Balanço da crise: 30 mil desempregados em 5 meses

Os números divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego,ontem, referente ao desemprego, mostram que a crise chegou primeiro no Amazonas e está se aprofundando.

A nível Brasil, o número de demissões passou a ser maior do que os de admissões em novembro passado. Em dezembro, a grande queda: 654.946 empregos a menos. Em janeiro, menos 100.000 empregos mas em fevereiro a curva se inverteu e ocorreram 9.179 admissões a mais do que as demissões.

Já no Amazonas, as demissões além de admissões começaram em outubro e continuam como se vê da tabela abaixo:

tabelademsarafa

Mais de 30.000 desempregados é um número que preocupa e assusta. As medidas tomadas até agora pelo Governo do Estado foram importantes mas não suficientes para reverter o quadro. Ontem registrei que a crise é de crédito. Os produtos do Polo Industrial, em especial, o de duas rodas,dependem de financiamentos que não estão ocorrendo na necessária medida. Em relação ao polo de quatro rodas que fica no sudeste o Governo Federal ampliou as linhas de financiamento. Já em relação á nós, nada aconteceu.

Aliás, ontem , em audiência realizada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado esse questionamento foi feito pelo Senador Artur Virgílio aos presidentes do Banco do Brasil, Antônio Francisco de Lima Neto, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho.

“Se o governo ajuda a indústria automobilística para conter o desemprego, por que não faz a mesma coisa com a indústria de Manaus, onde também está ocorrendo desemprego?” perguntou o Senador amazonense.

Mais do que uma resposta, o Governo Federal está devendo uma ação concreta.

4 comments

  1. Reitero que a manutenção do emprego no pólo de duas rodas e de eletroeletrônicos (para falar apenas dos dois maiores do PIM) depende, naturalmente, das vendas. No entanto, o aumento da isenção do ICMS de 68% para 75% não será capaz de garantir tal crescimento, mesmo resultando em baixa nos preços dos produtos. Como já foi dito antes, a crise é de crédito! A respeito da necessidade de o Governo Federal aumentar as linhas de financiamento para cá, tenho uma opinião que vai nessa direção, mas que absorve a idéia do Governo do Estado também. Talvez, na situação atual, o mais interessante seria a constituição de um fundo financeiro, formado pelos valores de tributos renunciados pelas duas esferas, a fim de que possa financiar as vendas a prazo. O fluxo seria virtual, por exemplo: 1) os valores da renúncia fiscal seriam repassados (virtualmente) para o fundo, constando como valor a ser emprestado. 2) tal fundo seria administrado pelo BB ou pela Caixa. 3) após as vendas, a empresa receberia (virtualmente) o valor correspondente, deduzida a taxa de desconto da operação. 3) o fluxo financeiro se daria apenas em relação ao valor do desconto. Desta forma, no caso específico do setor de duas rodas, a renúncia do ICMS seria algo em torno de R$ 70 milhões mensais, o que significaria o financiamento de 12.630 unidades a cada mês, levando-se em conta o valor unitário médio de R$ 5.600,00. Isto apenas com a renúncia a nível estadual! Talvez dessa maneira o Governo Federal compre a nossa idéia, de vez que o dinheiro não sairia a fundo perdido, mas seria recuperado com a cobrança dos financiamentos.

  2. Boa idéia Eduardo. O objetivo do Blog é exatamente este. Um espaço para a reflexão. Colocada a questão, as pessoas se manifestam. Parabéns pela participação.

  3. Retificando apenas os valores (mas ficando a idéia), o valor da renúncia total de ICMS do setor de duas rodas seria da ordem de R$ 12 milhões mensais, enquanto que de todo o PIM de R$ 45 milhões (mensuração a partir dos indicadores da Suframa).

  4. Boa tarde sr. Serafim Correa. Antes de meu comentário, parabéns pelo blog. Mas, vamos a ele. Acredito que estamos vivendo um final de um longo ciclo econômico que se iniciou em 1949, que também recebe o nome de secular. Estudados primeiramente por Kondratieff, existem registros de ocorrência de três ciclos longos na história do sistema capitalista e talvez estejamos fechando o quarto. Ian Gorgon economista canadense, que através de estudos econométricos determinou que um ciclo longo pode durar entre 60 e 80 anos chama essa fase de inverno econômico, e o último vivido pelo mundo foi entre 1929 a 1948, período que foi marcado por um crash nas bolsas de valores pelo mundo (como atualmente),atividade econômica muito baixa, desemprego crescente, falências de empresas, deflação, queda na renda da população, tudo isso amenizado temporariamente pela Segunda Guerra Mundial. Gordon nos diz que este ciclo atingiu seu pico no ano 2000, só não ocorrendo um desmoronamento da atividade econômica devido a política de juros baixos do FED.Não deveremos ter uma depressão agora, contudo tenho muito receio do que ainda está por vir. Esse salvamento de instituições financeiras e empresas pelos governos, podem jogar o mundo numa longa fase de crescimento econômico muito baixo ou até mesmo negativo. Seria a atividade econômica descrevendo a temida letra L, queda abrupta seguida por longo período de pouca ou nenhuma atividade econômica. Vamos esperar para ver se a destruição criativa do capitalismo, já descrita por Schumpeter mais uma vez atuará. Acredito em uma recuperação consistente na economia mundial a partir do segundo semestre de 2011.

Comments are closed.