Empresariado mobiliza-se no combate ao covid-19

É alarmante o grau de incidência do Covid-19 no Amazonas. Números muito preocupantes a indicarem sério grau de descontrole, quadro de extrema complexidade. Com efeito, governo do Estado e Prefeitura de Manaus mais do que nunca precisam ajustar seus “timing” intervencionistas no que diz respeito a medidas urgentes de controle da doença. Igualmente em relação à disponibilidade de caixões, enterros e assistência social sobretudo no tocante às famílias  dos vulneráveis. Uma vergonha não poder dar destino digno a nossos mortos, quando tantas oficinas moveleiras encontram-se paralisadas em Manaus devido à crise.

 

A situação no Brasil agrava-se. O país ultrapassou a China no total de infectados pelo vírus: 85.380 contra 82.862 do país asiático. O país alcançou a 9ª posição entre as nações mais infectados pelo novo coronavírus. Levando em conta as mortes por milhão de habitantes, 7 dos 10 primeiros Estados são do Norte ou Nordeste. O Amazonas é o primeiro, com taxa de 91,7, seguido de Pernambuco (56,3), Ceará (49,3), São Paulo (48,9) e Amapá, com 36,7. Na região Norte, o Acre registrou 20,4, o Pará, 18,1. Bem mais abaixo na Tabela do IBGE, encontram-se Rondônia, com 6,2 e Roraima, 9,9. Em relação às capitais brasileiras, Manaus está em quarto lugar, com 131,9, depois de S. Lourenço da Mata, PE, com 212,0, S. Luis, MA (135,2), Recife (133,1 mortes por milhão de habitantes).

 

Conscientes do avanço da pandemia no Amazonas, as classes empresariais se desdobram para ajudar o governo no combate ao Covid-19. Em artigo publicado em A Crítica, o presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, afirmou que “o setor está disposto e preparado para enfrentar a realidade por pior que ela seja. Faremos o possível para sustentar os empregos e os investimentos, pois dias difíceis pós crise Covid-19 estão por vir”. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), segundo Silva, encaminhou ao governo Federal 30 novas iniciativas que certamente ajudarão na superação da crise, ao facilitar e baratear o crédito, ampliar capital de giro e garantir fluxo de caixa para pagamento de empregados e fornecedores.

Na avaliação do quadro conjuntural, Antonio Silva foi mais além: “a pandemia dizimou muitos postos de trabalho, corroeu o poder aquisitivo daqueles que continuam com seus empregos, embora por um fio, eliminou receita de empresas e provocou falências. A recuperação da economia será muito lenta. O que nos conforta é a solidariedade de muitos, nessa hora em que a população mais necessita. As doações da FIEAM, sindicatos patronais, além de diversas empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) comprovam o engajamento e solidariedade de todos no que respeita a apoiar o Amazonas a superar a crise mais dramática de sua história.

Para o presidente do CIEAM, Wilson Périco, em função da pandemia e da dependência em mais de 90% dos produtos asiáticos para atender a urgência da contaminação do Amazonas, o setor empresarial foi surpreendido com o crescimento assombroso da contaminação e pela falta de equipamentos para proteger os profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia. Face ao problema, ao que salientou Périco, equipamentos de proteção facial, máscaras de proteção intensiva, álcool em gel e mais de um protótipo de respirador, em fase de teste pela Moto Honda e universidades do Estado do Amazonas e outro pelo Senai, Fundação Paulo Feitoza, Hospital Samel. Empresa e governo juntos contra o coronavírus.

 

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Dedico esta coluna ao economista Sérgio Melo de Oliveira, ex-chefe de gabinete corporativo da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), instituição em que trabalhou por 31 anos, falecido na terça-feira, 28 de abril. Sérgio Melo, por sua personalidade discreta, mas sempre atento e contributivo aos problemas de nossa economia, muito contribuiu para o fortalecimento da indústria amazonense.

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