A situação dos renais crônicos do Amazonas

Os jornais amazonenses publicaram, na semana passada, notícias dando conta da situação dos pacientes renais do Amazonas. São preocupantes e assustadores os números dos primeiros cinco meses deste ano: 78 mortes. Isso é mais do que a metade das 123 mortes ocorridas em 2008.

E porque que morrem os renais crônicos?

Simplesmente porque não existem vagas nas clínicas. Falta estrutura para o atendimento de urgência nos prontos-socorros. Existe uma enorme burocracia para o atendimento, além da demora na fila para que os pacientes façam hemodiálise em clínicas particulares conveniadas pelo Sistema Único de Saúde. Mas, a causa principal dessas mortes, infelizmente, é a inexistência de uma central de transplante de órgãos de doadores não vivos.

Para se ter uma idéia da situação, segundo Leôncio Teixeira Leite, presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos, atualmente, há cerca de 3,5 mil pessoas com problemas renais crônicos no Estado, entre crianças e idosos, sendo que 1,1 mil deles estão sem nenhum tipo de atendimento.

Um absurdo isso!

E a situação periclitante não pára por aí: pelo menos 1,9 mil recebem a hemodiálise, sendo que, desse total, aproximadamente 250 fazem a diálise em casa com a máquina peritoneal, equipamento portátil onde o líquido é drenado para uma bolsa externa. O pior disso tudo é que um estudo feito pela Associação dos Pacientes Renais Crônicos revela que o Amazonas tem gasto mais com a hemodiálise do que se tivesse uma central de transplante de órgãos de doadores não vivos.

Um transplante de órgão custa, em clínicas particulares, cerca de R$ 60 mil. Já quem faz hemodiálise gasta o triplo desse valor, ou seja, algo em torno de 180 mil reais. Esses são dados da Associação dos Pacientes Renais Crônicos.

Hoje, no Amazonas, há 49 pacientes na fila de espera para serem atendidos pelo convênio do SUS. O Estado, infelizmente, oferece apenas transplante de rim entre vivos. O governo tem bancado o programa Tratamento Fora de Domicílio, por meio do qual o paciente entra na fila do Sistema Nacional de Transplantes, controlada pelo Ministério da Saúde.

É pouco ou quase nada! Enquanto existe toda essa demora no atendimento a um paciente, outros tantos morrem sem o devido atendimento.

As autoridades governamentais devem ter sensibilidade com a situação vivida por essas pessoas que sofrem de problemas renais crônicos no Amazonas. Não dá mais para esperar. A solução precisa ser imediata, sob pena de vermos esse número de óbitos crescerem a cada dia, infelizmente.

Portanto, no sentido de minimizar o sofrimento dos pacientes renais, estou apresentando um requerimento com pedido de informações ao Ministério da Saúde para saber o grau de participação ativa e de intervenção desse Ministério em favor da vida dessas pessoas que sofrem de problemas renais. Além de ações especificadas do órgão no Amazonas, apelo ao espírito de homem público do ministro José Gomes Temporão para que veja o sofrimento desses amazonenses que precisam do transplante de órgãos.

Estou na firme defesa dos renais crônicos do Amazonas.

Até semana que vem!

MARCELO SERAFIM

Deputado federal pelo PSB do Amazonas

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