Campus Party

QUANDO OLHAMOS para o futuro, precisamos entender como a inteligência e o conhecimento são compartilhados hoje e para onde apontam. A revolução da tecnologia da informação provocou mudanças tão profundas que ainda não conseguimos entender para que lado faz pender a saga da humanidade.

Inútil buscar respostas lineares, pois felizmente faz parte dessa revolução o embaralhamento dos maniqueísmos. Entendi melhor isso na Campus Party, na última semana, em São Paulo. Quem poderia prever, poucas décadas atrás, a formidável expansão do universo das redes de relacionamento e troca de informação via internet?

A Campus Party é o grande evento dessa nova cultura digital. Chamada de “nerdstock”, o que já revela certo preconceito, na verdade é um espaço de intensa participação, inclusive política, e de exercício de cidadania. O que mais me comoveu foi ter reconhecido naqueles jovens o mesmo inconformismo, generosidade e disposição para mudar o mundo que em outras gerações se manifestavam de outras formas.

Encontrei-me com Lawrence Lessig, um dos fundadores da “Creative Commons”, ONG que promove o acesso criativo a obras intelectuais por meio de licenças jurídicas que permitem a qualquer criador dizer o que pode ou não ser feito com suas obras. Nossa conversa ajudou-me a avaliar a importância da internet para que a cultura seja um bem de todos.

Participei também de uma iniciação digital -o batismo digital- e de um evento bastante heterodoxo, a desconferência, onde convidado e plateia estão quase no mesmo nível de protagonismo e a conversa toma o rumo que essa interação permite. As perguntas e manifestações não foram diferentes do que tenho ouvido Brasil afora. Dois focos importantes de perguntas foram sobre como fazer para que informações de interesse público estejam disponíveis de forma ágil e com credibilidade, e como ter maior transparência no setor púbico.

Durante o percurso entre os campuseiros, conduzida por Juliano Spyer e João Ramirez, tive a sensação de estar entrando numa mata densa, cheia de boas surpresas e riscos, onde deleite e perigo têm uma linha tênue de separação. Lugar onde a prudência aconselha a companhia de um bom mateiro.

João e Juliano deram um show como mateiros. Sempre repito as palavras de Edgar Morin, de que para sair da crise em que nos encontramos é necessário promover o diálogo de saberes. Na Campus Party, me senti o tempo todo praticando esse preceito. E sentindo como ele é fundamental e empolgante.

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