Comércio, eixo propulsor da economia – II

O Brasil, superando de vez a recessão e consolidando o crescimento econômico sustentável (exclusive o período da pandemia), em 25 anos três de cada quatro brasileiros ativos deverão estar empregados no setor terciário (comércio e serviços), ao que aponta o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no estudo “natureza e dinâmica das mudanças recentes na renda e na estrutura ocupacional brasileiras”. Em 2036, diz o estudo, esses setores representarão 80,9% do nosso Produto Interno Bruto (PIB).

 

De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a População Economicamente Ativa (PEA) brasileira, a faixa acima de 15 anos de idade, representa 63,05% da população. Ainda segundo o IBGE, do total da população ativa no Brasil, cerca de 25% encontram-se no setor primário, 15%, no setor secundário e em torno de 60%, no setor terciário. A representatividade do setor passou de 69% do Valor Adicionado ao Produto Interno Bruto (PIB) em 1997 para 73% em 2018, segundo dados das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE.

 

O setor terciário da economia abriga o conjunto de atividades humanas relacionadas à oferta de serviços e à prática do comércio nas mais diversas escalas. Por definição é tido como aquele que produz os chamados bens “intangíveis” ou imateriais (os serviços) – telecomunicações, turismo, bancos, hotéis e restaurantes, serviços de consultoria, serviços médicos e odontológicos, advogados, vendedores, representações comerciais, corretagem de imóveis, serviços públicos, dentre inúmeros outros exemplos. Por outro lado, ao comércio destinam-se os bens produzidos pelos setores primário e secundário para venda ao consumidor final .

 

O comércio configura uma das mais importantes atividades ao longo dos tempos. Manifesta-se em nível global, regional e local, envolvendo pequenas trocas e até complexas transações entre multinacionais. Com os avanços tecnológicos propiciados pelas sucessivas revoluções industriais, esse setor intensificou-se em todas as escalas e em todas as localidades do mundo. Segundo o IBGE, o Amazonas, em particular, alcançou a segunda maior alta no setor de serviços no mês de junho de 2020 entre os estados brasileiros. Pesquisa do Instituto mostra que o setor avançou 8,3% em junho, na comparação com o mês de maio, bem acima da média nacional, de 5%. O IBGE também constatou altas nos setores da indústria e do comércio em junho no Amazonas, que igualmente foram destaques no país. O comércio, este mês de setembro, cresce em torno de 20% relativamente a agosto.

 

De acordo com o secretário Jório Veiga, do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o Amazonas está recompondo os estoques da cadeia produtiva, esgotados durante o período de paralisação imposto pela pandemia do Covid-19. Tal movimento vem permitindo a recuperação da produção e das vendas a nível nacional. Localmente, “com a reabertura da economia e a diminuição das restrições à circulação de pessoas, a demanda reprimida acabou puxando as compras. O retorno à normalidade, embora parcial, com restrições sobre as diversas atividades, como restaurantes e academias, por exemplo, fez com que as pessoas circulassem mais e comprassem mais”, salientou.

 

Mesmo não contando com estímulos fiscais e financeiros especiais, de acordo com dados da Sedecti, o PIB do setor relativo ao primeiro trimestre de 2020 comparativamente a igual período de 2019 registrou crescimento de 5,66%, seguido pela Indústria (3,91%) e Impostos (2,53%). O setor contabiliza em junho passado 402 mil empregos formais, contra 85 mil do PIM. Quanto a arrecadação tributária, entre janeiro e julho deste exercício sua participação foi de 43,02%, contra 37,2%  da indústria e 19,78% de combustíveis, energia elétrica e serviços. Há de se salientar, a propósito, que, segundo a ACA, o comércio em Manaus vem cumprindo estritamente os protocolos de distanciamento social e ao uso de álcool em gel e máscaras.