato e o que chamam de “cruzada moralista”. Coincidência? Sorte? Só vendo para crer.

O ex-presidente Lula, embora achando que essa história de corrente é pura superstição, por via das dúvidas orientou seu “amigo” para que enviasse aos vinte destinatários. Só no dia 3 de maio, quando Lula se enfrentará com Moro, o Torquemada de Curitiba, saberemos pelos resultados o que foi que o amigo realmente fez.

A Rede Globo divulgou a corrente com acréscimos, ampliando o espaço de seus adversários, que repete à saciedade, minimizando o de seus aliados. Foi recompensada e passou a receber as delações em tempo real.

Nas próximas semanas, com o desdobramento da Lava-Jato, conheceremos ainda o que fizeram com a corrente ministros, parlamentares, governadores e prefeitos acusados de propineiros, como ACM Neto (DEM) que recebeu R$ 1,8 milhão em caixa 2 ou a Marta Traíra Suplicy. Quanto ao presidente da República, vejam o que aconteceu:

– Renuncio – gritou em voz alta Michel Temer, com uma vela acesa na mão. Isso ocorreu na igreja maronita Nossa Senhora do Líbano no bairro paulistano de Cambuci. Foi em 1947, quando foi crismado. O bispo coadjutor de Campinas, dom Antônio Maria, que oficiou a cerimônia de renovação das promessas de batismo, lhe havia perguntado:

– Renunciais ao Satanás, às suas pompas e às suas obras?

Temer, que tinha sete anos, confirmou que sim, mas era tudo mentira. Mais de 70 anos depois, fingindo ignorar a propina, rasgou a corrente em pedacinhos: Jogá-la-ei no rio Tietê – disse. Dito e feito. Por isso, o Papa Francisco não aceitou o convite para vir ao Brasil, impedindo a exploração política da sua visita.

Agora o resto é contigo, leitor (a). A corrente está em tuas mãos, embora só o texto, pois a propina já foi toda abocanhada. Tira vinte cópias e passa adiante. Insiste, repete, denuncia, reproduz as delações para que o Brasil condene, ao menos moralmente, a quadrilha que tomou de assalto o poder. É preciso ser rápido no gatilho. Não faz como eu, que demorei. Por isso, o cardiologista, com quem eu havia marcado uma consulta, escafedeu-se. Além disso, meu cachorro Patife, codinome Bob, começou a mancar com artrose. Agora que estou te enviando, Bob já melhora a olhos vistos e consegui remarcar minha consulta.

Por todas essas razões, leitor (a) NÃO PARA essa corrente histórica. Continua a obra de Monsieur Amorrã, divulga as delações, especialmente para os paneleiros, que serás recompensado (a) com a graça de São Severino. Você não tem mais nada a perder, a não ser essa corrente.

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SPORT, CAMPEÃO BRASILEIRO

Por Everardo Maciel:

O Sport Club do Recife, terça-feira (18 de abril), sagrou-se campeão brasileiro de futebol, para delírio de sua torcida, inclusive este torcedor, ao derrotar o Flamengo por 3 a 1.

Antes que o leitor pense que o articulista se afastou de sua praia e adentrou no apaixonante mundo do futebol, explico-me. O placar não expressa o resultado de uma partida, mas de uma decisão do STF. O campeonato não é o de 2016, tampouco o de 2017, mas o de um longíquo1987.

A decisão não altera os fatos, nem a percepção deles. O Sport continuará entendendo que é o único campeão de 1987 e o Flamengo insistirá em seu delirante desejo de compartilhar a láurea.

O que espanta não é essa tentativa de reafirmação ou desconstrução do passado, mas constatar que tema tão trivial seja objeto de decisão na Corte Suprema.

É, também, evidência que a Constituição, tão espantosamente analítica, serve para qualquer querela. É preciso repensar o controle de constitucionalidade.

Em perverso contraste, o STF é sufocado por uma avalanche de processos criminais, em razão do foro privilegiado.

Não haverá força-tarefa capaz de desincumbir-se, em tempo hábil, dessa responsabilidade. O que lá se vê é “o caos impiedosamente ordenado”, como no Inferno de Dante.

Tamanho desafio, por maior que seja a qualificação dos convocados, não se resolve agregando novos auxiliares. O erro está no modelo.

Sendo pouco provável a simples extinção do foro privilegiado pelo Congresso, há que se buscar uma solução para essa excentricidade por outra via.

O Ministro Luís Roberto Barroso, sabiamente, aventa a possibilidade de restringir o foro privilegiado aos atos praticados durante o mandato e em razão dele.

A morosidade, inerente ao processo, favorece os culpados pela perspectiva de prescrição, mas condena irremediavelmente os inocentes, porque o tempo eleitoral não coincide com o judicial.

Enquanto isso, prossegue a céu aberto o deprimente espetáculo das delações premiadas, na Operação Lava-Jato.

Ninguém seria capaz de imaginar relações tão promíscuas entre políticos, governantes e empresários. Não foi observado sequer o conselho dado pelo ditador congolês Mobutu (1930-1997) aos seus asseclas: “roubem, mas, por favor, roubem pouco”.

A podridão das histórias relatadas não pode, todavia, ser pretexto para contínuos vazamentos, tipificados como crimes no Código Penal (art. 250).

As autoridades não apuram esses crimes. A mídia se aproveita deles. Os delatados inocentes se acovardam. A opinião pública delira.

O mais grave é que os vazamentos constituem meros indícios, que podem se revelar improcedentes.

Como fica a honra dos inocentes, cuja reputação é indevidamente atingida por vazamentos criminosos? Aqui, infelizmente, a honra parece ser um valor menor. Preferimos o obsceno deleite da comemoração da desgraça alheia. Não esqueçamos, contudo, que barulho em casa de inocentes é festa dos culpados.

Misturam-se crimes de diferentes potenciais ofensivos. Caixa dois eleitoral, por exemplo, é sinônimo de qualquer crime, malgrado se saiba que ele tem uma tipificação polêmica (art. 350 do Código Eleitoral) e pena relativamente branda, susceptível de rápida prescrição.

Caixa dois eleitoral ou fiscal, corrupção ativa ou passiva, lavagem de dinheiro são crimes que podem estar associados ou não. A mixórdia, intencional ou não, confunde a opinião pública e favorece os culpados.

É inadmissível que não se consiga, como ocorre nos países desenvolvidos, blindar as delações e investigações. No Brasil, a Receita Federal já demonstrou que isso é viável, revelando senso de maturidade institucional.

Corrupção sistêmica, sistema político-eleitoral destroçado, previdência à beira da falência, 13 milhões de desempregados, crise fiscal persistente em todos os entes federativos, dificuldades no enfrentamento da recessão, privilégios processuais ancestrais, 74 milhões de processos em tramitação na Justiça, falta de profissionalismo na apuração de crimes. Muitos problemas. Poucas soluções, ainda assim combatidas pela ignorância, negação da realidade, autoengano e má fé. Nada disso, porém importa. Já resolvemos a pendência do campeonato brasileiro de 1987.

 

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Calvário brasileiro

Por Osíris Silva:

Além da cruel recessão que achata nossa economia e pune a nação com o desemprego, o retorno dos índices de pobreza, a queda dos negócios e da inflação, o flagelo brasileiro, como na crucificação de Cristo no Gólgota parece não ter fim. Situação agravada face à determinação do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira, 11, de abrir inquérito contra oito ministros do governo Temer, 24 senadores e 39 deputados federais, entre eles os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. No total 108 alvos dos 83 inquéritos que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) – A Lista de Janot – com base nas delações de executivos e ex-executivos do Grupo Odebrecht. Detalhe: todos os denunciados gozam de foro privilegiado no STF, exceto os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, por haverem perdido o privilégio ao deixarem os cargos.

A comoção nacional despertada pela denúncia do ministro Fachin será agravada por delações de outras empreiteiras, inclusive em recinto doméstico, levando a crer que poucos sobreviverão. Em entrevista à revista Veja da semana passada, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, defendeu a restrição do foro privilegiado a alguns casos específicos. Propõe sua limitação a atos praticados em razão do cargo eletivo que o político ocupa. Nos demais casos, ressalta, deixaria de ser competência do STF e passaria a ser julgado pelas instâncias inferiores da justiça. Apenas esta medida, segundo ele, resultaria na redução de 93% dos processos que tramitam na Corte Suprema. O flagelo se origina na guerra travada entre partidos políticos por loteamento de cargos nos ministérios, secretarias e empresas estatais. Dada a licenciosidade imperante no chamado processo de governança, a corrupção no Brasil  hoje assume níveis espantosos e endêmicos, revelando “um país feio, triste e desonesto”, lamenta o ministro Barroso.

Luís Barroso considera que “a Operação Lava Jato, assim como o julgamento do Mensalão pode ser considerada um ponto fora da curva no combate à corrupção endêmica que tomou conta do Brasil”. O juiz Sérgio Moro, que comanda as investigações da força-tarefa é um magistrado “sério, sóbrio e que não se deixou contaminar pela celebridade”. Os erros cometidos pela Lava Jato são insignificantes, se comparados aos resultados positivos alcançados até aqui. Para o ministro os erros não são características da Operação”, mas sim que ela representa uma mudança de paradigma no combate a corrupção. Esta, sim, a sua marca de maior expressão. A lava jato, todavia, esbarra em dificuldades cruciais. Dentre estas, o conluio e o corporativismo cultivados por “políticos que se protegem mutuamente, buscando forma de se salvar”. Pessoas que frequentam os mesmos banquetes, ressalta Barroso, “não se condenam entre si”. A impunidade, o compadrio, e, por consequência, a corrupção devastaram o país, a despeito de a sociedade e a imprensa brasileira haverem alcançado “grau de maturidade que dificultam certos arranjos” ainda mais nefastos.

A análise do ministro Luís Roberto Barroso expressa, certamente, o sentimento de grande parcela da nacionalidade, observando que, para dar o salto civilizatório de que tanto o Brasil precisa é necessário e urgente “que cada um comece a mudança por si próprio. A ética pública, de que tanto nos queixamos, é em grande medida espelho da ética privada”. O povo brasileiro, extremamente conservador elege e reelege candidatos (prefeito, vereador, deputado, senador, governador) sem levar em consideração sua qualificação e idoneidade. Caos na saúde, na educação, na segurança pública, no transporte, na mobilidade urbana, no saneamento básico (água e esgoto), nada disso tira voto, porque se tirasse muito poucos seriam reeleitos. A sociedade no geral tem o que merece; afinal, os corruptos foram conduzidos a seus cargos pelo voto popular, conscientemente ou por via comercial!

Manaus, 17 de abril de 2014.

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O TESTAMENTO DE JUDAS E O SERRA VELHO

Por Ribamar Bessa:

Sábado de Aleluia. Tradicional malhação do Judas. No bairro de Aparecida, em Manaus, o boneco pendurado no poste trazia o testamento no bolso, escrito pelo Edilson, o gaguinho, com estrofes sem um só verso de pé-quebrado. O gênio da poesia popular, irreverente e atrevido, resumia intrigas políticas e fofocas do bairro. Não poupava ninguém, nem ele mesmo.

Depois da leitura pública do testamento e da queima de Judas, iniciava a cruel cerimônia do “Serra Velho”. Na madrugada, jovens com serrotes, pedaços de pau e latas faziam barulho infernal na frente da casa do morador mais idoso – só respeitavam aqueles doentes – quando então cantavam:

As caveiras do outro mundo / vieram lhe dizer-êêê / que agora neste ano / você vai morrer-êêê.

Depois gritavam em coro:

– Encomende a alma a Deus, porque seu corpo já não vale nada.

Alguns velhos entendiam como gozação e até apareciam na janela para um dedo de prosa. Outros se irritavam, como dona Maria Rosa, que jogava o conteúdo de um penico sobre as “aves agourentas”. Psicografado pelo Edilson, apresento-lhe aqui o testamento do Judas de 2017.

 01.Há dois mil anos me malham

Muda o mundo, pra mim nada

Chega o sábado de Aleluia

E me enchem de porrada.

 

 03.Ao Trump bundão eu deixo

O muro de Jericó

E a espada de Herodes

Pra enfiar no fiofó;

 

05.Ao “Índio” Eunício deixo

A Funai, só de pirraça.

Que ela poupe os índios,

Mas acabe com tua raça.

 

07.Ao Rodrigo, o “Botafogo”,

Vil sucessor do Cunha

Deixo o dedão do Temer

Pra rasgar o tu com a unha.

 

 09. Aos da lista do Fachin

Dou um penetrante créu

Com delação premiada

Lego o atestado de réu.

 

11. Ao Eliseu Padilha, o “Primo”,

Amigo de Temer, de FHC,

Deixo-lhe balcão de negócios

E da Odebrecht o guichê.

 

 13. Ao Jucá que a falcatrua

Fez sair da pindaíba

Deixo a suruba com Cunha

Na prisão de Curitiba

 

15. As trinta moedas de prata

E o caroço desse angu

Deixo pro Sérgio Cabral

Curtir no spa de Bangu.

 

17. Ao Moro, o vaza a jato,

pra Rede Globo vaza veloz

Lego tua foto com Aécio

Tão promíscua e tão atroz.

 

 19. Para Alexandre de Moraes

O plagiador kinder-ovo

Deixo o evangelho de Lucas

Pra copiar tudo de novo.

 

  21. Que o pato da FIESP fique

Com os seis milhões do Skaf

Ele enganou os paneleiros?

Que da prisão não  escape.

 

23. Deixo a Arena Amazônia,

Ao senador Braga, o Dudu

Com a superfatura exposta

Que ele vá tomar na rima.

 

25. À Vanessa e ao Eron

Que estão na lista do Fachin

Deixo um capital polpudo

Em Moscou ou em Pequim.

 

27.Ola-lá, olha o boi que te dá?

Eu tirei da algibeira

A propina do Caixa 2

É para o Cabo Pereira.

 

29. Ao prefeito Artur Neto

Deixo um resto de decoro

Vai aposentar o kimono

Depois de se ver com o Moro.

 

31 Ih, já ia me esquecendo

Do sócio do Cabral, o Pezão

Pelo calote na UERJ

Deixo-lhe sua cassação.

 

33.Aos paneleiros que pouparam

O Barrabás, contumaz ladrão.

Deixo meu arrependimento

Para que gritem: Fora Poltrão.

 

 02.Mas antes de me ferrarem

E morrer mais uma vez

Eis aqui o inventário

Do que eu lego pra vocês.

 

 04.A ti, Temer, legar-te-ei

Minha corda de enforcado

Pendurar-te-ás na figueira

Seu traíra desgraçado.

 

06.O Renán  é quem herda

Um implante de pentelho,

Feito com verbas do Senado,

Com ele eu me aconselho.

 

 08. O Cunha preso não está

Só é usufrutuário da cela.

Dou-lhe caixão de defunto

Pra quando esticar a canela.

 

10.Oh ministros e parlamentares!

Deixo-lhes o meu Caixa Dois

Com propina milionária

Sois ladrões, ora pois pois.

 

 12. A Odebrecht atirou

O pau no gato te-otó

Acertou Moreira Franco

O Angorá do quiproquó.

 

14.  O Lula “amigo” herda,

Um tríplex em Guarujá,

Um sítio em Atibaia

Até tu comeu o jabá?

 

16. Ao outro Sérgio, o Cortes,

Dançou em Paris no inverno.

Deixo a Fatura Exposta

Pra bailar lá no inferno.

 

18. Ao “paladino da honradez”

Ao Collor das Alterosas

Ao Aécio, tucano e corvo,

Deixo propinas fuderosas.

 

20. Gilmar Mendes a ti deixo

Exame de coproscopia

Da tua diarreia verbal

O Janot tem merdofobia.

 

  22. Anastasia, tu finges ser

Um santinho do pau ôco

Encheste a burra de grana

Taquiprati o meu cotôco.

 

24. Lego ao senador Omar Aziz

A ponte superfaturada, viu?

Com a propina embolsada

Vá pra ponte que se partiu.

 

  26. A ti José Melo Merenda,

Estadista de igarapé

Deixo as verbas desviadas

Para ser cassado pelo TSE.

 

28. Paguei, paguei, paguei

Paguei torno a pagar.

Ao Alfredo Nascimento

Ao Dudu e ao Omar.

 

30.Criticou o Artur na Lava Jato

Marcelo Ramos, o velho novo

Pra lembrar o amigo Buchada,

Deixo-lhe  catuaba com ovo.

 

32. Ao José Mayer assediador

Que diz estar arrependido

Deixo-lhe Maria Madalena,

Para testar se é bandido.

 

34 Lá onde perdi as botas

Lego ao povo brasileiro

A desconfiança nesses pulhas

A esperança do testamenteiro.

 

 P.S.Agradeço o Mauro Biba pelas dicas e a Uagogo pela foto do Judas.
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UBER: não adianta brigar com a modernidade.

De ACRITICA.COM:

SMTU apreende quatro carros alegando transporte irregular de passageiros

Testemunha diz que um dos carros era da plataforma Uber, mas SMTU se negou a responder tal questionamento. Uber disse que atua respaldada por lei federal 13/04/2017 às 18:37 – Atualizado em 13/04/2017 às 18:46

Uma das apreensões ocorreu em frente ao Manauara Shopping (Foto: Reprodução)

Uma fiscalização da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU) apreendeu nesta quinta-feira (13) veículos e motocicletas em diferentes zonas da capital, sob alegação de transporte irregular de passageiros.

Segundo depoimentos de testemunhas, que enviaram um vídeo, à reportagem, pelo menos um dos carros apreendidos, em frente ao Manauara Shopping, seria de um motorista vinculado  à empresa Uber, serviço que começou a funcionar nessa quarta-feira (12) em Manaus.  Questionada, a SMTU se negou a informar se a apreensão foi de um veículo da plataforma.

De acordo com a SMTU, quatro carros e dez motos foram apreendidos durante fiscalização nas Zonas Norte, Oeste e Centro-Sul. Ainda segundo o órgão, os veículos estavam “irregulares conforme estabelecido nas legislações vigentes correspondente a cada modal”. Questionado, o órgão não especificou quais irregularidades foram encontradas.

VEJA MAIS: Testamos: veja as primeiras impressões que tivemos sobre a Uber em Manaus

A SMTU também negou que as fiscalizações tenham sido direcionadas ao Uber e, por nota, sugeriu que o serviço não é autorizado em Manaus.

“Em cumprimento as legislações municipais vigentes, faz parte da rotina da SMTU a realização de fiscalizações periódicas contra quaisquer serviços de transporte de passageiros não autorizados. Essas fiscalizações sempre aconteceram antes mesmo do surgimento dos aplicativos em questão”, disse o órgão.

No vídeo enviado à reportagem, taxistas registram o momento da apreensão do veículo e comemoram o feito. Fiscais da SMTU abordam o motorista e o veículo é retirado por um guincho.

A reportagem procurou a Uber, que informou que não detalharia se houve apreensões de veículos parceiros por conta da política de privacidade da empresa. No entanto, a Uber enviou uma nota na qual afirma não concordar ” com apreensões porque o serviço prestado pelos motoristas parceiros não só encontra respaldo na legislação Federal mas ainda na própria Constituição Federal”.

A nota da empresa afirma ainda que ” nossos parceiros precisam ter os seus direitos constitucionais de trabalhar (exercício da livre iniciativa e liberdade do exercício profissional) preservados”.

Comentário meu:

O UBER é um aplicativo que quebra a exclusividade do serviço de táxis. Isso aconteceu no mundo inteiro e agora chega a Manaus. Todo o respeito pelos taxistas, mas o UBER veio para ficar. As resistências iniciais serão superadas como foram no mundo inteiro.

De outro lado, os serviços de taxis precisam e devem se modernizar, bem como o poder público deve reduzir/eliminar as taxas cobradas e que são altas.

A SMTU erra quando reprime o UBER. Isso lembra os que na Revolução Industrial queriam quebrar as máquinas porque geravam desemprego.

Vivemos agora a fase da Revolução da Tecnologia de Informação, a época dos aplicativos. Os exemplos são os mais variados: cadê as lojas de CDs? A internet e o iphone quebraram todas. E as locadoras de vídeos? E os bancos que reduzem o número de bancários todos os dias por conta do uso da internet nos negócios do mercado financeiro?

O mundo anda pra frente e não para. E o motor dessa mudança chama-se SUA EXCELÊNCIA, O CONSUMIDOR. 

Aliás, volto a máquina do tempo e lembro-me quando nos anos 70 o então Prefeito de Manaus, Frank Abrahim Lima anunciou a construção da ponte ” nova” de Educandos  (foto abaixo) houve quem erguesse a sua voz dizendo:

” E os catraieiros ( que faziam a travessia dos passageiros de uma margem para outra do igarapé na epóca da cheia) o que será feito deles? A ponte vai gerar desemprego e sou contra” .

Não encontrou eco

Venceu o usuário, ou seja ” o consumidor do serviço”  que obviamente deixou de atravessar de catraia para usar a ponte.

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