Meio Ambiente: Assunto sério e de interesse coletivo

Em nosso estado a questão do meio ambiente sempre foi vista como uma questão menor. Lembro-me que professores da Universidade do Amazonas, nos anos 70, alertaram para os riscos que corríamos caso continuássemos menosprezando as questões ambientais, e que não foram levados a sério. Roberto Vieira, de saudosa memória, Marcus Barros, Martha Falcão e Frederico Arruda não conseguiram sensibilizar ninguém com a sua pregação em favor do meio ambiente. No campo político, nem se fala. O então senador Evandro Carreira, ouvido sobre o tema fora daqui, em sua própria terra não era levado a sério.

O tempo passou e as previsões do aquecimento global e as suas conseqüências para a qualidade de vida das pessoas estão se concretizando lamentavelmente.

Novos idealistas se juntaram à causa, como a Luciana Valente, a procuradora Maria José Nazaré, o promotor Mauro Veras e o Juiz da Vara do Meio Ambiente, Dr. Adalberto Carin Antonio, para citar alguns, mas efetivamente foi o aumento da temperatura e a fumaceira existente hoje em Manaus que soaram os alarmes para a questão.

Foi preciso chegar a esse ponto para que a consciência coletiva aumentasse.

Nesse contexto, louvável sobre todos os aspectos, mas em especial pela simbologia, a iniciativa do Desembargador Domingos Chalub, Presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, de chamar todos os órgãos que tratam do assunto para que medidas concretas sejam tomadas no combate às queimadas que provocam a névoa seca que tem coberto Manaus todos os dias.

Leia a notícia na íntegra retirada do site do TJAM:

O presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Domingos Chalub, mobilizou na manhã desta segunda-feira (5 de outubro de 2009) uma força tarefa para combater a névoa seca causada pela poluição das queimadas que está cobrindo Manaus. Para isso, o desembargador convocou para uma reunião representantes da Vara de Meio Ambiente, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Meio Ambiente, Instituto de proteção Ambiental (IPAAM), Policia Federal, Militar e representantes da Assembléia Legislativa e Câmara Municipal.

A reunião teve início às 11h e entrou pela tarde. Para alguns, a fumaça que cobre a cidade é fruto das queimadas realizadas no entorno de Manaus. Mas, para outros, ela está vindo de estados vizinhos que desmatam bem mais que o Amazonas.

“Não podemos ficar indiferentes a esse problema que vem prejudicando a saúde da população e atingindo serviços importantes como o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, que na semana passada operou por instrumentos durante três horas devido à falta de visibilidade”, disse o desembargador durante entrevista coletiva convocada.

Participaram da reunião o Superintendente Regional de Policia Federal, Sérgio Lúcio Fontes, os vereadores Glória Carrate, Mario Bastos, Leonel Feitoza, Arlindo Júnior da Câmara Municipal de Manaus; o promotor Mauro Veras Bezerra, do Ministério Público do Amazonas; o comandante-geral da PM, cel. Dan Câmara, o comandante do Corpo de Bombeiros, cel. Antônio Dias dos Santos; o juiz Adalberto Carim Antônio, da Vara de Meio Ambiente, e Jeú Linhares Bentes Junior, representante do Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam).

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os incêndios florestais, que acontecem em toda a região metropolitana de Manaus, aumentaram 371% em setembro, se comparado com o mesmo período do ano passado.

– Já recebemos 700 chamados com denúncias de focos de incêndio em setembro, contra 81 em 2008 – disse o cel. PM Dias, comandante do Corpo de Bombeiros informando que o número de chamados denunciando focos cresce a cada dia. Foram onze no sábado, 13 no domingo e 14 nesta segunda-feira.

Para o juiz Carim, da Vara de Meio Ambiente, as queimadas agravam a situação, mas a névoa seca que atinge Manaus está vindo de outros estados. “Existe uma estiagem e uma cobertura de fumaça nesta época do ano que deveria se dissipar naturalmente, mas isso não vem acontecendo.

“O Art. 38 prevê prisão para quem vem praticando esse tipo de crime que estabelece até um a três anos de prisão”, disse o magistrado, explicando que destruir ou danificar floresta considerada de preservação permanente é um “crime mundial”. Mas ele acredita que a punição não resolve o problema. “Uma campanha de conscientização e educação ambiental surtiria mais efeito”, comentou.

Fenômeno El Niño

A situação é grave de acordo com o Corpo de Bombeiros. Manaus vem sendo atingida por uma estação seca e agravada por uma estiagem. Em setembro deveria chover 83,3 mm, mas, até hoje, as chuvas somaram apenas 4,2 mm, de acordo com o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

O noroeste e leste do Amazonas também sofrem uma estiagem atípica, resultado do fenômeno El Niño (aquecimento das águas do oceano Pacífico). De acordo com o Instituto de Meteorologia, como o ar está quente por causa das queimadas, nesta quarta ocorreu uma inversão térmica na superfície, formando a névoa seca sobre a cidade. Até o início da tarde, a fumaça persistia na atmosfera.

“A fumaça vem das queimadas do entorno de Manaus, é só pegar um avião e ver. Existem muitos focos de queimadas naturais ou as que têm influência humana”, disse à imprensa a meteorologista Lúcia Gularte.

Hoje, o sistema de monitoramento de queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) registrou 19 focos no Amazonas. De acordo com os números revelados pela secretária municipal de Meio Ambiente, órgão já multou cerca de 500 pessoas por queimadas ilegais.

5 thoughts on “Meio Ambiente: Assunto sério e de interesse coletivo

  1. Nos últimos dois anos às queimadas estavam inibidas, principalmente pela boa atuação da Dra Luciana Valente. Mas, ……, sem contar com as Invasões. Vamos trabalhar Prefeito.

  2. Sarafa como vc nao citou, aproveito este da fumaça para questionar outro foco de incendio!! é engano meu ou vc nao deu nenhuma importancia ao fato do brasil ter a primeira cidade da america latina como sede olimpica em 2016??? nenhum jornal de grande circulaçao colocou esta conquista brasileira em destaque na primeira pagina, exceto o jornal do brasil conforme exposiçao do conversa afiada que cita portal vermelho e observatorio da imprensa que destacaram esta comoda situaçao de abafa o fumacê do lula da midia tupiniquim. diferente do destaque e importancia dada pelos jornais internacionais que reservaram a primeira pagina para o brasil!!!

  3. A falta de continuidade da campanha de controle das queimadas urbanas, pelo Município, pode ser constatado por toda a cidade com o recrudescimento desta prática. Todos os dias, praticamente, a imprensa noticia a ocorrência e aumento de queimadas em Manaus, sem que a Prefeitura tivesse tomado nenhuma iniciativa para reativar a campanha.
    Ouvi uma entrevista do Comandante do Corpo de Bombeiros em que ele afirmava que as queimadas urbanas aumentaram 300% (TREZENTOS POR CENTO!!) em comparação ao ano passado!
    Só então a SEMMAS entendeu que não dava mais para fingir que o problema não era com ela – “lançou-se” a campanha das queimadas 2009, antes tarde do que nunca …
    Para quem deseja entender melhor o problema das queimadas urbanas, indico o site http://www.trajetoriadafumaça.com.br.
    O mais interessante (?!) é que um Município que pretende discutir profundamente o aquecimento global, tenha pensado que podia esquecer do LOCAL! Enquanto realiza a Cúpula de Governos Locais, não há como deixar de fazer todos os dias o seu dever de casa para diminuir, pelo menos em nossa cidade (como é sua obrigação) os efeitos das mudanças climáticas.
    A bem-sucecida Campanha de Prevenção às Queimadas Urbanas, que este ano foi abandonada, tinha conseguido, entre os anos de 2005 e 2007, uma redução de 846 registros de queimadas no primeiro ano, para 341 no último ano (ou seja 60%).
    Esses números foram ainda melhores no controle do Corpo de Bombeiros – DIOPS, que havia registrado em 2005, 668 incêndios em vegetação em Manaus; em 2006, 542 e em 2007, apenas 212, ou seja uma redução de 68,26%.
    Os números da campanha na SEMMA foram os seguintes:
    Ano de 2005 – 846 denúncias registradas e 10.460 pessoas atendidas com atividades de educação ambiental, com palestras, teatro de fantoches, distribuição de material informativo e outros, sobre o tema das queimadas urbanas;
    Ano de 2006 – 638 denúncias registradas, 5.390 pessoas atendidas com atividades de educação ambiental e mais 1.200 multiplicadores formados entre professores da rede municipal, agentes de saúde, líderes comunitários, etc;
    Ano de 2007 – 341 denúncias registradas, 13.897 pessoas atendidas com educação ambiental e a formação de 4.116 multiplicadores;
    Ano de 2008 – os números deveriam ter sido “fechados” em 2009, mas… a campanha simplesmente não aconteceu este ano e foram abandonadas as ações para sua continudade

  4. Meu prefeito preferido, lí hoje pela primeira vez teu blog, logico que fui parar na área ambiental, e observei que falando sobre fogo, o pessoal confunde as definições clássicas e misturam tudo sem dar solução ao problema. Falar de incendios e queimadas não é difícil, temos de saber como lidar em cada situação, levando em conta a região, sua cultura e comportamento social. Quem sabe uma conversa no rádio, o padre no sermão, como pastor nos cultos, orientando a forma correta e principalmente levando a uma utilização dessa matéria prima geradora de energia, de forma ambienatlamente adequada, porque não pensar em fazer cooperativas de fabricantes de carvão, ou mesmo de vendedora de lenha para padarias, ou outra geração de energia. Há de ter uma saída, há de se pensar. Ninguém melhor que o próprio “caboclo” para uma solução.
    Um abraço
    1/2 do Paraná para o Amazonas.

  5. Caro Luiz, pra nós sempre o nosso 1/2:
    As sugestões que vc dá são boas. O problema é que só agora está caindo a ficha de que queimar não é sinonimo de progresso e traz consequencias para todos.Já estivemos mais longe. Vamos em frente e obrigado por acessar.
    Abs.
    Serafim

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