Recuperação econômica no pós covid-19

Tal qual uma dádiva dos deuses em contrapartida aos estragos provocados pela pandemia covid-19, os governos dispõem de uma oportunidade única, que devem aproveitar para instrumentar uma recuperação includente social e economicamente falando. Uma recuperação, enfim, que não apenas proveja rendas e postos de trabalho, senão, por outro lado, que incorpore objetivos mais amplos relacionados ao bem estar integral da nação. Para Ángel Gurría, secretário geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em artigo recém publicado no Portal da entidade, o concerto das nações está lutando contra a emergência sanitária planetária do covid-19 e suas repercussões econômicas e sociais.

 

Para ele, o mundo não estava preparado para o confronto, como jamais esteve em relação a quaisquer outras pandemias ocorridas ao longo da história. O Brasil, contudo, pode se tornar o país em melhor condição de sair da crise não tão maior do que entrou, certamente, todavia, mais equilibrado que muitos outros países desenvolvido ou em desenvolvimento. Por um fator transcendental, nosso agronegócio, que nos proporciona um sistema produção de alimentos que aguenta impactos de disrupção global. Há quem considere que a prova de fogo esteja sendo ultrapassada agora, durante a pandemia do novo coronavírus.

A saber: enquanto algumas nações são altamente dependentes de importações de alimentos, o Brasil exporta para 160 países carnes, frutas, soja, café, celulose, suco de laranja, açúcar, carnes de frango e de suínos, minério de ferro, milho, petróleo. Dados do Ministério da Economia informam no acumulado dos quatro primeiros meses deste ano, a balança comercial apresentou superávit de US$ 12,264 bilhões. Registrou crescimento de 17,5% nas vendas externas do setor agropecuário, de 2,7% nas exportações da indústria extrativa, e uma queda 12,6% em produtos da Indústria de transformação.

Tal cenário criou mais um desafio para o agro superar e poder se manter como um dos mais exitosos setores da economia brasileira, respondendo, segundo o IBGE, por mais de 21% do Produto Interno Bruto (PIB), por quase 18,5 milhões de empregos e por cerca de 42,5% das exportações totais do país. Previsões da ONU e da USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) dão conta de que só haverá segurança alimentar no planeta nos próximos 10 anos se a oferta de alimentos crescer 20%, considerados os aumentos das populações e da renda per capita dos países emergentes.

De acordo com estudos do ex-ministro da Agricultura e professor da FGV, Roberto Rodrigues, para que esse crescimento da oferta global se materialize, o Brasil terá que aumentar a sua própria em 41% no período. Essa diferença significativa, segundo afiança é atribuída a três fatores cuja simultaneidade é rara: temos uma tecnologia tropical sustentável, disponibilidade de terras e, sobretudo, gente empreendedora e capacitada a promover os saltos demandados. Com efeito, face à sustentabilidade de nossa produção restabelecida e ao conhecimento das tendências de consumo, o Brasil se posicionará competentemente no cenário da segurança alimentar global, resgatando seu papel de grande campeão da paz, visto que não haverá paz enquanto houver fome, conclui.

 

O Amazonas precisa ganhar espaço no conjunto de estratégias do governo Federal voltadas à recuperação econômica no pós covid-19. Os estragos da pandemia no Polo Industrial de Manaus (PIM) são de extrema severidade. É, por conseguinte, de alta prioridade estruturar novo modelo de desenvolvimento consubstanciado na bioeconomia (a exploração sustentável da biodiversidade), na mineração, no ecoturismo e no agronegócio. A única e efetiva via de  integração definitiva dos três setores de nossa economia, 85% suicidamente concentrada no PIM. Governo, Suframa e Sudam, em sintonia com as classes produtivas, precisam agir rápido, atentos às inovação tecnológica. Fora disso, 2073 poderá vir a se tornar um “déja-vu” de 2020.