• Protestos em todo Brasil.

    18.06.2013Sem categoriaCOMPARTILHAR Deixe um Comentário

    Do UOL, em São Paulo:

    Mais de 250 mil pessoas participaram de protestos em várias cidades de norte a sul do Brasil nesta segunda-feira (17). A onda de protestos, que nas últimas semanas tinha como foco principal a redução de tarifas do transporte coletivo, ganhou proporções maiores e passou a incluir gritos de descontentamento com várias causas diferentes.

    Houve registro de confrontos e violência em Belo Horizonte, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em Brasília, onde manifestantes invadiram o Congresso Nacional. É a maior mobilização popular do Brasil desde os protestos pedindo o impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello (hoje senador), em 1992.

    Além do Congresso Nacional, que foi desocupado após cinco horas, grupos também invadiram a sede do governo do Paraná e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

    As manifestações começaram, em sua maioria, de forma pacífica, mas houve agravamento da tensão no final da noite, com grupos de manifestantes partindo para ações mais radicais.

    No Rio de Janeiro, houve confronto com policiais. Mais de dez pessoas ficaram feridas nos confrontos nas ruas, duas delas a tiros.

    Manifestantes invadiram a Assembleia Legislativa do RJ e mantiveram 20 policiais militares como reféns. Eles também estavam feridos. A Tropa de Choque da PM retomou o prédio à força.

    Segundo estimativas da Coppe/UFRJ, 100 mil pessoas participaram dos protestos no Rio.

    Policiais tentaram dispersar manifestantes com o uso de bombas de gás lacrimogêneo. Manifestantes fizeram barricadas com fogo. Houve depredação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Um carro foi incendiado por um grupo de manifestantes e explodiu.

    Em São Paulo, manifestantes tentaram invadir a sede do governo, no Palácio dos Bandeirantes. Um portão chegou a ser quebrado no local por volta das 23h, mas a Tropa de Choque da PM impediu a entrada do grupo.

    Na manifestação de São Paulo, que reuniu 65 mil pessoas (segundo medição do instituto Datafolha) na zona oeste e na zona sul da cidade, por exemplo, ouviam-se gritos de ordem contra a presidente Dilma Rousseff (PT), contra o governador Geraldo Alckmin, faixas contra o uso de dinheiro público nas obras da Copa, protestos contra a PEC 37 (proposta de mudança de legislação que tira o poder de investigação do Ministério Público), contra corrupção e violência, por educação melhor e redução do custo de vida e pedindo melhores serviços públicos em geral. “O povo unido jamais será vencido”, entoava um coro de milhares de manifestantes na avenida Faria Lima por volta das 20h.

    Os protestos de São Paulo, em seu quinto dia, também mostraram que houve a adesão de outros setores da sociedade. Não mais apenas estudantes, ativistas e militantes políticos estavam nas ruas nesta terça, mas houve relatos de pessoas que resolveram participar do protesto atraídos pela divulgação e pelos comentários nas redes sociais. Por exemplo, houve gente que levou a família para participar dos atos em São Paulo.

    Em Maceió, um adolescente de 16 anos foi atingido por um tiro durante a manifestação.

    O número de participantes em todas as manifestações, que ocorreram em mais de 20 cidades, pode ser bem maior, pois em nem todas foi oficialmente divulgado o total de público.

    Multidão

    Em algumas cidades, o protesto foi convocado “em solidariedade” às vítimas da violência nos atos de quinta-feira passada (13) em São Paulo, quando pessoas que não participavam dos protestos e até jornalistas foram atingidos e feridos por disparos de balas de borrachas da Tropa de Choque da PM.

    Veja a estimativa de participantes em algumas das cidades em que houve protestos nesta segunda:

    Rio de Janeiro – 100 mil

    São Paulo – 65 mil

    Belo Horizonte – 30 mil

    Belém – 13.000

    Curitiba – 10.000

    Salvador – 10.000

    Brasília – 5.000

    Porto Alegre – 5.000

    Maceió – 2.000

    Santos (SP) – 1.500

    Comentário meu: Essas manifestações espontâneas não têm apenas um motivo, mas é a soma de insatisfações, indignações e decepções. A volta da “Velha Senhora”, a inflação, serviu de amálgama e o resultado está aí. Neste momento a sociedade cobra muito juízo da classe política, em especial dos que atualmente detém o poder.

    Que sirva, pelo menos, para fazer cair a ficha de alguns que continuavam fazendo cara de paisagem diante dos problemas com gestos autoritários e de ar superior. A crise é real, está na nossa porta, ainda pode ser controlada e superada, mas se nada for feito, óbvio que teremos problemas.

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