PT e PSDB: Agenda nacional

Nas últimas quatro eleições presidenciais foram dois os pólos: PSDB e PT. Cada um ganhou duas eleições. Os dois, no poder, tiveram praticamente as mesmas dificuldades de governabilidade. Resultado: tiveram que se aliar a partidos e pessoas que sempre estarão no poder, em troca de cargos, favores, e outras coisas mais. Em 2010, no ritmo em que as coisas vão, serão eles de novo os dois pólos da disputa. Em 2007, participei de uma conversa em São Paulo. Presentes, um tucano de alta plumagem, um petista histórico e influente, um democrata em ascensão e um ministro do Governo Lula.

Concordamos que como nos últimos vinte anos todos os partidos já foram governo e oposição, sabíamos de dificuldades comuns a todas as administrações. E a primeira delas era exatamente a governabilidade e as relações no Congresso Nacional. Daí a necessidade de uma agenda nacional mínima comum, no sentido de mudar pontos de estrangulamento e isolar o clientelismo que tanto mal tem feito ao Brasil.

Recentemente a Senadora Marina Silva ( PT-AC), lúcida como sempre, em artigo na Folha de S. Paulo, abordou o tema com precisão e expressou o que nós conversamos naquela reunião em São Paulo. Faço minhas as suas palavras, a seguir transcritas:

“HÁ UM QUASE consenso de que a política brasileira precisa de mudanças profundas. São várias as receitas, desde implosão total até uma reforma empacada há tanto tempo que o problema parece estar menos nas regras e mais na cultura política, obcecada pelo poder como objetivo em si.
Nosso sistema político se descola perigosamente da função de fazer a mediação entre ideais e a vida real. Não consegue enxergar além dos conflitos intra e interpartidários, das artimanhas eleitorais, das disputas irracionais e da gana de impor derrotas ao adversário, ao custo, às vezes, do próprio interesse nacional.
Há saídas, e senti isso na negociação das comissões no Senado, com parlamentares de vários partidos dispostos, acima de suas demandas, a preservar pilares democráticos, tais como os direitos da minoria.
Dois partidos, PT e PSDB, têm responsabilidades específicas para aprofundar esse caminho. Desde o final do regime militar, têm sido as forças mais estáveis no comando do país e, talvez até por isso, identificaram-se com projetos nacionais, mais do que os outros grandes partidos.
Por vários motivos, de PT e PSDB se esperariam limites à guerra política, mas há exemplos, de parte a parte, de comportamento contrário. Erram quando se recusam ao diálogo sistemático em questões cruciais e são vítimas da própria armadilha: no governo ou na oposição, têm que se aliar indiscriminadamente.
Se mantivessem pontos de contato, dificilmente se tornariam reféns de maiorias indefinidas e, muitas vezes, inconseqüentes. A permanente possibilidade de aliança entre ambos equilibraria os acordos políticos em geral, atraindo quadros responsáveis do PMDB, do DEM, do PV, do PDT, do PSB -de todos, enfim- e reduzindo a margem de casuísmos.
Unidos pelo resgate da política e por meio de um alinhamento ético, PT e PSDB contribuiriam para catalisar o que há de melhor em todos os partidos, em benefício de si mesmos, dos demais e, principalmente, do país.
Parafraseando o senador Suplicy, seria uma espécie de renda básica da governabilidade, assegurando o interesse nacional acima de agendas partidárias e disputas de data marcada. E isso é possível. Arriscado é nos enredarmos no passado, fazendo de conta que estamos com os olhos no futuro. O futuro exige, no presente, política de futuro: madura, menos mesquinha, apta a enfrentar tempos de instabilidade e vulnerabilidade.
Se PT e PSDB serão duas grandes forças nas eleições de 2010, que comecem a definir agora os seus próprios termos de referência para que elas aconteçam, de fato, em torno de projetos para o Brasil.”

5 comments

  1. Meu amigo sarafa parabens pela iniciativa de criar este espaço que com certeza sera democrático, para podermos ter uma panorâmica das questões nacionais.
    O seu comentário a respeito do texto da grande senadora Marina me da demonstração disto, coisa que faço questão de assinar em baixo.
    Mas tambem servira com certeza para voce mostrar para todos, aquilo eu e quase qutrocentas mil pessoas sabemos: o que foi o seu governo, que mudou para melhor a cidade que tanto amamos. Servirá também para mostrar a descência a seriedade e acima de tudo a solidariedade para com os seus companheiros com é o caso do grande metalurgico Presidente do PSB em Manaus, por hora vereador eleito pelo povo e com certeza assim há de ficar até o fim de seu mandato porque a justiça há de ser feita ou por força de uma outra tarefa que o seu partido lhe der.
    Um grande abraço e como voce mesmo diz vamos em frente, ate a proxima blogada!

  2. Folha de São Paulo | 22/2/2009

    Lula estimula fogo amigo de “bloquinho” ao dar poder a PMDB

    Escanteados das discussões sobre a sucessão em 2010, partidos de esquerda criticam pré-candidatura de Dilma; PSDB já assedia PSB

    Deputado Márcio França, líder do “bloquinho”, defende prévia entre partidos aliados para a escolha do nome do candidato à sucessão de Lula

    Engolidos pela força e pelo prestígio do PMDB no governo Lula, os partidos de esquerda que formam o “bloquinho” se tornaram o principal foco de tensionamento na base aliada. O PSDB tenta capitalizar essa insatisfação e já assedia abertamente o PSB, visando 2010.

    Escanteados das discussões sobre a sucessão de Lula, PSB, PC do B e PDT, os dois últimos em menor grau, fazem críticas à pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Reclamam que a escolha do nome da ministra foi feita sem ouvir os aliados. Além disso, dizem haver uma articulação para minar uma eventual terceira via entre a ungida por Lula e o virtual candidato tucano.

    “Lula tem falado da Dilma, e não abre chance de outra hipótese. Ele quer [o tucano José] Serra contra Dilma, e as pessoas que querem agradar o presidente caminham para isso”, disse o deputado Márcio França (PSB-SP), líder do “bloquinho”. Ele defende que partidos aliados se submetam a prévias para escolher o candidato à sucessão de Lula, o que abriria espaço para nomes como o do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que aparece em segundo nas pesquisas. O PSB programou viagens com Ciro após o Carnaval. O giro começa no Rio Grande do Sul, reduto de Dilma.

    “Trocar a mulher pela paquera com o PMDB pode não ser um bom negócio”, diz França, recordando que, na eleição municipal de 2008, Marta Suplicy (PT) não recebeu o apoio dos peemedebistas e ficaria isolada não fosse o PC do B.

    Desde dezembro, o governador José Serra (PSDB-SP) tem conversado com frequência com lideranças do PSB, entre elas o presidente nacional do partido, governador Eduardo Campos (PE), na tentativa de atrai-los para o seu projeto em 2010. O governador Aécio Neves (MG), também pré-candidato tucano, faz o mesmo.

    A Folha apurou que, em um desses encontros, o partido deixou claro a Serra que sua primeira opção é manter a aliança com o PT porque não teria como justificar ao eleitorado uma guinada de posição -o PSB controla hoje dois ministérios, além de ser parceiro em prefeituras. Ao mesmo tempo, manteve a porta aberta para o tucano. Caso este vença, o PSB não faria oposição.

    Nordeste

    A cúpula do PSB tem boas relações com os dirigentes tucanos, incluídos Serra, Aécio e o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE). O próprio Ciro Gomes, que já trocou farpas públicas com Serra, estaria menos reticente em relação ao governador, dizem aliados.

    O interesse do PSDB pelo PSB se justifica pelo potencial eleitoral do partido na região onde Lula é mais forte. O PSB elegeu 206 prefeituras no Nordeste, a maioria nos rincões. Foi o segundo melhor resultado na região, atrás apenas do PMDB, com 338 prefeituras.

    Além disso, o PSB governa Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte. Os governadores dos dois primeiros Estados (Campos e Cid Gomes, irmão de Ciro) deverão buscar a reeleição em 2010 e têm hoje como “sombras” justamente dois petistas: o ex-prefeito de Recife João Paulo e a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins.

    Apesar de insatisfações pontuais com o governo e com o protagonismo do PMDB, o apoio de PC do B e PDT ao projeto de Lula em 2010 é dado como praticamente certo.

    PT e PC do B são aliados históricos. O PDT, com a morte de Leonel Brizola em 2004, ficou sem um líder capaz de tocar um projeto próprio. O Planalto também não acredita que o PSB deixe a aliança -PT e PSB são aliados em muitos Estados.
    Criado em 2007, o “bloquinho” -que reúne PMN e PRB, além de PC do B, PSB e PDT- chegou a ser a segunda maior força do Congresso, atrás somente do PMDB.
    A ideia dos partidos era reunir forças para competir com PT e PMDB e, assim, ter papel mais importante na base de Lula. Mas, nas eleições municipais de 2008, a aliança não se repetiu nos Estados como se esperava, e o bloco saiu enfraquecido.

    Na disputa pela presidência da Câmara, em janeiro, o racha ficou evidente: estimulado pelo Planalto, o PDT decidiu deixar o “bloquinho” e se aliou à candidatura do peemedebista Michel Temer (SP), abandonando Aldo Rebelo (PC do B-SP).

    “O bloco não se viabilizou como um campo político, limitou a ação parlamentar de cada partido e faltou integração até no campo eleitoral”, admite o líder do PDT, Brizola Neto (RJ). Para o secretário-geral do PSB, Renato Casagrande (ES), a desunião foi alimentada pelo governo federal.

  3. Caro Serafim, sua idéia do blog é excelente.Faça dele a sua tribuna do momento.Apreciei a análise sobre as relações PT/PSDB. Gratíssimo pela publicação do meu artido dominical do Diário. Se puder fazer o mesmo com o das segundas, do DEZ MINUTOS,agradecerei de novo. O mais fraterno abraço do Arthur

  4. Meu querido Sarafa, eu estou muito feliz porque sei que agora eu e os mais alienados e sobre tudo, os mais entendidos da nossa cidade de Manaus, poderemos estar mais perto de vc. Parabéns pelo seu gol de placa em fazer desse espaço um contato direto com a população, estarei sempre aqui lendo seus artigos e aprimorando mais o meu conhecimento. Sempre com vc sarafa, valeu felicidades e que Deus te abençoe e faça do seu caminho uma manta sagrada.
    Gostei de sua análise sobre o PT e PSDB, já estamos vivendo eleições antecipadas…
    “Serafim Correa, por esse eu tenho orgulho de ser amazonense e de ser manauara”
    Um forte ABRAÇO do seu amigo ERLAN

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