Crescimento

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NOVOS RUMOS (III) – “Crescimento”
Por Amir Khair

Vimos nos artigos anteriores que para tirar o freio do consumo é necessário reduzir as taxas de juros cobradas do crediário. Em agosto estavam em 140%*. Nos países emergentes é 10% e nos países desenvolvidos 3%.

Esses 140% encarecem as compras passando o preço à vista de 100 para 240 (100 + 140 de juros). Nos emergentes seria 110 e nos desenvolvidos 103. Essa a questão central: o sistema financeiro rouba legalmente as pessoas dentro de casa ao impor esse sobre-preço aos produtos.
No artigo anterior (03.11.17) apresentei a primeira proposta para reduzir essas taxas. Os quatro maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal (CEF)) controlam 80% do mercado e determinam as taxas de juros e o lucro do sistema.

É preciso quebrar isso. Fazer com que o BB e a CEF se descolem da prática de agiotagem dos grandes bancos e reduza suas taxas do cheque especial e cartão rotativo dos atuais níveis de 350% no cartão de crédito e 296% no cheque especial para 50%! Com ampla campanha publicitária. Ganhariam além dos 50%, redução da inadimplência e aumento considerável de clientela.

Poderiam substituir financeiras tipo Crefisa para tirar os devedores do Serasa oferecendo taxas bem menores. A Crefisa usa 24% (!) ao mês aos que estão no Serasa, ou seja, 1220%ao ano! Crefisa é o símbolo do roubo maior à sociedade e financia o Jornal Nacional e o Domingão do Faustão, dois dos maiores programas de audiência da Globo.

Dilma tentou isso em 2012 e fracassou. Não teve estratégia e desistiu logo. Um verdadeiro fiasco que é sempre usado pelos defensores do mercado financeiro de que não se reduz os juros na marra. Fato é que esses bancos o mantêm elevados na marra há décadas!

Para complementar essa estratégia há que reduzir simultaneamente duas fontes anormais de lucro dos bancos: a) ganhos em cima de títulos do governo aproveitando a Selic bem acima da inflação e; b) redução pelo tabelamento das escorchantes tarifas bancárias, que sozinhas cobrem os custos fixos dos bancos. Assim, a moleza de ganhos desses bancos diminui e os força a disputar o mercado de crédito para compensar isso.

Retirada a travado do crediário sobre o consumo, a mesma massa salarial poderá adquirir os produtos a preços bem menores. Ao invés de pagar no crediário um produto que vale 100 à vista por 240 poderá adquirir por 150. Embora ainda alto esse 150 deverá aos poucos ser reduzido até o nível praticado pelos países emergentes que é próximo a 110. Avante!

No próximo artigo vou tratar do combate ao problema fiscal. Totalmente diferente a esse do governo ditado pelo mercado financeiro (Meirelles e Ilan Goldfajn).

Aguardem!

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*Média das diversas modalidades de taxas bancárias e do comércio – Fonte: Anefac agosto 2017.

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