Príncipe Charles, 30 anos depois

Foto: Eraldo Lopes
Em 1978, eu trabalhava na Receita Federal, no prédio da Av. Eduardo Ribeiro, e estacionava o meu carro na Alfândega. Uma manhã, ninguém pôde estacionar. No local, um grande esquema de segurança. Havia um visitante ilustre: o príncipe Charles, à época solteiro. Ele visitava o prédio da Alfândega, que veio pré-fabricado da Inglaterra no início do século XX, uma das relíquias do patrimônio histórico de Manaus e que passava por uma restauração.

Nessa viagem, quando passou pelo Rio de Janeiro, o príncipe foi até à quadra da Beija Flor de Nilópolis, onde reinavam Joãsinho Trinta, o carnavalesco que revolucionou os costumes, e a Porta Bandeira, Pinah, uma negra que raspava o cabelo e sempre alcançava nota dez. Encantou-se pela “cinderela negra” e caiu no samba. No ano seguinte, a Beija Flor veio com o samba: ” Pinah, eh eh eh Pinah, a cinderela negra que ao príncipe encantou…”

Trinta anos depois, o príncipe Charles está de volta a Manaus. O prédio da Alfândega continua lá, imponente e bonito, mas não terá uma nova visita do príncipe, que desta vez está preocupado com o meio ambiente e a Amazônia que, aliás, em tempos de aquecimento global, passaram a integrar a agenda do mundo. Pena que por aqui ainda não tenhamos consciência disso. Talvez a visita do príncipe ajude a todos nós despertarmos para a riqueza que temos nas mãos e a nossa responsabilidade com as futuras gerações. Que assim seja.

2 comments

  1. Sarafa amigo , gosto muito quando Vc conta estes “causos”, aliás acho que Vc deveria usar mais este espaço para relembrar de forma leve e bem humorada, crônicas da sua vivencia tanto como prefeito quanto a pessoa física vivida e bem informada que Vc É…
    Poderia se chamar memórias da cidade.
    Quanto a visita do principe , temos que realçar que a Zona franca é a maior organização ambientalista do mundo , pois ajuda a preservar nossa floresta!
    Forte abraço

  2. Samuel: vou procurar na redação das notas incluir esses “causos”. A visita do principe é uma oportunidade de vender o projeto Zona Franca como ele é: ambientalmente correto.

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