O JORNAL “O ESTADO DE SÃO PAULO” ASSUME QUE APÓIA SERRA

Pela primeira vez um veículo do porte de O ESTADO DE SÃO PAULO assumiu publicamente que apóia um candidato a Presidente da República, no caso, José Serra (PSDB). Isso que é comum nos Estados Unidos, aqui é novidade. Com isso, a partir de agora, os seus leitores vão ler o jornal sabendo que ele tem lado e, portanto, relativizarão as suas opiniões e matérias. Seria muito bom que Brasil afora cada um manifestasse a sua posição, fosse ela de apoiar um candidato, ou outro, ou ainda dizer que está equidistante. Nesta última situação tem que dar voz e espaço sempre a todos os lados. Espera-se que o exemplo seja seguido por outros veículos.

Leia o editorial extraído de O ESTADO DE SÃO PAULO:

A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este jornal. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside.

E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas nesta página editorial. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apoia a candidatura de José Serra à Presidência da República, e não apenas pelos méritos do candidato, por seu currículo exemplar de homem público e pelo que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos. O apoio deve-se também à convicção de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.

É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir.

O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana.

Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso.

E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?”

Este é o mal a evitar.

8 thoughts on “O JORNAL “O ESTADO DE SÃO PAULO” ASSUME QUE APÓIA SERRA

  1. Seria bom se os jornais de Manaus seguissem essa linha de conduta e acabassem de vez com essa conversinha fiada de “jornal imparcial”.

  2. Solicito publicar este meu comentário feito em um post do Blog do Hiel sobre o fato de todos nós assumirmos nosso lado quando o assunto e eleição:

    Hiel é muito salutar para a democracia “sair do armário” eleitoralmente. Como vc diz não há neutralidade quando se fala de politica e de politicos.
    Todos temos seguramente nossas preferencias.
    Agora às vezes essa preferencia chega tarde demais. O sujeito fica anos e anos “dentro do armário” dando (sem trocadilhos) ibope para alguem ou massacrando outros e não diz claramente e nem assume quem ele é de verdade.
    Veja o caso o Raimundo HOLANDA. O camarada ataca o Eduardo, destroi o Alfredo durante meses, anos a fio e somente às vesperas do pleito assume de que lado está somente depois de o estadão assumir tbem seus riscos.
    Isso não é imparcialidade. Isso não é carater isento. Isso é covardia e falta de coragem jornalistica e antidemocracia.
    Pelo menos todos os que te leem sabem de que lado vc está. Todos nós sabemos em quem vc vota e quem vc é contra. Ponto pra vc . Ponto pro Estadão. Ponto pro Tiradentes, prá Baby, pro Aldisio, etc etc. Ponto prá Democracia brasileira. Parabéns pelo post.

  3. O Jornal “O Estado de São Paulo” assume seu apoio ao José Serra, porque sabe que o seu papel perante a sociedade, nem para limpar o C__ serve

  4. Dilma nunca falou com tanta dignidade, erros acontecem por irresponsabilidade de governantes que fazem favores apadrinhamento prevendo o próximo pleito, para sua reeleição ou para o seu sucessor, e assim sendo vale o que Serra falou, nada de apadrinhamento concursos para todos os cargos no serviço publico inclusive acessores, se assim fosse a política e o governo seriam moralizado, essa de vou dar esse cargo a fulano e ou a beltrano ele é meu amigo ele me dar votos isso não é decente.

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