19 de abril: 60 anos de A Crítica

Homenagem ao grande Caldera

Conheci Umberto Calderaro Filho nos anos 70, apresentado pelo seu primo e meu amigo José Maria Pinto. Durante muito tempo colaborei com A CRÍTICA na redação da coluna SIM & NÃO e através de artigos semanais.

Nessa época, criei o hábito de todos os dias no final da tarde, ao sair do no meu trabalho na Receita Federal, passar no seu gabinete na Rua Lobo D Almada. Lá era um ponto de reunião de políticos, empresários e jornalistas.

Durante quase vinte anos convivemos e tive a oportunidade de conhecer as várias faces do Seo Umberto, como eu o chamava.

Como empresário, era um homem a frente do seu tempo. Todos os anos ele viajava para conhecer as novidades no setor dos jornais. E sempre que voltava procurava atualizar e avançar. Foi por essa razão que A CRÍTICA avançou tanto.

Compreendeu logo a necessidade da integração das mídias. Daí ter buscado, ao lado do jornal, a emissora de televisão e as emissoras de rádio.

Como jornalista, era ousado. Farejava a notícia. Cobrava resultados, vivia o clima da redação. Lia o seu jornal antes e depois. Via os erros. Mandava corrigir. Tinha uma coisa que poucos têm: auto crítica. E quando o erro era de A CRÍTICA, ele brigava pra dentro.

Como amigo, era solidário. Presente nos momentos de dificuldades. Não abandonava ninguém na hora das adversidades. Aliás, até mesmo com quem não tinha relações de amizade, ele agia como se fosse amigo, abrindo espaço para que cada um contasse a sua versão.

Era uma espécie de “paizão” em relação aos filhos e filhas de seus amigos por quem tinha um carinho extremado. Dos que já tinham partido e dos que ainda estavam no seu convívio. Que o digam a Baby e o Belmirinho.

Como pessoa, era uma figura humana excepcional. Era, também, um glutão. A Dona Rita, sua esposa, que tem lugar assegurado no céu por tudo de bom que fez a tanta gente ao longo de sua vida, tinha a preocupação de tentar controlar a ânsia do seo Umberto pela comida. Sabia, inclusive, dos prejuízos que isso trazia à saúde do seu marido. Lembro-me de uma vez que cheguei ao seu gabinete e ele estava com a Dona Rita e outras pessoas. Ele levantou-se e disse: “Meus amigos, me dêem licença que eu vou sair com o Serafim para ver a minha declaração de Imposto de Renda. Depois ele me traz”. Eu, sem entender nada, desci as escadas com ele e perguntei o que houve. Ele respondeu: “Ainda bem que tu chegaste. Hoje é terça feira, dia da feira da Aparecida, eu quero comer pastel e tapioca com caldo de cana e a Rita me marcando de perto.”

A última vez que o vi, e é essa a imagem que guardo dele até hoje, foi uma semana antes de sua partida no Restaurante Calçada Alta. Ele estava alegre e feliz com amigos em uma mesa comendo pataniscas (lasca de bacalhau, coberta com farinha de trigo, e frita). Ao sair, levava uma quentinha com mais pataniscas. Nos abraçamos e eu questionei se ele já não havia comido além da conta para ainda estar levando mais pataniscas na quentinha. Abrindo o sorriso, ele respondeu: “É pra Rita”.

4 comments

  1. Parabens Senhor Prefeito, pela lembrança de um cidadão Amazonense que primava pela imparcialidade.

    Louvo Sua atitude em reconhecer os grandes méritos deste grande homem que foi um marco e continuará sendo um ícone nas comunicações do nosso querido estado.

  2. Confesso que me emocionei ao ler esta matéria. São justas as homenagens à esta Empresa que tanto contribui para o desenvolvimento do nosso Estado. Mais ainda, são justas as homenagens ao idealizador e crador desta Empresa, Jornalista Umberto Calderaro Filho. Você descreve que a imagem que guarda dele é a do Calçada Alta, comendo pataniscas. A única vez que tive a oporunidade de vê-lo, foi no Supermercado Fujii, ali na Av. Joaquim Nabuco, ao lado de sua esposa, catando uma lata de doce de leite na prateleira com seu sorriso bonachão e os suspensórios segurando a bermuda. Daí,não contei conversa, cutuquei minha mãe e disse: esse aí é o dono do A Crítica.

  3. Esse ai gostava do amazonas, e não vez muito além de demonstrar seu amor pelo estado através de sua obra.

    Que suas memória virem historias como as lendas do amazonas.

    Parabéns.

  4. UMBERTO CALDERARO ANTES DE TUDO FAZ LEMBRAR CORAGEM, AMIZADE VERDADEIRA, ALEGRIA, SIMPATIA, EDUCAÇÃO, JORNALISTA E DIRETOR DE JORNAL COMPETENTÍSSIMO E QUE USAVA O SEU IMENSO PRESTÍGIO E PODER,EM NÍVEL LOCAL E NACIONAL,PARA BENEFICIAR OS REAIS INTERESSES DA AMAZÔNIA QUE TANTO AMAVA.

    DE UMBERTO CALDERARO,SIM,FICAMOS ÓRFÃOS! NINGUÉM O SUBSTITUI.

    ENVIO PARA O CÉU O PARABÉNS PELO ANIVERSÁRIO DE A CRÍTICA, MEU BOM AMIGO E AMIGO DOS MEU PAIS. SAUDADES……………..

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