Ao temer atos políticos, democracias começam a morrer

Ao temer atos políticos, democracias começam a morrer

Quem aplaude crueldade contra Lula pode ser vítima amanhã
Fonte: blogdokennedy.com.br

Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Ao temer atos políticos, as democracias começam a morrer. O teatro protelatório da Justiça e da Polícia Federal para impedir Lula de velar e sepultar o irmão Vavá é um precedente perigoso que mancha a democracia brasileira.

Aqueles que aplaudem hoje a crueldade contra o ex-presidente podem ser vítimas no futuro de uma ação persecutória do mesmo tipo. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, autorizou Lula a encontrar familiares e, eventualmente, o corpo do irmão numa unidade militar minutos antes de Vavá ser enterrado.

Isso é um absurdo, sobretudo se for levado em conta que a ditadura militar de 1964 permitiu, tempestivamente, a saída de Lula da prisão para comparecer ao velório e sepultamento da mãe, dona Lindu. A Justiça adotou procedimento protelatório para evitar contato de Lula com a imprensa, amigos e militantes do PT.

Será que a democracia brasileira é tão frágil que não pode ouvir o que Lula tem a dizer à imprensa? Ou será alquebrada por manifestações de militantes petistas num velório?

Há interesse público e histórico numa entrevista de Lula. Todos os jornalistas deveriam estar disputando esse furo. Mas parece que Lula morreu, não pode abrir a boca, não deve ser visto, precisa ser esquecido, é assunto proibido no debate público…

Não me parece que Lula seja tão perigoso assim. Ou será?

Na Antiguidade, havia tréguas para recolher mortos em batalha e permitir que parentes e amigos pranteassem entes queridos. No Brasil de 2018, isso não é possível. Tem algo errado rolando por aqui.

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Outros temas

Os riscos e apreensões a respeito da barragem de Casa Pedra nas cidades mineiras de Belo Vale e de Congonhas do Campo, as incertezas na disputa pela presidência do Senado e a perseguição do regime de Nicolás Maduro a jornalistas foram outros temas do “Jornal da CBN – 2ª Edição”. Demonizar a Vale também não é o melhor caminho, mas a empresa precisa se reinventar.

Ouça abaixo: